Amapá investe R$ 4,7 milhões para salvar a mandioca indígena ameaçada por praga no Oiapoque
- 17/06/2025
- Resiliência
Governo estadual, em parceria com o MDA, MDS e Anater, lança programa pioneiro de assistência técnica para 400 famílias indígenas afetadas pela “vassoura-de-bruxa”.
A mandioca, base da alimentação e da cultura indígena no Oiapoque, enfrenta uma ameaça invisível: o fungo “vassoura-de-bruxa”. Para enfrentar essa crise, o Governo do Amapá anunciou um investimento de R$ 4,7 milhões em um programa emergencial de apoio técnico e rural. A iniciativa busca garantir a recuperação da produção, e também preservar a cultura e a segurança alimentar das comunidades afetadas.
Com apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Desenvolvimento Social (MDS) e da Anater, o projeto atenderá de forma direta 400 famílias indígenas com assistência técnica e fomento de R$ 4,6 mil por núcleo familiar. Os recursos, provenientes de emendas parlamentares e de programas federais, serão executados pelo Instituto Rurap e visam conter o avanço da praga, recuperar as lavouras e fortalecer a comercialização dos produtos agrícolas das aldeias.
A doença, causada por um fungo ainda em estudo por instituições especializadas, tem devastado plantações e afetado diretamente a subsistência das aldeias. Segundo o cacique Gilmar Nunes, da Aldeia Uarrá, a mandioca não é apenas alimento, mas símbolo de identidade, economia e tradição indígena. A ausência de uma cura imediata reforça a importância de ações emergenciais para mitigar os impactos e garantir segurança alimentar.
Batizado de ATER Socioambiental, o projeto é uma iniciativa conjunta com o Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) e se destaca como modelo inédito no Brasil. A estratégia inclui desde a formação de agentes indígenas até o fornecimento de alimentos não contaminados e a criação de barreiras sanitárias para impedir a disseminação da praga entre aldeias.
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Além do repasse financeiro, o projeto promove orientações práticas para o cultivo seguro: uso de sementes resistentes, roçados em áreas livres da praga e proibição do compartilhamento de mudas contaminadas. Em paralelo, iniciativas como o programa Amapá Sem Fome e parcerias internacionais, como a comercialização com a Guiana Francesa, reforçam a sustentabilidade das comunidades no longo prazo.
A luta dos povos indígenas do Oiapoque pela preservação de sua base alimentar ganha agora um importante reforço institucional. Mas e você, leitor: conhecia os impactos de uma praga invisível sobre culturas tradicionais? Que outras ações poderiam fortalecer a agricultura indígena? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a ampliar esse debate essencial!
