Semesp lança a 13ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil
- 21/06/2023
- Ensino Superior
Evento foi presencial na sede da entidade, com transmissão on-line via Zoom
Hoje, 20 de junho, às 14h, aconteceu na sede do Semesp (Rua Cipriano Barata, 2431, Ipiranga, SP), com transmissão via Zoom, a apresentação da 13ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil. O evento contou com a presença de Rodrigo Capelato, economista e diretor-executivo do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no país. O Mapa do Ensino Superior é uma publicação que reúne informações sobre o setor no Brasil, por regiões e detalhes específicos de cada estado, abrangendo instituições de ensino superior privadas e públicas. A abertura foi realizada pela presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, seguida pela apresentação dos principais dados desta edição pelo diretor-executivo, Rodrigo Capelato.
Pelo primeiro ano, o Mapa do Ensino Superior no Brasil, além dos dados de instituições de ensino superior, matrículas, ingressantes, concluintes, perfil dos alunos, programas de financiamento, cursos mais procurados e evasão, entre outros, apresenta também os Indicadores de Trajetória (Taxa de Permanência; Taxa de Conclusão Acumulada; Taxa de Desistência Acumulada), para checar os percentuais de sucesso e desistência dos alunos.
Já o capítulo especial “Cenário e Perspectivas da Área de TI no Ensino Superior” traz uma série de informações e análises sobre os cursos da área de TI, como perfil dos alunos, renda e empregabilidade, valor das mensalidades, entre outros.
Para o diretor-executivo do Semesp, “os cursos da área TIC (Tecnologia da Informação e da Comunicação) a cada dia ganham mais relevância e despertam preocupação e desafios para o mercado de trabalho em razão dos avanços tecnológicos e automação de várias funções e a consequente extinção de cargos tradicionais de trabalho”. “Por outro lado, o Mapa mostra que apesar de o progresso tecnológico significar menos empregos em funções tradicionais, essa área representa também um leque de novas possibilidades. O resultado de tudo isso é um mercado promissor, com salários mais altos do que a média, horários flexíveis, facilidade de vagas remotas, programas de treinamento e desenvolvimento e outros benefícios vantajosos, destacou Rodrigo Capelato.
Outro desafio do setor de TI é em relação à diversidade. Em 2021, apenas 16,5% das matrículas em cursos da área eram de mulheres, contra uma participação feminina de 60,7% nas demais áreas. Enquanto nas demais áreas a representatividade de alunos negros é de 8,7%, nos cursos de TI ela é de 8,1%. Estes cursos também atraem mais estudantes jovens, até 29 anos, do que as demais áreas: 70,8% contra 64,5%. “A questão é preocupante porque o prognóstico é que a área se torne uma das mais empregadoras no futuro, o que pode levar a uma exclusão de profissionais mulheres e negros, disse o diretor-executivo.
O Mapa do Ensino Superior no Brasil é uma publicação do Instituto Semesp, centro de inteligência analítica criado pelo Semesp, elaborado com base nos microdados do Censo da Educação Superior do Inep, e outras fontes como IBGE, microdados do ENEM e do PROUNI, CAGED, RAIS, Big Data Analytics, entre outros.
No anexo, segue a 13ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil na íntegra.
A publicação está sendo disponibilizada com antecedência, no entanto, o embargo para a publicação de matérias vai até as 14h de 20 de junho, quando o Mapa será oficialmente lançado em evento na sede do Semesp.
Abaixo, veja os principais os destaques do Mapa (Capítulo Brasil, páginas 8 a 48; Capítulo Especial Cenário e Perspectivas da Área de TI no Ensino Superior, páginas 50 a 90), também embargados até as 14h de 20 de junho.
Capítulo especial “Cenário e Perspectivas da Área de TI no Ensino Superior”, páginas 50 a 90.
Representatividade da área de TI em relação às demais áreas - De acordo com dados do 13º Mapa do Ensino Superior no Brasil, em 2021, os cursos de TI somavam 468 mil matrículas em todo o país, considerando as modalidades presencial e EAD, representando apenas 5,2% do total de matrículas: 4,5% do presencial e 6,3% do EAD. Somente 6,6% dos cursos presenciais ofertados no país são na área TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), contra 9,6% na modalidade EAD.
