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Ormuz x Selic: 11 especialistas alertam que juros brasileiros equivalem a 3,7 vezes a taxa dos EUA
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Ormuz x Selic: 11 especialistas alertam que juros brasileiros equivalem a 3,7 vezes a taxa dos EUA

  • Gueratto Press
  • 05/08/2026
  • Economia
"Se o Copom levar a Selic a 14%, a taxa brasileira continuará oferecendo um retorno nominal muito superior ao dos títulos americanos", Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações.


“A possível normalização do tráfego no Estreito de Ormuz reduz um dos principais riscos externos para a inflação brasileira. Em maio, a projeção oficial para o preço médio do petróleo em 2026 subiu 25%, para US$ 91,25, enquanto a estimativa de inflação avançou de 3,7% para 4,5%. Se as negociações entre Estados Unidos e Irã mantiverem o petróleo em níveis mais baixos, parte dessa pressão poderá ser revertida, com efeitos sobre combustíveis, transporte e expectativas de preços. Esse alívio amplia o espaço para novos cortes da Selic, mas não significa que o Copom acelerará automaticamente o ciclo. A trajetória dos juros também dependerá da inflação de serviços, do câmbio, das expectativas fiscais e da atividade econômica. Uma redução mais rápida somente ganharia força se a queda do petróleo se mostrasse persistente e fosse acompanhada por uma melhora mais ampla das projeções de inflação. Neste momento, cortes de 0,25 ponto percentual continuam sendo o cenário mais provável. Caso o Banco Central mantenha um discurso cauteloso, mesmo diante do avanço das negociações sobre Ormuz, o mercado poderá reduzir as apostas em cortes adicionais e elevar as taxas futuras. Para o investidor, a Selic ainda alta preserva a atratividade dos ativos indexados ao CDI. Já os prefixados e os ativos de maior duração devem reagir principalmente à sinalização sobre as próximas reuniões, e não apenas ao corte anunciado. A estratégia deve considerar a velocidade efetiva da desinflação, sem antecipar um ciclo mais intenso apenas com base na queda do petróleo”, Letícia Moschioni, Sócia da Finscale.

“A possível reabertura do Estreito de Ormuz melhora o balanço de riscos para a inflação brasileira porque reduz a probabilidade de uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo. A queda da commodity pode aliviar combustíveis, fretes e custos de produção, além de contribuir para expectativas inflacionárias mais baixas. Esse movimento favorece o Copom, mas não elimina pressões domésticas, como a inflação de serviços, o mercado de trabalho aquecido e as incertezas fiscais. O petróleo mais baixo pode abrir espaço para a continuidade dos cortes da Selic, mas não considero provável uma aceleração imediata. Em março, quando o barril ultrapassou US$ 100, o Banco Central reduziu a taxa em apenas 0,25 ponto percentual, embora parte do mercado esperasse 0,50 ponto. Agora, o Copom deverá verificar se o alívio provocado pelas negociações entre Estados Unidos e Irã será duradouro antes de alterar o ritmo. O cenário mais consistente permanece sendo de reduções graduais de 0,25 ponto. Se o comunicado continuar cauteloso, a curva de juros poderá devolver parte do fechamento provocado pela queda do petróleo, especialmente nos vencimentos mais longos. Nesse cenário, o investidor deve evitar apostar em uma redução rápida da Selic. Os ativos ligados ao CDI continuam favorecidos, enquanto a ampliação de posições prefixadas exige confirmação de que o petróleo permanecerá mais baixo e de que as expectativas de inflação estão recuando”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

