Foto: Divulgação/Hospital São Camilo
Justiça determina retomada imediata de serviços médicos no Hospital São Camilo no Amapá

Justiça determina retomada imediata de serviços médicos no Hospital São Camilo no Amapá

Suspensão abrupta de atendimentos gerou risco de morte e levou Justiça a impor multa por descumprimento.


 A Justiça do Amapá concedeu no sábado, 19, uma tutela de urgência em favor do Governo do Estado, determinando a retomada imediata dos serviços médicos de alta complexidade no Hospital São Camilo. A decisão foi motivada pela suspensão unilateral dos atendimentos pela Sociedade Beneficente São Camilo.

A liminar determina que a entidade volte a prestar os serviços essenciais sob pena de multa diária de R$ 10 mil, conforme prevê o Código de Processo Civil. Além disso, a Justiça designou uma audiência de conciliação para o dia 27 de outubro, às 10h, com o objetivo de buscar um acordo entre as partes. O Ministério Público também foi intimado, como fiscal da lei.

A decisão ressalta que, embora a instituição beneficente não esteja obrigada a substituir o papel do Estado no financiamento da saúde, não pode interromper serviços vitais de forma abrupta. Além disso, todos os atendimentos devem ser retomados imediatamente, garantindo a continuidade dos serviços à população amapaense enquanto se busca uma solução definitiva para a dívida existente.

A suspensão dos serviços incluía procedimentos críticos como cirurgia cardíaca, hemodinâmica e cardiovascular, exclusivos da unidade. A decisão do juiz Paulo César do Vale Madeira reconheceu o risco iminente à vida de pacientes, afirmando que a interrupção poderia provocar perigo de dano irreversível, incluindo risco de morte.

Liminar determina que a entidade volte a prestar os serviços essenciais sob pena de multa diária de R$ 10 mil

Liminar determina que a entidade volte a prestar os serviços essenciais sob pena de multa diária de R$ 10 mil

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Foto: Divulgação/Hospital São Camilo

O conflito surgiu por conta de dívidas acumuladas do Estado com a entidade, que giram em torno de R$ 47,7 milhões. A Sociedade Beneficente São Camilo notificou, no último dia 14, que paralisaria os serviços por suposto atraso de mais de dois meses nos repasses previstos em contrato. No entanto, o Estado argumentou que havia tratativas em andamento para o pagamento da dívida, incluindo propostas formais com cronograma de quitação até dezembro de 2026, o que, segundo a decisão judicial, torna injustificada a paralisação imediata sem garantir o contraditório e a ampla defesa da Administração Pública.

A Secretaria de Saúde do Estado do Amapá (Sesa) já havia reconhecido a dívida e iniciado o processo de regularização por meio do reconhecimento formal dos valores devidos, conforme pareceres técnicos e autorizações administrativas datadas do início de outubro.

Por Roberta Corrêa

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