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Tarifaço(25%): 8 especialistas alertam para custo de US$ 3,75 bilhões em sobretaxas
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Tarifaço(25%): 8 especialistas alertam para custo de US$ 3,75 bilhões em sobretaxas

  • Gueratto Press
  • 16/07/2026
  • Tarifaço
"O impacto agregado tende a ser moderado, mas empresas expostas deverão rever margens, contratos e necessidade de capital de giro", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.


“O impacto da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre a economia brasileira deverá ser limitado, com estimativas de impacto real apontando para um recuo de apenas 0,1% a 0,2% no PIB. Esse dano é contido porque setores de peso, como o agronegócio e a aviação, foram isentos da medida, restringindo o alvo aos manufaturados, que somam cerca de US$ 15 bilhões. O maior risco, no entanto, recai sobre a política monetária: a redução nas exportações tende a fortalecer o dólar, gerando pressões inflacionárias que dificultam cortes na taxa Selic pelo Copom. Na Bolsa, esse cenário cria uma divisão clara de mercado. Saem ganhando as empresas com fábricas nos EUA, que se beneficiam de proteção cambial, além dos setores isentos de carnes e aviação. Por outro lado, perdem as exportadoras de manufaturados e, de forma indireta, setores como o varejo e a construção civil, que acabam sendo vítimas da manutenção da Selic em patamares elevados. Apesar das mudanças, a reação geral do mercado ocorreu sem pânico, visto que a medida já estava precificada pelos investidores. O dólar e o Ibovespa seguem estáveis, o que, contudo, não impede eventuais correções de curto prazo em ativos da bolsa e nos vértices de juros”, Cassio Viana de Jesus, Diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital.

“O efeito das tarifas sobre o mercado nesta quinta-feira deve aparecer menos como um choque uniforme e mais como uma revisão das expectativas de receita, margem e necessidade de capital de giro das empresas exportadoras. Parte da reação negativa já estava precificada porque a investigação americana durou cerca de um ano e a cobrança de 25% vinha sendo discutida. Ainda assim, a confirmação da medida aumenta a necessidade de planejamento financeiro nos setores atingidos. Em uma economia global de crescimento moderado, juros elevados e disputas comerciais recorrentes, crédito bem estruturado torna-se uma ferramenta de adaptação. A análise deverá considerar a exposição real de cada empresa, porque uma tarifa setorial não afeta da mesma maneira negócios com contratos em dólar, receitas diversificadas e capacidade de oferecer garantias”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

“O mercado deve reagir com cautela a essa decisão, mas sem um movimento de forte surpresa, já que a possibilidade de novas tarifas vinha sendo discutida há semanas. A leitura inicial tende a ser negativa para segmentos industriais mais dependentes das exportações para os Estados Unidos, especialmente aqueles que não foram contemplados pelas exceções anunciadas. Por outro lado, o impacto agregado sobre a economia e sobre a bolsa brasileira tende a ser mais moderado do que o inicialmente temido. Isso porque parte importante da pauta exportadora do país permaneceu preservada, reduzindo o risco de um choque amplo sobre as receitas externas. O principal efeito para os investidores talvez não seja a tarifa em si, mas o aumento da incerteza. Ambientes de menor previsibilidade costumam adiar decisões de investimento, pressionar margens e elevar a necessidade de gestão de caixa”, Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike.

“A confirmação da tarifa de 25% deve elevar a volatilidade nesta quinta-feira, mas a reação tende a ser seletiva, e não uma aversão generalizada aos ativos brasileiros. O mercado já trabalhava com algum grau de retaliação comercial, portanto parte do impacto estava incorporada aos preços. A principal surpresa foi a extensão das isenções, que preservou produtos importantes da pauta exportadora, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves, celulose, minério de ferro e suco de laranja. Isso reduz o risco de uma deterioração abrupta do fluxo comercial, embora não elimine a incerteza sobre novas medidas. No cenário global, marcado pela desaceleração gradual da inflação americana, juros ainda restritivos e maior fragmentação das cadeias produtivas, investidores tendem a diferenciar empresas pela exposição efetiva aos Estados Unidos, capacidade de repassar custos e diversificação geográfica das receitas", Gustavo Assis, CEO da Asset.