“O choque do petróleo retirou parte relevante do espaço para a flexibilização monetária em 2026. Em maio, a projeção oficial de inflação avançou de 3,7% para 4,5%, alta de 0,8 ponto percentual, enquanto a estimativa para a Selic no fim do ano passou de 12% para 13%. A possível reabertura do Estreito de Ormuz melhora esse cenário ao reduzir o risco de desabastecimento e pressionar as cotações para baixo. A reversão, no entanto, não ocorre na mesma velocidade do choque: seguros, fretes e rotas comerciais continuam mais caros, e o Banco Central precisará confirmar que o petróleo permanecerá em patamar menor antes de incorporar esse alívio às projeções. A queda da commodity amplia a possibilidade de novos cortes de 0,25 ponto percentual, mas ainda não sustenta uma aceleração automática do ciclo. Para isso, o Copom precisaria observar uma combinação mais consistente entre petróleo mais baixo, câmbio estável e recuo das expectativas de inflação. Caso o comunicado continue cauteloso, mesmo com a redução das tensões em Ormuz, o mercado poderá interpretar que os riscos domésticos, especialmente a inflação de serviços e o quadro fiscal, ainda pesam mais do que o alívio externo. Nesse ambiente, a reação dos fundos dependerá menos do corte isolado e mais da sinalização para a curva futura. FIDCs indexados ao CDI continuam favorecidos por juros elevados, enquanto FIIs e ativos de maior duração podem perder parte do impulso se o mercado reduzir as apostas em cortes adicionais. Para o investidor, o cenário recomenda uma transição gradual, preservando renda ligada ao CDI e ampliando posições mais sensíveis aos juros apenas quando houver evidências de que a desinflação voltou a ganhar força”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

“A possível reabertura do Estreito de Ormuz reduz um dos principais riscos de alta para a inflação global, porque diminui a probabilidade de interrupção prolongada no transporte de petróleo e gás. Para o Copom, isso melhora o balanço de riscos, mas não altera de forma automática a leitura sobre a inflação brasileira. O Comitê reage menos à cotação do barril em um único dia e mais à persistência do movimento, aos efeitos sobre o câmbio e à eventual contaminação das expectativas. A queda do petróleo abre algum espaço para cortes da Selic, mas não justifica, sozinha, uma aceleração do ciclo. Ela reduz o risco de combustíveis, fretes e insumos voltarem a pressionar os preços, além de aliviar parte do prêmio embutido na curva de juros. Ainda assim, inflação de serviços, mercado de trabalho, expectativas e situação fiscal continuam pesando mais na decisão doméstica. Se o Copom mantiver um discurso cauteloso mesmo com o alívio no petróleo, o investidor não deveria interpretar isso como contradição. Seria uma indicação de que o Banco Central considera a melhora externa positiva, porém ainda insuficiente para compensar os riscos internos. Nesse cenário, os juros curtos podem reagir com alguma frustração, enquanto a parte longa da curva continuará dependente principalmente da trajetória fiscal e da confiança nas contas públicas. A leitura mais equilibrada é que Ormuz retira um obstáculo, mas não resolve o problema. O alívio no petróleo melhora as condições para a flexibilização monetária; a velocidade dos cortes, porém, seguirá limitada pela capacidade de a inflação convergir para a meta sem deterioração do câmbio ou das expectativas”, Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

“O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a possível reabertura do Estreito de Ormuz melhoram a leitura do Copom sobre a inflação ao reduzirem o risco de uma nova alta do petróleo. O efeito pode aparecer nos combustíveis, nos fretes e nos custos de produção, além de aliviar as expectativas inflacionárias. Essa mudança favorece a continuidade dos cortes da Selic, mas ainda não justifica uma aceleração imediata. O Banco Central precisará confirmar se a queda do petróleo será duradoura e se chegará às projeções de inflação. Para o venture capital, o principal efeito desse alívio está na redução do risco macroeconômico. Um cenário com petróleo mais baixo e inflação mais controlada tende a favorecer a queda dos juros futuros, diminuir o custo de oportunidade dos investimentos de longo prazo e ampliar gradualmente a disposição para aportes em startups. Isso pode melhorar a formação dos valuations e abrir espaço para novas rodadas, principalmente em empresas que já demonstram crescimento, eficiência financeira e menor dependência de capital. Se o Copom mantiver um discurso cauteloso, o investidor deverá interpretar que os riscos domésticos, especialmente a inflação de serviços e o quadro fiscal, ainda impedem cortes mais rápidos. Nesse caso, a reprecificação dos ativos de crescimento continuará gradual. Não haverá motivo para abandonar a renda fixa nem para aumentar de forma indiscriminada a exposição a risco. Para o venture capital, será mais importante selecionar empresas com boa governança, capacidade de execução e planejamento financeiro consistente do que antecipar uma queda acelerada da Selic”, Antônio Patrus, Diretor Financeiro da Bossa Invest.

