Nos aplicativos de relacionamento, usuários já recorrem à inteligência artificial para escrever biografias, criar respostas e até manter conversas inteiras. O comportamento, conhecido como chatfishing (algo como “catfish da conversa”), inaugura uma nova dúvida nas relações digitais: você está conhecendo uma pessoa ou uma personalidade criada por IA?
Para João Paulo Batistella, especialista em transformação digital e inovação, o fenômeno representa uma espécie de “catfish de personalidade”. “A foto pode ser verdadeira, o nome pode ser verdadeiro e a pessoa pode estar realmente interessada. O problema é que o jeito de conversar, demonstrar empatia e criar intimidade talvez tenha sido construído por um algoritmo”, afirma.
ChatGPT, Rizz, Winggg e YourMove AI estão entre as ferramentas usadas para construir uma versão mais interessante de si mesmo. Algumas sugerem respostas em tempo real, outras criam biografias, escolhem cantadas e até indicam a melhor forma de manter o interesse do outro durante a conversa.
Uma pesquisa realizada pela Match em parceria com o Instituto Kinsey apontou que 26% dos solteiros norte-americanos já usam inteligência artificial para melhorar seus resultados nos aplicativos de relacionamento. Na prática, a tecnologia deixou de ser apenas um corretor de texto e passou a participar da construção da primeira impressão. A diferença costuma aparecer quando o contato sai da tela e alguém que parecia articulado, engraçado e atento por mensagem demonstra dificuldade para sustentar o mesmo nível de conversa no encontro presencial.
Usar IA para revisar uma frase ou ajudar alguém tímido a iniciar um papo não é necessariamente um problema. A distorção acontece quando a ferramenta passa a substituir a espontaneidade, o senso de humor, a sensibilidade e até a forma de demonstrar interesse. Nesse caso, o match pode estar se envolvendo com características que a pessoa não consegue sustentar fora do ambiente digital.
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Para o especialista, a inteligência artificial pode facilitar a comunicação, mas não substituir a personalidade. Segundo João Paulo Batistella, o problema começa quando o algoritmo deixa de ajudar e passa a representar emocionalmente alguém. “Antes, o filtro alterava o rosto. Agora, ele também pode editar humor, inteligência, empatia e afeto. A pergunta deixou de ser apenas ‘essa foto é verdadeira?’ e passou a ser ‘com quem eu realmente estou conversando?’”, conclui.
Créditos: @batistellabr | CO ASSESSORIA
