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A advogada de inscrição nº 001 que ajudou a garantir a sede da OAB no Amapá
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A advogada de inscrição nº 001 que ajudou a garantir a sede da OAB no Amapá

  • Renivaldo Costa
  • 27/06/2026
  • Literatura


A história da advocacia amapaense não pode ser contada sem mencionar um nome: Sulamir Monassa de Almeida. Primeira advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil no Amapá, ela recebeu a carteira profissional de número 001 e tornou-se uma das personagens mais influentes na consolidação das instituições jurídicas do estado.

Mas sua trajetória vai muito além de um número simbólico. Quando procurou a recém-criada OAB-Amapá para efetuar sua inscrição, a entidade ainda engatinhava. Não possuía sede própria e funcionava em uma pequena sala nas dependências do antigo Fórum de Macapá. A estrutura era precária e faltava praticamente tudo para o funcionamento da instituição.

Diante das dificuldades, Sulamir tomou uma iniciativa que se transformaria em uma das passagens mais curiosas da história da Ordem no estado: comprometeu-se pessoalmente a doar os livros necessários para a formação da primeira biblioteca jurídica da seccional. Os exemplares foram adquiridos na antiga Livraria Martins, ao lado do Mercado Central, contribuindo para que a entidade pudesse iniciar suas atividades regulares.

As dificuldades, porém, não terminavam ali. A recém-instalada OAB/AP sequer possuía carteiras profissionais para entregar aos novos inscritos. Ao tomar conhecimento de uma promessa feita pela OAB de São Paulo de doar cem carteiras à seccional amapaense, Sulamir viajou pessoalmente para buscar o material. Retornou a Macapá trazendo a caixa com os documentos que permitiriam a formalização dos primeiros registros da advocacia local.

Foi assim que, em solenidade realizada no antigo Fórum de Macapá, recebeu a histórica carteira nº 001 da OAB-Amapá. Sua atuação, contudo, não se limitou ao exercício profissional. Em 1991, Sulamir Monassa foi eleita presidente da OAB-Amapá, tornando-se, até hoje, a única mulher a ocupar o cargo. Em uma época em que os espaços de poder eram predominantemente masculinos, sua eleição representou uma ruptura de paradigmas e um marco para a advocacia do estado.

Entre os episódios mais emblemáticos de sua gestão está a mobilização para garantir que o patrimônio da Ordem tivesse proteção jurídica definitiva durante a elaboração da primeira Constituição do Estado do Amapá. Nos bastidores da Assembleia Constituinte, Sulamir articulou-se para assegurar que a cessão do prédio do antigo Fórum de Macapá à OAB-Amapá fosse preservada no texto constitucional estadual, evitando que a instituição perdesse um patrimônio considerado fundamental para sua autonomia e fortalecimento institucional.

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A firmeza com que defendia as prerrogativas da advocacia tornou-se uma de suas marcas. Colegas da época recordam uma profissional que transitava com naturalidade entre tribunais, gabinetes políticos e entidades de classe, sempre disposta a enfrentar autoridades quando entendia que os interesses da advocacia ou das instituições democráticas estavam em risco.

Sua história se confunde com a própria construção do sistema de justiça no Amapá. Pioneira, dirigente de classe, articuladora institucional e defensora da autonomia da advocacia, Sulamir ajudou a erguer não apenas uma carreira de sucesso, mas parte dos alicerces jurídicos do estado.

Essas e muitas outras histórias pouco conhecidas sobre personagens que ajudaram a construir o Amapá estão reunidas no livro "As Histórias da História do Amapá", obra que resgata episódios curiosos, personagens marcantes e acontecimentos que muitas vezes ficaram à margem da narrativa oficial.

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