O peso da caneta
- Rosildo Barcellos
- 20/04/2026
- Artigo
A obesidade pode ser definida, de forma simplificada, como doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, sendo consequência do balanço energético positivo e que acarreta repercussões à saúde, com perda na qualidade de vida. A etiologia da obesidade é complexa, multifatorial, resultando da interação de genes, ambiente, estilos de vida e fatores emocionais. Há três componentes primários no sistema neuroendócrino envolvidos com a obesidade: o sistema aferente, que envolve a leptina e outros sinais de saciedade e de apetite de curto prazo; a unidade de processamento do sistema nervoso central; e o sistema eferente, um complexo de apetite, saciedade e efetores autonômicos termogênicos que leva ao estoque energético. Para identificar e classificar o sobrepeso em pessoas adultas, uma das recomendações adotadas pela Organização Mundial de Saúde tem sido o Índice de Massa Corporal. O IMC é uma razão simples entre a massa corporal e a altura, classificando em sobrepeso um IMC de 25 a 29,9 kg/m² e em obesidade um IMC acima de 30 kg/m².
Mudanças comportamentais, a diminuição do número de refeições realizadas em casa e o aumento compensatório da alimentação em redes de “fast food” levam ao aumento do conteúdo calórico de cada refeição. A população está aumentando o consumo de alimentos agradáveis ao paladar, com alta densidade calórica, baixo poder sacietógeno e de fácil absorção. A obesidade decorrente da ingestão de dietas hipercalóricas contribui para o desenvolvimento de uma desordem multifatorial de alta prevalência, que se manifesta por anormalidades fisiológicas e bioquímicas, caracterizada por resistência à insulina, obesidade visceral, elevação da pressão arterial e dislipidemia aterogênica (elevação dos triglicérides e redução nos níveis de lipoproteínas de alta densidade/colesterol), como também outras anormalidades, como disfunção endotelial e doenças cardiovasculares.
Urge ressaltar que todo medicamento, por mais inofensivo que possa parecer, pode acarretar em um malefício. O uso de medicação exige cautela, como exemplo a superdosagem da metformina no tratamento para emagrecer, que leva a um acúmulo de ácido lático e diminuição do pH no corpo, desencadeando a acidose lática, e isso pode levar o indivíduo a sérios problemas.
As pessoas estão mais sedentas em busca de emagrecimento do que esclarecimento. Sendo assim, é imprescindível que mais estudos sejam realizados. Ressalto ainda que pessoas que utilizam canetas emagrecedoras como Mounjaro e Wegovy devem estar atentas à possibilidade real de desenvolvimento de pancreatite aguda, segundo alerta da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido, órgão equivalente à Anvisa no Brasil.
A MHRA, neste mais recente período, recebeu 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso desses medicamentos no país. Os registros incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante, forma grave da doença caracterizada pela morte de tecido pancreático. No mesmo momento, mais de 25 milhões de embalagens de medicamentos da classe GLP-1 foram distribuídas no Reino Unido.
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Conhecidos por marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, esses medicamentos injetáveis imitam o hormônio GLP-1, liberado após a alimentação, que ajuda a controlar o apetite e prolongar a sensação de saciedade. O Mounjaro também atua sobre o hormônio GIP, ampliando seus efeitos metabólicos. De acordo com a Anvisa, Instrução Normativa nº 360/2025 e a RDC nº 973/2025, as canetas de medicamentos só podem ser utilizadas sob prescrição, com retenção obrigatória da receita na farmácia. É uma escolha a ser feita com critério e sob estreita orientação. Tenho visto resultados, carentes de suor... mas pergunto: a que preço?
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