Esses números são ainda mais alarmantes se considerarmos que, nos últimos 10 anos, o aumento na participação das matrículas nesses cursos em relação ao total foi de apenas 0,6 ponto percentual (de 4,6% das matrículas em 2011 para 5,2% em 2021). Não por acaso, o Brasil ainda enfrenta escassez de mão-de-obra nas áreas de TI, especialmente porque o mercado de trabalho exige profissionais em constante atualização, com a especialização e as microcertificações sendo fatores-chave para destacar-se no mercado de trabalho.
IES que ofertam cursos na área de TI - Entre 2020 e 2021, houve queda de 1,4% no total de IES que ofertam cursos na área de TI: 2,2% na rede privada. De 2.574 IES no país, 922 ofertam cursos da área de TI, apenas 35,8% do total. Já entre as IES que ofertam cursos na área de TI, 76,5% são privadas e 23,5%, públicas. Do total de IES, apenas 31,2% das IES privadas ofertam cursos na área de TI, enquanto na rede pública esse percentual é de 69,3%.
Matrículas no Presencial área de TI- O número de matrículas em cursos presenciais na área de TI caiu 3,1% de 2020 para 2021, sendo que, na rede privada, esse decréscimo foi de 11,1%. 51,7% das matrículas presenciais estão na rede privada. Do total de matrículas presenciais, as dos cursos da área de TI representam apenas 4,5%. Uma razão para a queda das matrículas presenciais pode estar no fato de o currículo das IES não estar em conformidade com o que o mercado de trabalho demanda dos estudantes. Estes acabam buscando cursos mais rápidos e que oferecem microcertificações, o que os tornam mais preparados para as necessidades do mercado.
Matrículas no EAD área de TI - O número de matrículas em cursos EAD na área de TI saltou 45,1% de 2020 para 2021, sendo que, na rede privada, esse aumento foi de 44,6%. A rede pública registrou acréscimo de 62,0% no mesmo período. 96,4% das matrículas da modalidade estão na rede privada. Do total de matrículas
EAD, apenas 6,3% estão em cursos na área de TI. O crescimento das matrículas dos cursos da área pode representar uma forte migração dos alunos do presencial para o EAD, já que a área e o perfil dos estudantes se adequam mais facilmente ao ensino remoto.
Evasão & Indicadores de Trajetória na área de TI - Na última década, a taxa de evasão dos cursos presenciais da área de TI tem sido constantemente maior do que a dos demais cursos. Depois de alcançar um ápice de diferença de 10,4 pontos percentuais em 2016, em 2021 ela foi de 7,8 pontos percentuais na rede privada. Uma justificativa para a taxa de evasão maior do que a média pode estar no fato de o mercado de trabalho dessa área estar aquecido, absorvendo mais rapidamente os estudantes. Sem a necessidade do diploma de graduação para conseguir um emprego e sem risco à empregabilidade, os alunos acabam desistindo dos cursos e apostando em microcertificações para subir na carreira. Outra possibilidade é o alto custo das mensalidades, maior do que a média dos demais cursos. No EAD, essa diferença é historicamente menor, com um ápice de 11,8 pontos percentuais em 2016 e de apenas 1,5 ponto percentual entre 2021.
Seguindo a tendência da taxa de evasão, os cursos de TI também possuem alta taxa de desistência acumulada, partindo de uma análise com ingressantes de 2017. Essa taxa de desistência é maior não apenas em relação ao total dos demais cursos, como também a do total da rede privada.
Perfil dos Alunos da área de TI - Falta de Diversidade
Sexo alunos na área de TI - Outro desafio do setor de TI é em relação à diversidade. Em relação ao perfil dos alunos da área de TI, há uma grande discrepância de gênero em relação aos demais cursos. Apenas 16,5% das vagas desses cursos são ocupadas por mulheres, enquanto a participação feminina nas demais áreas é majoritária, 60,7%. Em 10 anos, a participação feminina nos cursos das áreas de TI cresceu apenas 0,6 ponto percentual, contra 1,8 ponto percentual nas demais áreas. A questão é preocupante porque o prognóstico é que a área se torne uma das mais empregadoras no futuro, o que pode levar a uma exclusão de profissionais mulheres.
Outros indicadores, como cor/raça dos alunos, faixa etária, turnos ou procedência do ensino médio e mesmo renda familiar, são mais similares em relação aos dos demais cursos, com algumas pequenas variações entre um indicador e outro.
