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Gerge Duarte
Ciclo do Marabaixo 2026 encerra celebrações e reforça preservação da identidade cultural amapaense
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Ciclo do Marabaixo 2026 encerra celebrações e reforça preservação da identidade cultural amapaense

  • Talismã Comunicação
  • 09/06/2026
  • CULTURA AFROAMAPAENSE
Com participação popular, fortalecimento dos barracões e apoio do Governo do Estado, tradição centenária encerra mais uma edição e segue mobilizando as comunidades para 2027.


Após dois meses de celebrações, missas, novenas e rituais, o Ciclo do Marabaixo 2026 foi encerrado no último fim de semana com a tradicional derrubada dos mastros da Santíssima Trindade e do Divino Espírito Santo, durante o Domingo do Senhor, e a escolha dos festeiros responsáveis pela organização da festividade em 2027. Os sete barracões das zonas urbana e rural de Macapá, que mantêm viva essa tradição secular, contaram com incentivo financeiro do Governo do Estado do Amapá (GEA), por meio da Fundação Marabaixo e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

De 14 a 17 de junho, o Governo do Estado promoverá mais um momento de valorização, conhecimento e integração da população com essa tradição centenária: a Central do Ciclo do Marabaixo, que terá como atração nacional a cantora Alcione.

O Ciclo do Marabaixo é uma manifestação cultural e religiosa preservada por famílias afrodescendentes que levaram para os bairros Laguinho e Favela, atual Santa Rita, e para as comunidades de Casa Grande e Campina Grande os ritos, os costumes e os louvores dedicados à Santíssima Trindade e ao Divino Espírito Santo. Seu significado para a cultura amapaense é considerado um legado histórico de preservação da memória coletiva. A importância da manifestação foi reconhecida oficialmente em 2004, com a instituição do calendário oficial do Ciclo do Marabaixo. Em 2018, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou a manifestação como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Em 2026, o tema "Encontro e Saberes da Nossa Terra" norteou toda a programação, realizada de 4 de abril a 7 de junho, período em que foram cumpridos todos os rituais tradicionais. A Santíssima Trindade é celebrada nos barracões do Laguinho, Santa Rita, Campina Grande e Casa Grande. Já o Divino Espírito Santo é homenageado nos barracões da Tia Biló e do Mestre Pavão, ambos localizados no Laguinho.

O corte dos mastros no Curiaú, os cortejos da murta e dos mastros, a levantação dos mastros, missas, novenas, bailes, rodas de Marabaixo, a distribuição de alimentos e da tradicional gengibirra, além da derrubada dos mastros, compõem o calendário oficial da festividade. Desde 2025, outro atrativo passou a integrar a programação: a Corrida do Ciclo do Marabaixo, promovendo integração entre os barracões e a população.

Todas essas atividades contaram com apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação Marabaixo, com investimento de R$ 1,796 milhão destinado ao fortalecimento dos barracões, à realização da Corrida do Ciclo e à Central do Ciclo do Marabaixo.

No Domingo do Senhor, os mastros erguidos durante o ciclo foram derrubados nos barracões da Favela — Tia Gertrudes, Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic) e Dica Congó —, do Laguinho — Tia Biló e Mestre Pavão — e das comunidades Campina Grande e Casa Grande. As bandeiras foram então entregues aos festeiros de 2027, que terão a missão de organizar a próxima edição da celebração ao lado das famílias tradicionais.

No barracão do Mestre Pavão, os filhos do pioneiro, Paulo e Felícia Ramos, serão os próximos festeiros. Já no barracão da Dica Congó, Alexandre Queiroz e Dayane Brás receberam as bandeiras. Dançadeira da Associação Raízes da Favela, Dayane, de 36 anos, conta que fez uma promessa em 2024 diante do oratório onde fica a coroa da Santíssima Trindade e teve sua graça alcançada.

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"Agora chegou a minha vez de pagar minha promessa. Vou me dedicar para que seja mais um lindo ciclo em louvor à Santíssima Trindade", afirmou.

A diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, avaliou a edição de 2026 como um marco para a resistência cultural e a preservação da memória ancestral do Amapá. Segundo ela, a organização das famílias e associações responsáveis pelos festejos, aliada à grande participação popular nos barracões, demonstrou o fortalecimento da consciência sobre a importância do Marabaixo para a identidade cultural amapaense.

"Os sete barracões cumpriram integralmente o ciclo, o que é fundamental para que a tradição e a religiosidade permaneçam vivas. As associações estão de parabéns pela organização e por abrirem as portas de suas casas e oratórios para receber devotos e visitantes. Não registramos ocorrências relacionadas à poluição sonora, descumprimento de horários ou qualquer outro tipo de infração. O investimento do Governo do Estado alcançou os resultados esperados e fortaleceu ainda mais essa importante manifestação cultural", destacou.

Central do Ciclo do Marabaixo 2026

O Parque Residência será o palco da Central do Ciclo do Marabaixo, espaço que reunirá elementos, rituais, marabaixeiros e representantes dos barracões que realizam a festividade. A programação contará com exposições, apresentações de dança, rituais tradicionais, degustação de comidas e bebidas típicas, oficinas, atividades educativas e o show nacional da cantora Alcione.

No dia 17 de junho será realizado o VI Congresso Estadual do Marabaixo, no Teatro Municipal Fernando Canto, com rodas de conversa, debates e interação com o público. Durante o evento também será lançado o documentário "Açucenas – Tia Biló: Centenário de Fé, Luta e Tradição".

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