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Psicoterapia

Interrupção de tratamento para depressão e ansiedade sem orientação médica pode aumentar risco de recaídas

A suspensão de medicamentos e psicoterapia por conta própria está associada à recorrência dos sintomas e ao agravamento do quadro clínico

I
Imprensa Libbs 24/08/2026 às 00:00
Interrupção de tratamento para depressão e ansiedade sem orientação médica pode aumentar risco de recaídas
Interromper tratamento de depressão e ansiedade pode levar a recaídas. Crédito: Freepik

Agosto de 2026 – O Transtorno Depressivo Maior (TDM) e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) estão entre as condições de saúde mental mais prevalentes no mundo¹. Embora existam tratamentos eficazes para ambos os transtornos, a interrupção precoce ou sem acompanhamento médico é, atualmente, um dos principais desafios para o controle dos sintomas e a prevenção de recaídas2,3.

A depressão é caracterizada por sintomas como tristeza persistente, perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas, alterações do sono e do apetite, dificuldade de concentração e fadiga2,4. Já os transtornos de ansiedade englobam diferentes condições marcadas por preocupação excessiva, medo persistente e sintomas físicos que podem incluir tensão muscular, irritabilidade e inquietação3.

O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou a combinação de ambas as abordagens, dependendo do diagnóstico, da gravidade dos sintomas e das características individuais do paciente2,3. Em muitos casos, a melhora clínica ocorre antes da estabilização completa do transtorno, o que pode levar algumas pessoas a acreditar que o tratamento já não é mais necessário2,4.

"Às vezes, o paciente interrompe o tratamento quando começa a se sentir melhor. No entanto, a melhora dos sintomas geralmente indica que a terapia está produzindo efeito, e não que o transtorno está necessariamente controlado. A suspensão precoce, principalmente dos medicamentos, pode favorecer o retorno dos sintomas e aumentar o risco de novos episódios", explica o psiquiatra Rogério Onofre, médico consultor da Libbs e supervisor do Ambulatório Longitudinal da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Além da possibilidade de recaída, a interrupção abrupta de alguns medicamentos pode provocar sintomas conhecidos como síndrome de descontinuação de antidepressivos2,5,6. Entre as manifestações possíveis, estão tontura, náuseas, alterações do sono, irritabilidade e ansiedade. Esses sintomas não ocorrem com todos os medicamentos e nem em todos os pacientes, mas o risco pode ser reduzido quando a retirada é feita de forma gradual e sob supervisão médica2,6.

"O tratamento da depressão e da ansiedade deve ser individualizado. O momento de reduzir a dose ou interromper um medicamento depende da evolução clínica de cada paciente, do risco de recorrência e da presença de outros fatores de saúde. Por isso, qualquer mudança deve ser planejada em conjunto com o profissional que acompanha cada paciente", diz o médico.

Outro aspecto importante é a adesão ao tratamento não medicamentoso. A psicoterapia apresenta evidências consistentes de eficácia tanto para depressão quanto para transtornos de ansiedade e pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, prevenção de recaídas e melhora do funcionamento psicossocial2,3.

Referências

1. World Health Organization. World mental health today: latest data [Internet]. Geneva: WHO; 2025 [Acesso em 27 jul 2026]. Disponível em: Link

2. American Psychiatric Association. Practice Guideline for the Treatment of Patients With Major Depressive Disorder. 3rd ed. Washington (DC): American Psychiatric Association; 2010.

3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. NICE Clinical Guidelines CG113. London: NICE; 2019.

4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Depression in adults: treatment and management. NICE Guideline NG222. London: NICE; 2022.

5. Tondo L, Baldessarini RJ. Discontinuing psychotropic drug treatment. BJPsych Open. 2020;6(2):e24.

6. Horowitz MA, Taylor D. Tapering of SSRI treatment to mitigate withdrawal symptoms. Lancet Psychiatry. 2019;6(6):538-546.

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.

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