O Governo do Amapá apresentou, na noite desta sexta-feira, 14, na Expofeira 2026, o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais do Estado do Amapá (PPCDAP 2026–2030). O instrumento reúne estratégias de monitoramento, prevenção, fiscalização e combate aos impactos do período de estiagem.
A apresentação ocorreu durante a primeira reunião do Comitê Técnico e considera dados e previsões meteorológicas para orientar as ações em campo. O plano também incorpora cenários climáticos futuros e estabelece como áreas prioritárias os municípios de Tartarugalzinho, Amapá, Calçoene, Mazagão e Laranjal do Jari.
Entre os indicadores observados nos últimos anos está a redução de 62,9% nos focos de calor entre 2023 e 2025, que passaram de 2.552 para 948 registros. Em 2025, o estado também apresentou redução de 45,7% no desmatamento em comparação com o ano anterior.
A preparação para o período de estiagem envolve acompanhamento por imagens de satélite, análise de dados climáticos, fiscalização ambiental, ações de educação ambiental e articulação entre órgãos públicos.
Na atuação em áreas protegidas, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) ampliou o efetivo em campo com a contratação de guarda-parques, fortalecendo o acompanhamento preventivo nesses territórios.
A Coordenadoria de Monitoramento e a Sala de Situação acompanham informações como focos de calor, condições meteorológicas, previsão de precipitação e alterações ambientais. Os dados são utilizados para identificar áreas de maior atenção e orientar o planejamento das equipes conforme as características de cada região.
Mais equipes e presença nos municípios
Com a chegada do período do verão, as atividades de campo são ampliadas para fortalecer ações de fiscalização, orientação, monitoramento e atendimento às ocorrências ambientais.
O trabalho reúne equipes técnicas dos órgãos parceiros, que atuam de forma integrada na linha de frente identificando áreas de risco e na organização das respostas necessárias para cada situação. A atuação preventiva também inclui mobilização comunitária, educação ambiental e capacitação de pessoas que vivem e trabalham nos territórios.
Para a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taisa Mendonça, o planejamento antecipado contribui para uma resposta mais eficiente durante o período de estiagem.
“Estamos reforçando as equipes e o monitoramento para agir antes que os riscos se transformem em ocorrências. A preparação envolve tanto a estrutura disponível quanto a participação das comunidades. A prevenção começa com informação, planejamento e presença em campo, principalmente nos municípios prioritários”, destacou Taisa.Dados orientam decisões ambientais
O monitoramento é uma das principais ferramentas utilizadas para acompanhar as mudanças nas condições ambientais durante a estiagem. As equipes analisam informações sobre focos de calor, imagens de satélite, previsão climática e outros indicadores que ajudam na tomada de decisões.
O diretor de Desenvolvimento Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Marcos Almeida, explica que o uso de tecnologia e dados contribui para antecipar cenários de risco.
“Hoje, conseguimos acompanhar cenários de risco por meio do monitoramento climático, dos focos de calor, da análise de imagens de satélite, dos modelos de previsão de precipitação por município e da integração entre os órgãos. Essas informações permitem direcionar as ações antes que situações mais graves ocorram, fortalecendo a capacidade de resposta e a preparação das comunidades”, afirmou Marcos.
A integração dessas informações permite acompanhar as diferenças entre os municípios e direcionar esforços para as áreas que apresentam maior necessidade de atenção.
Indicadores ambientais apontam redução de riscos
As ações de acompanhamento e controle ambiental fazem parte de uma estratégia construída desde 2023 para fortalecer a atuação diante dos desafios relacionados às mudanças climáticas.
Os dados mostram que o número de focos de calor no Amapá caiu de 2.552 registros, em 2023, para 948, em 2025, representando uma redução acumulada de 62,9%.
No mesmo período, o desmatamento apresentou redução de 45,7% em 2025, em comparação com 2024, mantendo o Amapá entre os estados com menores taxas de desmatamento da Amazônia Legal.
As ações também envolvem atividades de sensibilização ambiental junto às comunidades. Em 2025, mais de 21 mil pessoas participaram ou foram alcançadas por iniciativas de educação ambiental, mobilização e prevenção realizadas em diferentes municípios.
Planejamento e políticas públicas
A preparação para a estiagem integra ações relacionadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e ao fortalecimento da gestão ambiental no estado.
Entre as iniciativas estão a implementação da Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, o Comitê Interinstitucional de Prevenção e Combate à Estiagem e aos Incêndios Florestais, a atualização do Plano de Prevenção, PPCDAP que foi lançado, além da elaboração do Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas e do Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (PEMIF).
O estado também participa do AdaptaCidades, iniciativa voltada à preparação dos territórios para os efeitos das mudanças climáticas, com adesão de dez municípios amapaenses.
Para os próximos períodos, estão previstas ações como fortalecimento das brigadas municipais e comunitárias, ampliação do monitoramento climático e ambiental, continuidade das atividades de educação ambiental e apoio técnico aos municípios na construção de estratégias locais de adaptação.
Com o início do verão amazônico, o acompanhamento das condições ambientais na Sala.de Situação da Sema passa a ser ainda mais importante para identificar riscos, ampliar a capacidade de resposta e reduzir possíveis impactos sobre as comunidades, as florestas e os recursos naturais do Amapá.
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