"A abertura acabou sendo mais contida, contudo mais ligado ao sentimento internacional do que ao “tarifaço” por si só, já que ele era plenamente esperado pelo mercado, ou seja, não era nenhuma novidade. Uma reação deve ser moderada, já que parte desse risco vinha sendo precificada desde que o governo americano sinalizou a possibilidade de endurecimento da política comercial contra o Brasil. Os maiores impactos devem se concentrar em empresas exportadoras com maior exposição ao mercado americano, especialmente dos setores de siderurgia, metalurgia, máquinas e bens industriais. Já bancos, utilities, concessões e empresas voltadas ao mercado doméstico tendem a apresentar desempenho relativamente melhor, por terem menor sensibilidade ao comércio exterior. A partir de agora, o principal fator para os ativos brasileiros será a evolução das negociações entre os 2 governos e a possibilidade de revisão ou ampliação das medidas", Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

“A decisão dos Estados Unidos deve produzir uma reprecificação concentrada nos segmentos diretamente alcançados, enquanto o restante do mercado deverá avaliar as consequências indiretas sobre câmbio, juros, crédito e atividade econômica. Como a possibilidade de uma tarifa já vinha sendo discutida, uma parcela relevante do choque estava precificada. O que ainda precisa ser absorvido é o desenho final da medida, especialmente a diferença entre empresas efetivamente expostas e aquelas protegidas pelas exceções. A ampla lista de isenções reduz o risco sistêmico porque preserva cadeias importantes, incluindo energia, alimentos, mineração, aeronáutica, tecnologia e medicamentos. A atenção, entretanto, continuará voltada à eventual sobretaxa adicional de 12,5% e à possibilidade de resposta brasileira, fatores que podem prolongar a incerteza. Quanto maior a incerteza comercial, maior a importância de identificar corretamente a origem dos recebíveis, a concentração por setor e a capacidade de pagamento dos emissores”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

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“O primeiro ponto que o investidor precisa entender é que boa parte desse impacto já foi antecipada. O mercado não esperou o anúncio para reagir: a bolsa já vinha em queda e os juros futuros já vinham abrindo na véspera, justamente precificando essa tarifa de 25%. Por isso não há espaço para pânico generalizado hoje. E, quando se lê a letra miúda, a notícia até tem um lado de alívio, porque a lista de exceções é ampla, com mais de dois mil códigos de produtos fora da sobretaxa, e protege exatamente o que mais pesa na nossa pauta de exportação para os Estados Unidos, como café, carne bovina, minérios, suco de laranja e, na indústria, as aeronaves e peças da Embraer e os produtos farmacêuticos. Esse grupo deve reagir de forma mais tranquila, ou até positiva, por ter escapado do pior cenário. A dor fica concentrada em setores específicos que entraram na mira, como etanol, calçados, têxteis, açúcar, papel e celulose e máquinas agrícolas, e são as empresas expostas a esses segmentos que podem sofrer mais na ponta. Como a tarifa só entra em vigor em 22 de julho, há uma janela curta de ajuste. O mercado tende a reagir mais ao alívio da lista de isenções do que ao susto do número cheio de 25%, mas com câmbio e juros seguindo sensíveis enquanto não se souber se essa medida é ponto final ou apenas mais um capítulo da tensão comercial com os Estados Unidos”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“A decisão tende a produzir uma reação negativa, mas predominantemente setorial, e não necessariamente uma correção generalizada do mercado. A tarifa de 25% já vinha sendo discutida há semanas e parte desse risco já havia sido incorporada aos preços dos ativos. A lista de exceções reduz o impacto sobre segmentos relevantes da pauta exportadora brasileira e preserva parte importante da capacidade de geração de divisas do país. Os setores mais expostos continuam sendo aqueles com elevada dependência do mercado americano e menor flexibilidade para redirecionar suas exportações, como siderurgia, açúcar, madeira, máquinas e equipamentos, etanol, ferro-gusa e tabaco. Nesses segmentos, a medida pode pressionar margens, reduzir competitividade e exigir renegociação de contratos ou abertura de novos mercados. Por outro lado, setores como café, carne bovina, suco de laranja, energia e aviação tendem a apresentar maior resiliência em razão das isenções anunciadas. Para o mercado de crédito, o efeito tende a ser mais qualitativo do que quantitativo. Não esperamos uma retração generalizada da oferta de crédito, mas uma reprecificação do risco. Empresas mais expostas às tarifas, com margens pressionadas, maior alavancagem ou elevada dependência de capital de giro podem enfrentar maior seletividade e custo de financiamento. Em contrapartida, companhias com receitas diversificadas, geração de caixa consistente, contratos de longo prazo e boa governança tendem a preservar melhores condições de acesso ao crédito, mesmo em um ambiente de maior incerteza. O principal fator que o mercado acompanhará daqui para frente não será apenas a tarifa em si, mas a capacidade das empresas de adaptar suas cadeias comerciais, diversificar mercados e preservar rentabilidade. É essa capacidade de adaptação que deve definir quais companhias sairão mais fortalecidas desse novo cenário”, Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset.

“O tarifaço ocorre em um cenário global de crescimento mais lento, juros elevados e maior fragmentação do comércio internacional. Nesta quinta-feira, pode haver pressão sobre os setores diretamente tarifados, mas parte do efeito já estava precificada e a lista de exceções reduz o risco de um choque generalizado. Máquinas, equipamentos e manufaturados podem reagir pior, enquanto petróleo, café, carne, aeronaves e minerais tendem a mostrar maior resiliência. Para o investidor, o episódio reforça a importância de diversificar entre países, moedas, setores e ETFs, sem depender de uma única economia”, Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações.

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