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Evandro Vilhena/Seed
Educação científica ganha destaque na 7ª MoCiCuT com projetos inovadores de estudantes da rede estadual, promovida pelo Governo do Amapá
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Educação científica ganha destaque na 7ª MoCiCuT com projetos inovadores de estudantes da rede estadual, promovida pelo Governo do Amapá

  • Breno Pantoja
  • 17/06/2026
  • PROJETOS CIENTÍFICOS
Mostra Científica, Cultural e de Tecnologia do Amapá reúne 61 projetos homologados e evidencia protagonismo juvenil, sustentabilidade e valorização dos saberes amazônicos.


A busca por soluções para desafios ambientais, energéticos e sociais tem mobilizado estudantes da rede pública estadual durante a 7ª edição da Mostra Científica, Cultural e de Tecnologia do Amapá (MoCiCuT-AP), realizada na Escola Estadual Maria do Carmo Viana dos Anjos, no bairro Jardim Felicidade, em Macapá. Com apoio do Governo do Amapá, o evento reúne 61 projetos homologados para exposição e avaliação, desenvolvidos por alunos da educação básica em diferentes áreas do conhecimento. A feira científica iniciou nesta quarta-feira, 17 e vai até sexta-feira, 19.

A programação fortalece a cultura científica nas escolas estaduais ao incentivar a pesquisa, a inovação e o protagonismo juvenil. Os trabalhos abordam temas relacionados ao meio ambiente, à saúde, à engenharia, à educação, aos povos tradicionais e à sustentabilidade, sempre conectados à realidade amazônica e à temática central da edição de 2026: o Rio Amazonas e sua importância para a vida no estado.

A coordenadora-geral da MoCiCuT, professora Sara Daliane Pereira Alves, destacou que a mostra se consolidou como um espaço de valorização da ciência produzida pelos estudantes.

“É muito gratificante receber cada um desses projetos e ver os estudantes expondo e falando da importância das suas pesquisas. A temática deste ano é o Rio Amazonas, justamente para valorizar sua importância para o povo do Amapá, que é banhado por esse rio. Nosso objetivo é popularizar a ciência dentro da escola e ampliar cada vez mais a participação dos estudantes”, ressaltou a coordenadora.

Segundo Sara Alves, a edição iniciou com 68 projetos inscritos, dos quais 61 concluíram o processo de credenciamento e seguem na fase de exposição e avaliação. A expectativa é ampliar ainda mais a participação de estudantes e escolas nas próximas edições.

Soluções sustentáveis desenvolvidas por estudantes

Entre os projetos apresentados está “Energia da Água: Gerando Luz com Microhidráulica Caseira”, desenvolvido pelas estudantes Marya Eduarda, Diocina Pinto e Joaquina Ardasse, sob orientação do professor Douglas Bezerra.

A proposta consiste na instalação de uma microturbina em sistemas hidráulicos residenciais para aproveitar a queda da água e transformá-la em energia elétrica sustentável.

“Pensamos em uma alternativa para ajudar a diminuir o consumo de energia nas residências. A energia gerada pela queda da água pode alimentar lâmpadas e pequenos equipamentos, dependendo da estrutura instalada. É uma forma sustentável e acessível de produzir energia dentro da própria casa”, explicou Marya Eduarda, de 17 anos.

Outro trabalho que chamou atenção foi “Perder ou Transformar? Do Descarte à Economia”, desenvolvido pelas estudantes Ana Vitória, Aysha Iasmim e Eloisa Meliane, orientadas pelo professor Alessandro Corrêa e com coorientação da professora Sara Alves.

O projeto incentiva a reutilização de sacolas plásticas descartadas, transformando o material em produtos como bolsas, tapetes, capas de cadernos e bijuterias, promovendo geração de renda e redução dos impactos ambientais.

“Os plásticos estão entre os resíduos mais encontrados no Rio Amazonas. Nosso projeto busca mostrar para a comunidade que esse material pode ser reaproveitado de diversas formas, ajudando o meio ambiente e ainda gerando renda para as famílias”, destacou Ana Vitória.

Bioinseticida amazônico como alternativa aos agrotóxicos

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Também entre os destaques da mostra está o projeto “Bioinseticida a partir da pimenta-de-macaco (Xylopia aromatica) como alternativa sustentável para o manejo de pragas regionais”, desenvolvido pelo estudante Carlos Henrique Ramos Ramalho, de 18 anos, que participa da MoCiCuT pela quarta vez.

A pesquisa investiga o potencial bioinseticida da planta conhecida regionalmente como imbiriba, visando oferecer uma alternativa sustentável aos pesticidas sintéticos utilizados na agricultura.

Segundo Carlos, a iniciativa surgiu a partir da observação dos impactos causados pelo uso excessivo de agroquímicos na produção agrícola e na saúde das pessoas.

“Identificamos que os pesticidas sintéticos representam riscos tanto para quem produz quanto para quem consome os alimentos. A proposta é apresentar uma alternativa sustentável, biodegradável e acessível aos agricultores, utilizando compostos naturais presentes na pimenta-de-macaco para o controle de insetos-praga”, explicou o estudante.

A pesquisa apontou potencial para o combate a pragas como pulgões, moscas-brancas e outros organismos que afetam plantações, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis na região amazônica.

Ciência, inovação e inclusão marcam a programação da MoCiCuT 2026

A 7ª edição da MoCiCuT reúne 68 projetos inscritos, distribuídos em oito áreas do conhecimento: Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Engenharias e Linguagens. Os trabalhos foram desenvolvidos por estudantes do Ensino Fundamental II, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Atendimento Educacional Especializado (AEE), fortalecendo a inclusão e a democratização do acesso à pesquisa científica.

Com expectativa de envolver cerca de 500 visitantes por turno e aproximadamente 260 participantes diretos entre estudantes e orientadores, a mostra também promove oficinas, palestras e atividades de divulgação científica voltadas à comunidade escolar e ao público externo.

Além da exposição e avaliação dos trabalhos, a MoCiCuT conta com um sistema de premiação que reconhece os melhores projetos em cada categoria. No Ensino Médio, os estudantes concorrem a troféus para os primeiros colocados das oito áreas de conhecimento, além de medalhas e certificados para os três melhores projetos de cada área. Também há premiações específicas para os participantes do Ensino Fundamental II, EJA e AEE, valorizando o esforço e a produção científica em todos os níveis da educação básica.

Integrada ao catálogo nacional de feiras científicas e filiada a eventos de referência no Brasil, a mostra amplia as oportunidades para que projetos de destaque conquistem credenciais e representem o Amapá em eventos científicos estaduais, nacionais e internacionais, fortalecendo o protagonismo estudantil e a popularização da ciência na Amazônia.

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