O avanço da ciência e da tecnologia como aliados na proteção dos biomas amazônicos marcou o encerramento do curso Manejo Preventivo e Atendimento à Predação por Grandes Felinos. A iniciativa, promovida pelo WWF-Brasil em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), contou com apoio do Governo do Amapá e reuniu profissionais da área ambiental, produtores rurais e representantes de comunidades de diferentes municípios.
A proposta foi ampliar o conhecimento técnico sobre estratégias de prevenção a conflitos entre humanos e grandes felinos, especialmente em áreas de ocorrência de onças-pintadas e onças-pardas, utilizando ferramentas inovadoras de monitoramento, manejo e análise de dados.
Durante a capacitação, especialistas compartilharam experiências desenvolvidas em outras regiões do país, apresentando soluções que unem pesquisa, inovação e manejo preventivo. O gestor de coexistência do Projeto Onças do Iguaçu, Thiago Reginato, explicou que a construção desse conhecimento precisa alcançar quem vive diretamente nas zonas rurais das regiões.
“A ciência é boa quando sai da universidade e chega até as pessoas. Nosso objetivo é mostrar que a coexistência é possível, que existem ferramentas e práticas que ajudam a reduzir riscos e proteger tanto os animais quanto as comunidades. Mostrar que um animal como a onça não ataca do nada, muitas vezes a predação nas criações rurais, por exemplo, vem de outro animal que não é a onça e isso precisa ser levado em conta antes de qualquer ação humana”, afirmou.
Além das orientações práticas, a programação abordou identificação de vestígios, proteção de animais de produção e comportamento seguro em áreas de circulação de felinos. Reginato também chamou atenção para o impacto da desinformação na percepção sobre esses animais.
“Muitas vezes o medo vem de informações erradas. Quando a gente compartilha conhecimento com base em evidências, consegue mudar essa relação e construir estratégias mais eficientes de prevenção”, completou.
A secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça, destacou que fortalecer a relação entre conhecimento científico e gestão ambiental é fundamental para ampliar a proteção da biodiversidade no estado.
“Quando investimos em formação técnica e aproximamos esse conhecimento das comunidades, fortalecemos uma rede de proteção que beneficia tanto as pessoas quanto os ecossistemas. Essa parceria com a WWF Brasil vem somar com o Estado do Amapá que tem um papel estratégico na conservação da Amazônia e esse trabalho amplia nossa capacidade de atuação”, ressaltou.
Ciência e Tecnologia na proteção dos biomas
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A tecnologia aplicada à conservação também foi um dos destaques do curso. A gestora de coexistência do Projeto Onças do Iguaçu, Aline Kotz, apresentou ferramentas utilizadas no monitoramento das espécies e na produção de dados científicos.
“Usamos armadilhas fotográficas e equipamentos de monitoramento que nos ajudam a entender a dinâmica populacional, identificar os animais e avaliar as condições ambientais onde eles vivem. Essas informações são fundamentais para orientar ações de conservação”, explicou.
Segundo Aline, a individualização das onças por meio de padrões únicos das manchas permite compreender o comportamento das espécies e a disponibilidade de alimento nos territórios.
O assessor técnico de biodiversidade da Sema, Euryandro Costa, reforçou que a formação amplia a capacidade técnica dos profissionais que atuam diretamente na ponta, ou seja, nas comunidades rurais.
“Essa troca de experiências fortalece a gestão ambiental e prepara multiplicadores para atuar de forma preventiva nas comunidades. É uma construção que une ciência, tecnologia e saber local em benefício da conservação”, destacou.
Com o encerramento da capacitação, os participantes passam a atuar como agentes de multiplicadores de conhecimento, fortalecendo uma rede de proteção à fauna silvestre e consolidando estratégias de conservação alinhadas às características do bioma amazônico.
