"Eu estou achando lindo. Eu estava com uma saudade. Tem gostinho de infância para mim." Foi com essa lembrança que Bruno Leonardo Canuto, de 38 anos, descreveu o reencontro com a Expofeira. Nesta terça-feira, 11, ele voltou ao Parque de Exposições da Fazendinha acompanhado por profissionais e outros usuários do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Gentileza. Desta vez, a experiência foi diferente das anteriores, quando frequentava o espaço com a família.
A visita fez parte de uma atividade do serviço que levou cerca de 52 usuários para conhecer a programação da Expofeira, interagir com o público e ocupar um espaço tradicional da cidade. A iniciativa integra as estratégias de cuidado em saúde mental e busca estimular a autonomia, a convivência social e a participação dos usuários em atividades realizadas fora do ambiente do Caps.
A visita fez parte de uma atividade do serviço que levou cerca de 52 usuários para conhecer a programação da Expofeira, interagir com o público e ocupar um espaço tradicional da cidade
Para Bruno, que frequenta o serviço há dez anos, sair do espaço de atendimento e participar de atividades na comunidade também faz parte do processo terapêutico.
"Eu tenho 10 anos de Caps e todos esses movimentos extramuros são muito importantes para cada paciente. Qualquer passeio, como o Bioparque ou a Expofeira, é muito proveitoso para a nossa saúde mental", contou.
Bruno participa de terapias e outras atividades previstas em seu acompanhamento na insitutiçlão, diariamente. Para ele, estar em diferentes espaços da cidade ajuda a ampliar as experiências e a fortalecer os vínculos sociais.
"Tudo o que a gente faz como paciente é terapêutico. Quando a gente sai fora do CAPS, a gente está vivendo a vida. O objetivo não é que a gente fique preso em um ambiente cheio de regras. É que a gente volte à sociedade, que venha para a Expofeira, que vá para um Bioparque, para as praças, para qualquer lugar", explicou.
A iniciativa reforça uma das diretrizes do cuidado em saúde mental: promover a autonomia e fortalecer os vínculos sociais, familiares e comunitários
Enquanto caminhava pelo parque, Bruno ainda descobria a estrutura da Expofeira. Entre os espaços e atrações, a experiência também despertou lembranças de outras épocas, quando ele frequentava o evento ainda criança, acompanhado pela família.
Voltar ao mesmo lugar em todos esses anos, trouxe de volta memórias que estavam guardadas há mais de duas décadas. Bruno lembra das primeiras vezes em que esteve na Expofeira, no início dos anos 2000, quando o evento fazia parte dos passeios em família.
"Eu ia quando era criança, lá para 2001, 2002. Depois que voltou, essa é a primeira vez que eu estou vindo", lembrou.
O espaço conhecido da infância passou a fazer parte de uma nova experiência, marcada, agora, pela autonomia, pela convivência e pela possibilidade de participar novamente da programação.
"Achei o parque muito lindo. Achei muito legal a estrutura em si. Estão de parabéns pela organização", afirmou.
O reencontro com a Expofeira trouxe de volta uma lembrança da infância; também permitiu que Bruno construísse uma nova memória daquele mesmo lugar. Mais de 20 anos depois das primeiras visitas.
"Eu estou achando lindo. Eu estava com uma saudade. Tem gostinho de infância para mim", repetiu.
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Cuidado que ultrapassa os muros do Caps
A participação em atividades externas integra o plano terapêutico dos usuários e é organizada pela equipe do CAPS Gentileza de forma a garantir que o atendimento continue sendo realizado normalmente na unidade.
O objetivo é ampliar as possibilidades de convivência dos usuários para além do espaço de atendimento. A proposta considera que atividades culturais, de lazer e de circulação pela cidade também podem fazer parte do cuidado em saúde mental.
Segundo a gerente do Caps Gentileza, Zênia Gomes, a participação em eventos da cidade é planejada de acordo com o acompanhamento dos usuários e contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento.
"Todas as vezes que tem programações na cidade, a gente tenta incluir os usuários para que eles se sintam pertencentes a esse meio, pertencentes à sociedade, que é o lugar onde eles devem estar. A Expofeira é um momento muito especial para eles", explicou.
A profissional destaca ainda que o trabalho desenvolvido pelo serviço vai além do atendimento realizado dentro da unidade. A proposta é contribuir para que os usuários tenham autonomia para participar de diferentes atividades e espaços da comunidade.
"Eles podem fazer coisas como qualquer outra pessoa, como qualquer outro cidadão. Eles podem e devem fazer. O CAPS Gentileza não é só medicação, não é só cuidado medicamentoso ou psicossocial. Vai para além disso, para que eles realmente estejam inseridos na sociedade", destacou Zênia.
Zênia Gomes, gerente do CAPS Gentileza
Apoio da família
As ações também envolvem as famílias, que são orientadas e estimuladas a acompanhar o processo de cuidado e a reconhecer as possibilidades de participação dos usuários em atividades cotidianas.
A iniciativa reforça uma das diretrizes do cuidado em saúde mental: promover a autonomia e fortalecer os vínculos sociais, familiares e comunitários. Para Bruno, a experiência na Expofeira mostrou que cuidar também pode significar sair, conhecer, reencontrar lugares e participar da vida da cidade.
E, naquele parque de exposições da dazendinha onde esteve pela primeira vez quando criança, uma lembrança antiga ganhou um novo capítulo.
Desta vez, Bruno não estava apenas voltando à Expofeira. Estava vivendo uma nova experiência no mesmo lugar que guarda parte de suas memórias.
