Ramal de Calçoene recebe 14 passagens substituídas por pontes de madeira, melhorando tráfego de veículos
- Weverton Façanha
- 29/04/2026
- INFRAESTRUTURA
Novas passagens de madeira garantem acesso a saúde e educação para famílias do Cunani após décadas de reivindicações
O governador Clécio Luís concluiu a entrega de 14 pontes no ramal que liga a sede de Calçoene à comunidade histórica de Cunani. As novas estruturas, feitas de madeira de lei, substituíram passagens deterioradas, garantindo trafegabilidade e segurança para moradores e produtores rurais.
A obra faz parte de um conjunto de investimentos em infraestrutura do Governo do Amapá, voltado à integração de comunidades isoladas e ao fortalecimento do escoamento da produção local, especialmente de açaí e cacau.
No último fim de semana, o destaque foi a inauguração da nova ponte sobre o Rio Cunani. A estrutura definitiva conecta as duas margens, substituindo uma ponte antiga e improvisada, sustentada por cabos de aço, que apresentava riscos constantes à população.
— Entregamos 14 pontes no ramal, com destaque para o novo acesso à comunidade, que substitui uma estrutura muito antiga e praticamente inacessível. Cumprimos o compromisso de garantir mobilidade segura para veículos e pessoas com dificuldade de locomoção. Agora a comunidade terá outro aspecto, principalmente no lado econômico — afirmou o governador Clécio Luís.
Impacto social
A intervenção atende a uma reivindicação de décadas das famílias que vivem no Quilombo do Cunani. Além de facilitar o transporte escolar e o acesso a serviços de saúde e segurança, as novas pontes eliminam gargalos logísticos em um trecho que, durante o período de chuvas, tornava-se praticamente intransitável.
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Contexto histórico: a República de Cunani
A vila de Cunani não é apenas um polo produtivo, mas também um marco da geopolítica amazônica. Situada em área alvo de disputas territoriais entre Brasil e França no século XIX (o Contestado), a vila chegou a ser a capital da autoproclamada República Independente da Guiana, ou República do Cunani, fundada em 1886.
O Estado teve bandeira, moeda e leis próprias, sob a liderança do francês Jules Gros. Hoje, a vila é reconhecida como comunidade quilombola remanescente, mantendo viva a memória de resistência de negros e indígenas que ali se estabeleceram em busca de liberdade.
