Alunos da Escola Estadual Quilombola do Aporema escrevem livro de poesia sobre construção da identidade afro
- 06/08/2024
- Educação
Obra foi produzida por estudantes do ensino modular da comunidade de São Tomé do Aporema, em Tartarugalzinho.
Durante os meses de maio e junho, 26 alunos do ensino modular da Escola Estadual Quilombola de São Tomé do Aporema, no município de Tartarugalzinho, produziram poemas que marcam as raízes étnico-racial da região. O talento e a sensibilidade dos jovens resultaram no livro "Identidade Afro - 1ª Antologia Poética do Quilombo de São Tomé do Aporema".
A obra foi construída ao longo das aulas da disciplina "Projeto de Vida e Eletiva", ministrada pelo professor do ensino modular, Ivaldo da Silva Sousa, de 51 anos, e representa um marco significativo na valorização e celebração das temáticas negras e culturais, herança das raízes quilombolas.
“É com imensa alegria e orgulho que tenho a honra de apresentar a primeira Antologia poética Identidade Afro, desenvolvida durante as aulas do sistema modular do ensino médio. Esta obra é fruto do talento dos nossos alunos da Escola Estadual Quilombola de São Tomé do Aporena”, ressaltou Sousa.
O aluno David Santana, de 15 anos, cursa o 1º ano do ensino médio na escola quilombola. Ele conta que nunca imaginou viver a experiência de produzir poesia, e mais ainda, de participar de uma obra literária.
“Foi gratificante participar do projeto desenvolvido pelo professor Ivaldo Sousa, pois além de aprendermos muito, o livro nos ajudou a construir nossa identidade negra. Antes dessa experiência, não tínhamos noção de muita coisa e por meio dele, aprendemos a gostar de nós mesmos e honrar nossa ancestralidade”, destacou Santana.
A obra foi apresentada durante a entrega de cerca de 700 kits pedagógicos produzidos pelo Governo do Amapá para os profissionais da educação modular. O professor Ivaldo, que é o organizador do livro, entregou um exemplar para a secretária de Estado da Educação, Sandra Casimiro.
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Ensino modular
O Sistema Organizacional de Ensino Modular atende 562 comunidades, em 15 municípios do Amapá. São 72 escolas entre ribeirinhas, do campo e das florestas que atendem mais de 6,8 mil alunos. Os estudantes têm aulas presenciais em quatro módulos, com 50 dias letivos cada, para desenvolver o conteúdo programático e as avaliações.
Ao fim de cada módulo, há três dias para recuperação. O Ensino Modular no Amapá possui 540 docentes e 12 pedagogos. O sistema é uma estratégia para garantir o acesso à educação às comunidades que são afastadas dos centros urbanos. Em um sistema de rodízio, todos os estudantes têm acesso aos conteúdos necessários.
Por Ana Anspach