Cor/Raça alunos na área de TI - Enquanto nas demais áreas a representatividade de alunos negros é de 8,7%, nos cursos de TI ela é de 8,1%. Apesar da pouca diferença entre a área de TI e os demais cursos, é importante destacar que os alunos da cor/raça preta são historicamente excluídos por questões socioeconômicas. Daí a importância de políticas públicas inclusivas e que deem acesso às minorias aos cursos da área de TI, com maior empregabilidade e salários mais altos, o que contribuiria para a diminuição de desigualdades econômicas e sociais e para o desenvolvimento do país.
Trabalho.
Trabalho & Faixa Etária na área de TI - Uma exceção é em relação ao trabalho, com apenas 21,2% (contra 38,5%, quase o dobro) de alunos sem exercer alguma função remunerada, o que é um indicador de que grande parte dos estudantes já pode estar inserida no mercado de trabalho na área de TI.
Estes cursos também atraem mais estudantes jovens, até 29 anos, do que as demais áreas. Pela própria questão da tecnologia, os cursos da área de TI são dominados pelo público mais jovem, até 29 anos de idade, concentrando cerca de 70% dos estudantes nessa faixa etária, contra 64,5% nas demais áreas. Essa característica pode ser vista inclusive na modalidade EAD, que possui um público-alvo mais velho nos demais cursos. Isso pode ser explicado pelo fato de as profissões de TI terem uma maior abertura ao trabalho remoto, o que torna os próprios cursos EAD mais aceitos tanto pelos jovens quanto pelo mercado de trabalho.
Ingresso cursos na área de TI por meio de Políticas Públicas de Ação Afirmativa e Inclusão Social - Mais uma vez, os dados mostram a necessidade do aumento ou mesmo criação de políticas públicas de ação afirmativa para aumentar o acesso de alunos de minorias ou baixa renda a esses cursos com bons prognósticos de empregabilidade.
Renda Familiar alunos da área de TI - Em virtude das mensalidades mais altas ou mesmo da necessidade de acesso à tecnologia, os cursos da área de TI possuem alunos com renda familiar maior do que a média. Isso demonstra a necessidade de políticas públicas afirmativas que facilitem o acesso a esses cursos por estudantes de baixa renda, o que pode contribuir para a redução da desigualdade social graças à alta taxa de empregabilidade e os melhores salários do setor.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Valor mensalidade cursos na área de TI x demais áreas - As mensalidades dos cursos na área de TI nas IES privadas são um pouco superiores à média dos demais cursos, tanto na modalidade presencial quanto EAD.
Empregabilidade e Renda na área de TI - Durante o período de pandemia houve um acréscimo nas contratações de profissionais da área de TI. Em 2022, no entanto, apesar do saldo ainda ser positivo, já mostrou uma tendência de redução nas admissões nessa área, caindo 13,0% no período. Além disso, considerando 40 horas semanais de trabalho, o rendimento médio de quem tem ensino superior na área de TI é 39% maior que a média do rendimento dos profissionais das demais áreas, chegando a um aumento de 288% em relação à mediana de quem tem apenas ensino médio (contra aumento de 179% das demais áreas).
Em 2021, considerando os concluintes do ensino superior, os cursos da área de TI representam 4,1% do total. Em 2022, já em relação ao mercado de trabalho, eles ocuparam 4,9% das vagas formais, o que mostra uma proporção maior de empregados do que de concluinte.
O número de empregos formais para profissionais na área de TI com ensino superior completo chegou a 625 mil em 2022. Esses números podem ser ainda maiores, considerando que a área de TI possui alto número de vagas informais, com profissionais trabalhando como pessoa jurídica, empreendedores e consultores.
O número de empregos formais para profissionais na área de TI com ensino superior completo aumentou 10,9% entre os anos de 2018 e 2022, enquanto esse indicador para outras áreas aumentou apenas 0,9% no mesmo período.
Capítulo Brasil, páginas 8 a 48.
Matrículas no Presencial e EAD, públicas e privadas - Depois de um crescimento ínfimo de apenas 0,9% no número de matrículas no período anterior, 2021 viu esse índice crescer para 3,5%, uma vitória para um setor que, inicialmente, considerou a crise sanitária um túnel sem saída.
Matrículas no EAD - Mais uma vez, como nos últimos anos, o aumento das matrículas foi vinculado ao avanço de alunos na modalidade EAD. Ainda que esse crescimento tenha sido 7,1 pontos percentuais menor do que em 2020, em 2021 ele foi de 19,7%, mesmo patamar de 2019.
