No CNN Talks Potência Verde, executivo do Banco do Brasil destaca cenário mais desafiador: "É um momento de aprendizado e ajuste"
- LEONARDO NASCIMENTO
- 28/04/2026
- Agronegócio
Executivo do Banco do Brasil ressalta aprendizado e ajuste em meio a juros elevados e eventos climáticos
O financiamento sustentável, a transição energética e a gestão de riscos climáticos estiveram no centro dos debates do CNN Talks Potência Verde, realizado nesta segunda-feira (27), durante a Agrishow.
Em um cenário de ajuste econômico no campo, representantes do setor público e financeiro defenderam maior integração entre crédito, tecnologia e inovação como caminho para sustentar a competitividade do agronegócio brasileiro.
O Superintendente Nacional Mega Produtor Rural do Banco do Brasil, Felipe Duch, afirmou que o setor atravessa uma fase mais desafiadora, marcada por margens mais apertadas, aumento do endividamento e necessidade de reorganização financeira. Segundo ele, a instituição adotou medidas para dar fôlego aos produtores, incluindo a prorrogação de cerca de R$ 36 bilhões em operações de crédito.
“É um momento de aprendizado e ajuste, mas seguimos otimistas. Temos recursos disponíveis e expectativa de movimentar R$ 3 bilhões em negócios durante a Agrishow”, afirmou.
De acordo com o executivo, cerca de 95% dos clientes seguem adimplentes, enquanto os demais recebem acompanhamento individualizado. Duch destacou que o papel dos bancos vai além da concessão de crédito e passa por orientar o produtor rural sobre oportunidades de geração de valor, sustentabilidade e proteção financeira. Entre os instrumentos com demanda crescente estão o seguro rural, o hedge cambial e mecanismos de proteção de preços de commodities.
“O futuro do banco vai muito além do crédito. É ajudar o produtor a aproveitar melhor as oportunidades e agregar valor ao trabalho realizado no campo”, disse.
Crédito, seguro e gestão de risco Ao longo dos painéis, o deputado federal Arnaldo Jardim avaliou que o agronegócio vive um momento mais delicado após anos de forte expansão, com impacto de juros elevados, redução de margens e eventos climáticos extremos.
Segundo ele, duas frentes se tornaram prioritárias: a renegociação de dívidas e o avanço do seguro rural como instrumento permanente de gestão de risco. “Precisamos permitir que produtores, pessoas físicas e jurídicas, possam renegociar seus passivos e continuar produzindo”, afirmou. Jardim chamou atenção para a baixa cobertura securitária no país. De uma área plantada próxima de 90 milhões de hectares, apenas cerca de 7,5 milhões contam com seguro. “O Brasil não pode continuar convivendo com esse nível de proteção tão reduzido”, disse.
O parlamentar destacou ainda que a necessidade total de recursos para custeio e financiamento da safra gira em torno de R$ 1,2 trilhão, enquanto o Plano Safra responde por aproximadamente um terço desse montante. Para ele, o cenário evidencia o avanço do mercado privado e reforça a necessidade de maior planejamento por parte do produtor. “O salto necessário para manter produtividade no futuro será de gestão”, afirmou.
Sustentabilidade e novas fontes de financiamento No campo financeiro, Duch ressaltou o crescimento de instrumentos ligados à sustentabilidade e ao mercado de capitais como complemento ao crédito tradicional. Entre eles, destacou CPR Verde, programas de recuperação de áreas degradadas e a emissão recente de um “nature bond” de US$ 500 milhões pelo banco, voltado à preservação ambiental e recuperação de bacias hidrográficas.
Segundo o executivo, esse tipo de instrumento amplia o acesso a recursos e conecta o produtor brasileiro às demandas globais por práticas sustentáveis. Atualmente, cerca de 40% da carteira sustentável do banco está direcionada ao agronegócio.
Transição energética e biocombustíveis A transição energética também foi apontada como vetor estratégico para o setor. Jardim destacou o potencial do hidrogênio verde e dos biocombustíveis para reduzir a dependência externa de insumos e fortalecer a soberania energética do país.
O deputado lembrou que o governo avalia elevar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, além do aumento do biodiesel no diesel, acompanhando uma tendência internacional de expansão de fontes renováveis. “Criamos um movimento virtuoso dos biocombustíveis sem comprometer a segurança alimentar”, afirmou.
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Agricultura familiar e inovação A diretora de Inovação para Produção Familiar e Transição Agroecológica do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Vivian Libório de Almeida, destacou o papel crescente da agricultura familiar na agenda de sustentabilidade e inovação
Para ela, políticas como Pronaf, Proagro e Garantia-Safra têm ampliado o acesso a crédito, tecnologia e assistência técnica no campo. Atualmente, mais de 60 mil famílias participam do Selo Biocombustível Social, movimentando cerca de R$ 6 bilhões por ano. “A tecnologia salva famílias, melhora a renda e fortalece a permanência no meio rural”, afirmou.
Vivian também apontou novas oportunidades em combustíveis avançados, como o sustentável de aviação (SAF), além do uso de resíduos agrícolas e sistemas produtivos mais integrados, como os agroflorestais.
Sobre o CNN Talks Agro| Portência Verde
O CNN Talks Agro é uma plataforma de debates da CNN Brasil que reúne lideranças dos setores público e privado para discutir os principais desafios e oportunidades do agronegócio. A edição realizada durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, abordou o cenário macroeconômico, o acesso ao crédito, a sustentabilidade e o papel do Brasil na transição energética global, em um momento de preparação para o próximo Plano Safra.
Também participaram do ciclo de debates Fernando Capra, CEO da Baldan; Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; e Monika Bergamaschi, diretora de operações do Senar.
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