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Povos da Amazônia Negra ganham destaque com delegação do Amapá na COP30
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Povos da Amazônia Negra ganham destaque com delegação do Amapá na COP30

Reunindo 20 quilombolas e 25 indígenas, o Amapá protagoniza uma participação histórica na COP30, levando ao maior evento climático do planeta a força cultural, social e ambiental dos povos que mantêm a floresta em pé.


Pela primeira vez, o Amapá leva à COP30 uma delegação com representatividade de povos tradicionais. São 20 quilombolas e 25 indígenas que integram a equipe oficial do estado no maior evento sobre clima do mundo. A manhã desta quarta-feira, 12, foi marcada por manifestações culturais, com apresentações de marabaixo e turé - o canto da mandioca - no estande amapaense.

Apresentação de turé destaca a força e a tradição dos povos indígenas do Amapá na COP30
Apresentação de turé destaca a força e a tradição dos povos indígenas do Amapá na COP30
Foto: Max Renê/GEA
Marabaixo leva a cultura e a ancestralidade negra do Amapá à COP30
Marabaixo leva a cultura e a ancestralidade negra do Amapá à COP30
Foto: Max Renê/GEA

Também contou com uma roda de conversa sobre Justiça Climática, que abordou formas de preservar os saberes tradicionais aliados ao desenvolvimento social e à manutenção da floresta em pé. O diálogo reuniu o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o presidente do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque, Edmilson dos Santos, além de representantes da sociedade civil organizada.

Roda de conversa sobre Justiça Climática reuniu o ministro Waldez Góes, lideranças indígenas e quilombolas para discutir saberes tradicionais e desenvolvimento sustentável
Roda de conversa sobre Justiça Climática reuniu o ministro Waldez Góes, lideranças indígenas e quilombolas para discutir saberes tradicionais e desenvolvimento sustentável
Foto: Max Renê/GEA

"Amapá chegou "negritando" e mostrando o porquê nós somos a Amazônia Negra. E se ela é negra, nessa COP, nós precisamos falar de justiça climática, debater essas mudanças climáticas a partir da sua realidade, porque são esses povos que mantém a floresta em pé e eles são o caminho para a solução dos problemas", falou a diretora-presidente da Fundação da Igualdade Racial, Josilana Santos.

Diretora-presidente da Fundação de Igualdade Racial, Josilana Santos
Diretora-presidente da Fundação de Igualdade Racial, Josilana Santos
Foto: Max Renê/GEA

Daniel Ramos, de 30 anos, morador do Quilombo do Curiaú, cresceu envolvido com o marabaixo e o batuque, tradições que moldaram sua identidade e atuação no movimento negro. Ele compartilhou esse protagonismo, sendo porta-voz dos “ladrões” do marabaixo entoados no Amapá para o mundo.

"Tenho orgulho de vir falar das comunidades pretas, das comunidades quilombolas, da nossa maior e mais autêntica manifestação cultural, o Marabaixo do Estado do Amapá - hoje patrimônio imaterial do Brasil. Isso não tem preço, e é por isso que estamos aqui para falar na COP30”, afirmou Ramos.

Daniel Ramos, quilombola do Curiaú
Daniel Ramos, quilombola do Curiaú
Foto: Max Renê/GEA

Protagonismo na agenda climática

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Na delegação, quatro povos indígenas do Amapá marcam presença no encontro: Karipuna, Galibi-Marworno, Kalinã e Palikur, representantes das regiões do Oiapoque e do Tumucumaque. Juntos, eles levam à COP30 suas experiências, saberes tradicionais e perspectivas sobre o papel dos povos originários na preservação da Amazônia e no enfrentamento das mudanças climáticas.

"Esse espaço reafirma o compromisso do governador Clécio Luís com a pauta indígena e ambiental, ao garantir a participação de representantes que poderão retornar aos seus territórios levando esse discurso, esse protagonismo e esse momento de diálogo e fortalecimento. É também uma oportunidade de projetar novos avanços para o meio ambiente e para o nosso Amapá”, destacou a secretária dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará, Sônia Jeanjacque.

Secretária dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará, Sônia Jeanjacque
Secretária dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará, Sônia Jeanjacque
Foto: Max Renê/GEA

Para Jaizinho Monteiro, do povo Galibi, o momento foi muito especial. Ele destacou que a delegação apresentou suas reivindicações e conhecimentos ancestrais relacionados à justiça climática, reforçando a importância de proteger os territórios indígenas, valorizar as tradições e fortalecer o protagonismo dos povos da floresta nas discussões globais sobre o clima.

"Falamos sobre nossos territórios, o que nos afeta, o que nos ajuda e o que precisamos para proteger nossas terras diante das mudanças do clima. A população da floresta e das águas tem um papel muito importante. Juntos, podemos fortalecer, contribuir e mostrar ao mundo que somos a voz e o resultado da mudança climática”, afirmou Monteiro.

Jaizinho Monteiro, indígena Galibi
Jaizinho Monteiro, indígena Galibi
Foto: Max Renê/GEA

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