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Crédito: Marcio Bezerra/Seed
Governo do Amapá e movimento 8M levam palestras educativas sobre direitos das mulheres a escolas públicas
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Governo do Amapá e movimento 8M levam palestras educativas sobre direitos das mulheres a escolas públicas

  • Marcio Bezerra
  • 06/03/2026
  • MÊS DA MULHER
Ações fazem parte da programação do mês de março e promovem conscientização sobre igualdade de gênero e prevenção à violência contra a mulher.


O mês de março, dedicado à luta histórica das mulheres por direitos e igualdade de gênero, tem mobilizado diversas ações de conscientização em todo o país. No Amapá, o Governo do Estado, em parceria com o Movimento de Mulheres 8M, está promovendo uma série de palestras educativas em escolas públicas estaduais para dialogar com estudantes sobre respeito, cidadania e prevenção à violência de gênero.

A programação nas escolas é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (Seed) e movimentos sociais que atuam na defesa dos direitos das mulheres. Para a secretária adjunta de Gestão de Pessoas da Seed, Ivone Conceição, levar esse debate para dentro das unidades de ensino é uma forma de formar cidadãos mais conscientes e comprometidos com o respeito às mulheres.

“Estamos no mês de março, que é tradicionalmente dedicado às mulheres, um momento para celebrar conquistas, mas principalmente para continuar a luta por igualdade e respeito. A Secretaria de Estado da Educação não poderia ficar de fora desse movimento. Por isso, estamos realizando ações nas instituições de ensino, levando informação e promovendo reflexão entre os estudantes”, destacou a gestora.

Secretária adjunta, Ivone Conceição
Secretária adjunta, Ivone Conceição
Foto: Marcio Bezerra/Seed

A proposta é ampliar o diálogo com os jovens, estimulando valores como empatia, respeito e igualdade dentro do ambiente escolar. A iniciativa integra as ações do projeto “Mulheres Vivas – Todos e Todas por Elas”, que, ao longo do mês de março, promove rodas de conversa, atividades formativas e mobilizações sociais para fortalecer a rede de proteção às mulheres.

Na quinta-feira, 5, alunos da Escola Estadual Gabriel de Almeida Café, em Macapá, participaram da programação realizada no auditório da unidade. A atividade, voltada a estudantes do ensino médio, gerou momentos de diálogo, reflexão e troca de experiências sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade.

Dinâmica “Violentômetro”
Durante as palestras, os estudantes participam de atividades interativas e reflexivas. Uma das dinâmicas utilizadas é o “violentômetro”, ferramenta educativa que apresenta os diferentes níveis de violência que podem ocorrer nas relações.

Os alunos receberam fitas de papel contendo frases frequentemente associadas à culpabilização das mulheres, como “ela provoca”, “a culpa foi dela” e outras expressões presentes no cotidiano.

A proposta foi provocar debate entre os participantes sobre como esse tipo de discurso contribui para a naturalização da violência e do preconceito. A partir da leitura das frases, os estudantes foram convidados a discutir em grupo os impactos dessas ideias e refletir sobre a importância de construir relações baseadas no respeito, na empatia e na igualdade de direitos.

A professora e integrante do Movimento de Mulheres 8M, Andrea Lopes, explicou que o objetivo é ajudar os jovens a identificar situações que muitas vezes são naturalizadas no cotidiano.

“O violentômetro mostra que a violência não começa apenas com a agressão física. Ela pode iniciar com violência psicológica e evoluir para situações mais graves, que infelizmente podem chegar ao feminicídio. Nosso objetivo é que os jovens compreendam essas etapas e aprendam a reconhecer e combater esse tipo de comportamento”, explicou a professora.

Andrea Lopes, palestrante do Movimento 8M, conduziu atividade educativa
Andrea Lopes, palestrante do Movimento 8M, conduziu atividade educativa
Foto: Marcio Bezerra/Seed

Ela frisou ainda que o Movimento 8M reúne diversos coletivos e organizações feministas que atuam na defesa dos direitos das mulheres.

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“O movimento surgiu da união de várias organizações sociais, artistas, educadoras e militantes que lutam pelos direitos das meninas e das mulheres. Nosso objetivo é fortalecer essa luta e promover uma cultura de respeito e dignidade”, afirmou.

Estudantes refletem no debate
Para os alunos, as atividades representam uma oportunidade importante de aprendizado e reflexão. A estudante Heloá Nunes Martins, de 17 anos, do 2º ano do Ensino Médio, acredita que falar sobre violência de gênero nas escolas pode ajudar muitos jovens a compreender situações que antes eram vistas como normais.

“Eu acho muito importante ter esse tipo de palestra na escola. Muitas vezes a pessoa vive uma situação de violência em casa e acaba achando que isso é normal. Quando a gente conversa sobre isso, começa a entender que não é certo e que é possível mudar essa realidade”, disse Heloá.

Heloá Nunes Martins, estudante da escola Gabriel de Almeida Café
Heloá Nunes Martins, estudante da escola Gabriel de Almeida Café
Foto: Marcio Bezerra/Seed

As atividades fazem parte do projeto “Mulheres Vivas – Todos e Todas por Elas”, que tem como objetivo ampliar o debate sobre os direitos das mulheres e o enfrentamento às violências de gênero, incluindo feminicídio, lesbocídio e transfobicídio.

Entre as metas da iniciativa estão:

  • promover rodas de conversa em escolas e comunidades durante o mês de março;
  • mobilizar estudantes e moradores de comunidades;
  • fortalecer a articulação com a Casa da Mulher Brasileira e outros espaços de acolhimento;
  • incentivar a continuidade das ações educativas ao longo do ano.

O público prioritário inclui estudantes da rede pública, mulheres em situação de vulnerabilidade social, educadores e profissionais da rede de proteção.

Educação que transforma
Ao levar informação e diálogo para dentro das escolas, a iniciativa busca contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e segura para mulheres e meninas. O projeto foi integrado ao programa “Educação que Transforma”, do Governo do Amapá, que firmou a parceria para levar conscientização e aprendizado aos estudantes.

A proposta é que os jovens se tornem multiplicadores dessas informações em suas comunidades, fortalecendo a cultura do respeito e da igualdade de gênero.

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