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EDUCAÇÃO

Alunas transformam sítio arqueológico de Calçoene em modelo 3D e levam patrimônio amapaense para dentro da escola em Porto Grande

Projeto de iniciação científica da Escola Estadual Elias de Freitas Trajano de Souza utiliza arqueologia, astronomia e tecnologia para aproximar estudantes da história e cultura do Amapá.

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Breno Pantoja 20/06/2026 às 00:00
Alunas transformam sítio arqueológico de Calçoene em modelo 3D e levam patrimônio amapaense para dentro da escola em Porto Grande
Divulgação/Evandro Barros

O que antes parecia distante da realidade escolar, agora pode ser observado, estudado e até tocado pelas mãos dos estudantes. Na Escola Estadual Elias de Freitas Trajano de Souza, em Porto Grande, três alunas do 9º ano participam de um projeto de iniciação científica que está transformando o sítio megalítico de Calçoene em um modelo tridimensional impresso, permitindo que um dos mais importantes patrimônios arqueológicos da Amazônia seja explorado dentro da sala de aula.

As estudantes Ana Vitória Freitas do Carmo, Julia Maria Almeida Nogueira e Maria Luiza dos Santos Cunha integram o projeto "Arqueologia na prática: reconstruindo o sítio megalítico de Calçoene com impressão 3D", desenvolvido sob a coordenação do professor de História Evandro Barros.

A iniciativa foi uma das dez selecionadas em edital de incentivo à iniciação científica, da Secretaria de Estado da Educação (Seed), pela qual busca integrar conhecimentos de arqueologia, georreferenciamento, astronomia e tecnologias educacionais para fortalecer o pensamento científico dos estudantes e valorizar o patrimônio cultural amapaense.

Segundo o coordenador do projeto, a proposta nasceu a partir das experiências desenvolvidas na eletiva de sítios arqueológicos da escola, onde os estudantes já realizavam atividades de educação patrimonial e inventário cultural.

"No ano passado desenvolvemos o projeto 'Na Trilha do Tesouro Cultural', que permitiu aos estudantes conhecerem, registrarem e valorizarem referências culturais do município. O trabalho teve um impacto concreto para a preservação da memória local e contribuiu para o reconhecimento do Festival do Abacaxi como patrimônio cultural de Porto Grande, por meio de legislação municipal. A partir dessa experiência, surgiu a ideia de ampliar esse trabalho e aproximar os alunos do patrimônio arqueológico do estado utilizando novas tecnologias", explicou Evandro Barros.

Da pesquisa de campo à impressão 3D

Uma das etapas fundamentais do projeto ocorreu no dia 11 de maio, quando professores realizaram uma visita técnica ao sítio megalítico de Calçoene para produzir o material fotográfico necessário à modelagem digital da área.

A atividade contou com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Núcleo de Arqueologia do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (NuParq/Iepa).

Durante a visita, foram registradas dezenas de imagens das estruturas arqueológicas. Posteriormente, o material foi processado em programas de fotogrametria capazes de transformar sequências fotográficas em modelos tridimensionais digitais.

"Fomos ao sítio arqueológico, realizamos as fotografias e utilizamos um software que faz a junção dessas imagens para gerar um arquivo em 3D. A partir desse arquivo conseguimos produzir o primeiro protótipo do monumento", explicou o professor.

O primeiro modelo impresso foi produzido com apoio do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), pelo qual o grupo recebeu suporte técnico para ajustes e testes da impressão.

Experiência científica e valorização da cultura

Como parte da formação, as estudantes também participaram de uma programação educativa em Macapá, visitando o Núcleo de Arqueologia do Iepa, o Núcleo de Tecnologia Educacional, o Museu Fortaleza de São José de Macapá, o Museu Sacaca e o Parque Residência.

As visitas possibilitaram contato direto com pesquisadores, equipamentos tecnológicos e espaços dedicados à preservação da memória histórica e cultural do estado.

Para a estudante Ana Vitória Freitas do Carmo, participar da pesquisa tem ampliado o conhecimento sobre a história do Amapá e mostrado como a tecnologia pode ser uma aliada da educação e da preservação cultural.

"Nosso objetivo é trazer o sítio arqueológico megalítico de Calçoene para dentro da sala de aula por meio da tecnologia. Assim, os alunos conseguem observar com mais detalhes a estrutura do monumento, sua organização e características, tornando o aprendizado mais dinâmico e acessível. Participar desse projeto tem sido uma experiência muito importante, porque estou conhecendo melhor a história do megalítico de Calçoene e compreendendo sua relevância para a arqueologia e para a ciência. Também estou percebendo como a tecnologia pode ser utilizada como ferramenta de educação e preservação cultural. Isso me faz valorizar ainda mais o patrimônio histórico do nosso estado e entender a importância de preservar e divulgar esse conhecimento para as futuras gerações", destacou a estudante.

Ana Vitória ressalta ainda que a reprodução tridimensional do monumento oferece uma forma inovadora de aproximar os estudantes de um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil, despertando o interesse pela pesquisa científica e pela história amazônica.

Além da reprodução física do sítio arqueológico, o projeto prevê a construção de uma maquete didática e atividades de observação astronômica para compreender possíveis relações entre o monumento e fenômenos naturais.

Estudos apontam que determinadas estruturas do sítio apresentam alinhamentos associados ao movimento do Sol, especialmente durante o solstício de verão, quando o astro nasce alinhado a uma das pedras principais do monumento.

"Queremos que os alunos entendam não apenas a estrutura física do sítio, mas também sua relação com a observação do céu e os conhecimentos desenvolvidos pelos povos que viveram naquela região há séculos", destacou Barros.

Ciência para preservar a história

A expectativa é que o modelo tridimensional e a maquete sejam utilizados como materiais didáticos permanentes na escola e apresentados em eventos científicos, como a Feira de Ciências e Engenharia do Estado do Amapá (Feceap).

O projeto também pretende abrir caminho para a reprodução de outros patrimônios históricos do estado por meio da impressão 3D, ampliando as possibilidades de ensino e preservação cultural.

Ao unir tecnologia, arqueologia e educação, a iniciativa transforma a escola em um espaço de investigação científica e fortalece o protagonismo estudantil, aproximando as novas gerações da história e da identidade cultural do Amapá.

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