Há quem veja um pedaço de madeira no chão e apenas continue andando. Regi Silva para, observa e imagina. Pode ser uma mesa, um balanço ou uma peça para ser admirada. Aos 57 anos, o artesão transformou esse olhar em profissão e, há cerca de duas décadas, encontrou no que a natureza descarta uma matéria-prima para criar e falar sobre preservação ambiental.
É esse trabalho que ele apresenta na Expofeira 2026, de 8 a 16 de agosto, no Parque de Exposições da Fazendinha. O evento conta com atividades de negócios, cultura e economia criativa e funciona como uma vitrine para produtores e empreendedores.
No espaço de Regi na feira, a madeira chama atenção pelas formas naturais. Nenhuma peça começa exatamente projetada. O processo nasce da observação do artesão. Galhos, troncos e pedaços de madeira tombados ganham novas possibilidades a partir do que ele chama de "olhar clínico".
"Quando eu vejo um pedaço de madeira caído no chão, já tenho uma ideia para ele", conta.
Artesão utiliza ferramentas manuais para transformar pedaços de madeira em peças com diferentes formas e funções
A relação com a madeira começou de maneira inesperada, há cerca de 20 anos. Regi havia encomendado um presente para a namorada, mas a peça não ficou pronta. Decidiu, então, construir o objeto com a ajuda de um carpinteiro. A criação chamou a atenção de outras pessoas e abriu caminho para uma nova profissão.
Na época, ele ainda dava aulas de Educação Artística. Depois, buscou novas formações e encontrou no Eco Design Sustentável uma forma de unir sua arte ao meio ambiente.
Hoje, prioriza madeiras tombadas em áreas rurais, margens de rodovias, beiras de rios e espaços urbanos. O material ganha novas funções sem que seja necessário derrubar árvores para a produção.
"O verdadeiro artista é a natureza. Ela já lapida. O que a gente pode fazer é dar um pequeno complemento", destaca.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A preocupação ambiental também faz parte do trabalho fora do ateliê. Regi realiza palestras em escolas e faculdades sobre reaproveitamento e preservação. Segundo o artesão, suas criações já chegaram a 11 países, entre eles Canadá, Estados Unidos, Japão, Argentina e Bolívia.
"Não tem coisa melhor do que ser reconhecido pelo trabalho que a gente faz. É um trabalho que a gente faz com corpo e alma", afirma.
A participação na Expofeira 2026 marca o terceiro ano consecutivo de Regi Silva no evento. Para o artesão, estar presente na maior vitrine de negócios do estado é uma oportunidade importante para apresentar seu trabalho e valorizar sua produção.
Cada peça feita por Regi também carrega um pouco da identidade e da cultura do lugar onde foi criada. Por isso, seu trabalho artesanal se tornou uma forma de levar o Amapá para além das fronteiras.
"De onde eu for, eu levo esse estado comigo", afirma.
Trabalho de Regi Silva alia criação artesanal, reaproveitamento de materiais e educação ambiental.
