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SAÚDE E INCLUSÃO

Governo do Amapá inicia capacitação em Libras para servidores da saúde

Iniciativa da Cilsaúde capacita 60 profissionais da Sesa para agilizar o primeiro atendimento e humanizar o acolhimento nos hospitais do Estado

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Sávio de Almeida 22/06/2026 às 00:00
Governo do Amapá inicia capacitação em Libras para servidores da saúde
Sávio Almeida/Sesa

O Governo do Amapá iniciou nesta segunda-feira (22) uma oficina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) voltada para servidores da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). A capacitação, que segue até quarta-feira (24) na Escola de Saúde Pública (ESP/AP), em Macapá, busca garantir acessibilidade comunicacional e humanizar o atendimento a pacientes surdos na rede pública do estado.

Coordenada pela Central de Tradutores e Intérpretes de Libras em Saúde (Cilsaúde), a iniciativa foca na comunicação básica para triagem e situações de emergência. Durante o treinamento, os profissionais aprendem comandos essenciais, como se identificar, perguntar sobre sintomas e solicitar documentos de identificação.

O projeto visa preparar quem atua diretamente na recepção e no primeiro acolhimento dos hospitais e postos de saúde. Segundo a coordenação da Cilsaúde, a ação expande o trabalho de inclusão que o órgão já realiza na rede estadual, permitindo que os próprios servidores façam a mediação inicial e direta com o cidadão surdo.

Para detalhar o impacto técnico da formação e a importância desse serviço no ambiente hospitalar, a intérprete Tamila Lima, que também está ministrando o curso, destaca que o aprendizado foca em expressões de saudação, triagem e medição de dor. Segundo ela, esses comandos iniciais agilizam o socorro enquanto a equipe especializada de tradução se desloca até o local.

"Os servidores estão aprendendo, a priori, o sinal de cumprimento ou os sinais saudativos: um 'oi', 'bom dia', uma senha. Enfim, situações que a triagem pode fazer e o pessoal de frente inicialmente também. Em um atendimento de urgência e emergência, caso necessite, as primeiras perguntas: 'O que você está sentindo?' e 'Níveis de 1 a 10?'. São importantes porque elas evitam atrasos. Elas fazem com que ocorra um atendimento humanizado e respeitoso para a pessoa que quer passar a sua condição, para que ela receba o atendimento o mais rápido possível, até a nossa equipe, por exemplo, chegar, ou alguém que saiba Libras. É o mínimo de um recebimento para salvar vida, para melhorar o dia a dia. No caso da saúde, às vezes eles [surdos] procuram o serviço e passam horas sem que a pessoa os entenda; a pessoa está lá passando mal. Então a triagem ajuda. Às vezes o paciente já falou com o médico até a nossa equipe [intérpretes] chegar. Então, isso é uma questão para agilizar mesmo, para salvar a vida", destacou a intérprete.,

A oficina disponibilizou 60 vagas, divididas igualmente entre os turnos da manhã e da tarde. Na prática, o aprendizado já gera impactos na percepção dos profissionais de saúde. Atuando no Pronto Atendimento da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e no faturamento do Hospital de Clínicas Doutor Alberto Lima (Hcal), a técnica em enfermagem Silvana Pantoja relata os desafios enfrentados no cotidiano hospitalar antes de se capacitar.

“Antes do curso, eu me sentia impotente ao atender um paciente surdo. Já vivenciei situações constrangedoras de não conseguir realizar o atendimento por falta de comunicação. É frustrante ver, de um lado, um paciente que precisa de ajuda e, do outro, você tentando compreendê-lo e se comunicar, mas sem capacidade para isso. Após o curso, me sinto capacitada para oferecer um atendimento com mais qualidade e compreensão. Isso é muito satisfatório, pois o objetivo do atendimento de enfermagem é acolher quem entra com uma dor e fazer com que saia sem ela, resolvendo realmente a sua situação. Sem comunicação, esse processo fica difícil. Como trabalhamos com a inclusão, esse conhecimento é de primordial importância para a nossa prática”, enfatizou a profissional da saúde.

Ao final do treinamento, todos os participantes vão receber certificados com uma carga horária total de 16 horas.

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