A preocupação do Governo do Amapá com a saúde das crianças também passa pela capacidade de identificar rapidamente doenças e possíveis ameaças à saúde pública. Desde 2023, o Estado fortalece o Núcleo de Epidemiologia do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), em Macapá, setor que atua diariamente na coleta, análise e encaminhamento de informações sobre pacientes atendidos na unidade.
O trabalho da equipe tem caráter resolutivo e contribui para antecipar situações que possam favorecer a ocorrência de surtos de doenças como dengue, coqueluche, sarampo, síndromes gripais, meningite, entre outras, daí a importância de informar os casos às autoridades da saúde pública pra conter o avanço do contágio, de um eventual surto, como explica a responsável técnica do Núcleo de Epidemiologia do HCA, a enfermeira Ingrid Martins.
"Na prática, o trabalho começa quando uma criança chega ao hospital e, durante o atendimento, a equipe assistencial identifica sinais de uma doença de 'notificação compulsória'. O caso é comunicado ao nosso setor, que realiza a notificação, acompanha a investigação e, quando necessário, providencia a coleta de material para exame", detalha.
Ingrid Martins (esquerda), responsável pelo Núcleo de epidemiologia do HCA com parte da equipe que compõe o setor
O setor também faz busca ativa nos demais ambientes do HCA, observando pacientes que possam se enquadrar em casos suspeitos. A partir daí é realizada a notificação à Vigilância Municipal de Macapá e são inseridas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), permitindo que os dados sejam acompanhados e subsidiem ações de prevenção e controle, junto a outros órgãos, como o Ministério da Saúde.
"Quando existe uma suspeita, a equipe do Núcleo de epidemiologia já trabalha todas as medidas de controle.Não esperamos a confirmação dos casos, porque não há tempo de aguardar o resultado para iniciar as ações de prevenção. Se for uma doença imunoprevenível, por exemplo, a gente comunica a sala de vacina, verifica a situação vacinal da criança e dos acompanhantes e recomenda a vacinação quando necessário", reitera Ingrid Martins.
Fluxo que transforma o atendimento
O fluxo transforma cada atendimento em uma fonte de informação para a saúde pública. Em casos que exigem resposta imediata, o alerta é encaminhado às instâncias responsáveis para a investigação, coleta de exames e adoção das medidas necessárias. Dependendo da ocorrência, a rede pode mobilizar o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), a sala de vacinação e as equipes da Atenção Primária, que atuam nos bairros para ampliar a investigação e interromper a cadeia de transmissão.
Para manter esse acompanhamento, o núcleo funciona 24 horas desde 2024, com equipes distribuídas nos turnos. O serviço é formado por médico, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de saúde, que trabalham de forma integrada com as demais áreas do HCA.