Matrículas no Presencial e Taxa de Escolarização - Já as matrículas presenciais continuam caindo. Em 2021, o número de alunos na modalidade caiu 5,5% (contra 9,4% em 2020; mas ainda acima dos 3,8% de 2019). Esse índice segue preocupando o setor, já que implica na queda do número de jovens entre 18 e 24 anos ingressando em faculdades, centros universitários e universidades. Esse impacto é percebido na taxa de escolarização líquida, que insiste em seguir bem aquém dos 33% estabelecidos para 2024 pelo Plano Nacional de Educação.
Representatividade das IES Privadas - Outra estatística que se mantém firme no setor da educação superior brasileira é a predominância de instituições de ensino superior da rede privada (87,8%) e a representatividade que elas detêm no número de matrículas: 76,9% das matrículas do país estão concentradas na rede privada. Ainda que parte dessas matrículas tenham migrado dos cursos presenciais para os da modalidade EAD, com mensalidades bem mais baixas, a importância econômica do setor privado é incontestável.
Evasão & Indicadores de Trajetória - Pelo primeiro ano, o Mapa do Ensino Superior no Brasil apresenta também os Indicadores de Trajetória (Taxa de Permanência; Taxa de Conclusão Acumulada; Taxa de Desistência Acumulada), para checar os percentuais de sucesso e desistência dos alunos, especificamente dos ingressantes de 2017.
O Brasil segue com altas taxas de evasão. De acordo com os dados, a taxa de conclusão é de apenas 26,3%, com as maiores taxas de concluintes em cursos presenciais e EAD na rede privada.
Olhando especificamente o porte das IES da rede privada, o maior percentual de conclusão está nos cursos presenciais de instituições pequenas. As maiores taxas de desistência (matrículas trancadas e evasão) estão nas IES de porte gigante, com 63,2% nos cursos presenciais e 63,8% no EAD.
Cor/Raça - A rede privada registrou um aumento de 10,5 pontos percentuais de alunos da cor preta de 2011 para 2021. Na rede pública, esse crescimento foi um pouco menor, 9,9 pontos percentuais, mesmo com os avanços proporcionados pela Lei de Cotas. Na rede privada, os estudantes que se autodeclaram pretos representam 7,6%; na rede pública esse percentual é de 11,9%.
Nas IES privadas, o diferencial para o aumento de pessoas que se autodeclararam pretas e pardas, 38,2% e 31,3%, respectivamente, foi o crescimento da modalidade EAD, que têm as mensalidades mais baixas, possibilitando a entrada de alunos com menor poder aquisitivo, em faixa etária mais elevada (acima de 30 anos), no ensino superior.
Nas IES públicas, o diferencial para o aumento de pessoas que se autodeclararam pretas e pardas, 16,7% e 26,6%, respectivamente, foram as políticas sociais de acesso, por meio do Sistema de Cotas.
Faixa Etária - Na última década, a rede privada registrou uma queda de 11,1% de matrículas de alunos com até 24 anos nos cursos presenciais. Na verdade, a única faixa etária que registrou crescimento no número de matrículas na modalidade foi a de alunos acima de 60 anos, com aumento de 15,6%. No EAD, todas as faixas etárias tiveram aumento expressivo nas matrículas na última década. A representatividade dos alunos da faixa etária até 24 anos, no entanto, cresceu em ambas as modalidades na rede privada: 5,5 pontos percentuais nos cursos presenciais e 5,9 pontos percentuais no EAD.
Fies/Prouni - O acesso ao ensino superior segue prejudicado com mais um ano de queda no número de estudantes contemplados com programas de financiamento oferecidos por governos e pelas próprias IES. O FIES caiu mais 0,3 ponto percentual em relação ao período anterior. A queda do financiamento das próprias IES foi no mesmo patamar. O Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) 2023 terá 112 mil vagas disponíveis para todo o ano de 2023. Apesar das 110 mil vagas disponíveis em 2022, apenas 51 mil foram preenchidas, 45,5% do total.
O Programa Universidade para Todos (ProUni) do Ministério da Educação oferece bolsas de estudo, integrais e parciais (50%), em instituições particulares de educação superior. No primeiro semestre de 2023, 291 mil bolsas foram ofertadas em 14.346 cursos de graduação de 995 instituições privadas de ensino superior em todos os Estados e no Distrito Federal.