“A possível reabertura do Estreito de Ormuz e a eventual queda de preços do petróleo melhoram na margem o balanço de riscos para a inflação brasileira, principalmente por reduzirem a pressão sobre combustíveis, fretes e insumos. Esse alívio favorece a continuidade do ciclo de cortes da Selic, mas não deve levar o Copom a acelerar o ritmo. O Banco Central precisará confirmar se a queda do petróleo será persistente e se chegará às projeções de inflação. Neste momento, o cenário mais provável continua sendo de reduções graduais de 0,25 ponto percentual. Se o Copom mantiver um discurso cauteloso, mesmo com a redução das tensões no Estreito de Ormuz, o mercado poderá diminuir as apostas em cortes adicionais neste ano, pressionando a curva de juros e os ativos de maior duração. Para o investidor, a reação não deve ser aumentar o risco de forma generalizada, mas de preservar uma carteira equilibrada e adequada ao perfil de risco. Os ativos indexados ao CDI continuam atrativos com a Selic elevada, enquanto posições prefixadas exigem cautela, diante do cenário fiscal desafiador e as incertezas que rondam o cenário econômico para 2027”, Gabriel Barca, head de relacionamento com investidores da Ouro Preto Investimentos.

“A potencial reabertura parcial do estreito, no primeiro momento, permite apenas destravar parte do petróleo que já está estocado ou parado em navios na região. Isso tem potencial de melhorar a oferta disponível e reduzir pontualmente o preço, mas não significa que o fluxo global tenha voltado à normalidade, não devemos ver redução efetiva de gargalos logísticos, recomposição do abastecimento de insumos e da recomposição de estoques estratégicos. Já vimos dinâmica semelhante em junho, quando o alívio foi temporário e rapidamente revertido. Por isso, a queda do petróleo não deve ser interpretada como espaço automático para acelerar os cortes da Selic. O cenário externo continua marcado por riscos fiscais, institucionais, monetários e diplomáticos capazes de afetar câmbio, prêmio de risco e expectativas de inflação de forma mais persistente. A relação entre Brasil e Estados Unidos continua tensionada pelas tarifas, ao mesmo tempo que ocorre uma deterioração diplomática, o que adiciona incerteza a uma relação comercial importante para os dois países. Esses fatores podem afetar câmbio, prêmio de risco e expectativas de inflação de maneira mais persistente do que uma queda pontual do petróleo. Se o Copom mantiver um discurso cauteloso, estará apenas separando um potencial alívio pontual no mercado de energia de uma mudança efetiva de trajetória. Hoje, Ormuz ainda parece mais um fator de volatilidade de curto prazo do que uma razão consistente para antecipar cortes mais rápidos”, Cassio Viana de Jesus, Diretor de Investimentos e Novos Negócios.

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“A política monetária brasileira responde muito mais ao que acontece dentro do país do que a choques de fora. A possível reabertura do Estreito de Ormuz evita choques inflacionários futuros e melhoram o balanço de riscos, mas não mudam o eixo da decisão do Copom, que segue o comportamento da atividade, do mercado de trabalho e das expectativas domésticas. Hoje o petróleo já opera próximo ao nível pré-guerra, sinal de que o mercado já precifica nas curvas uma eventual trégua e acordo de paz. Vemos a economia perdendo força e a inflação se acomodando, o que sustenta a continuidade do ciclo de cortes. Uma queda mais rápida dos juros dependeria de esses sinais internos se firmarem nas próximas leituras, não apenas do alívio externo. Se o Banco Central mantiver um tom cauteloso mesmo com esse cenário mais favorável lá fora, o investidor deve entender isso como priorização do quadro interno e preservação de credibilidade, não como negação da melhora. O caminho mais consistente segue sendo uma flexibilização gradual e guiada pelos dados”, Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike.

“O alívio no petróleo ajuda, com o Brent fechando ontem abaixo de 80 dólares o barril, mas eu não esperaria que isso mude a leitura do Copom nesta reunião. Primeiro por calendário, porque a decisão foi construída ao longo de dois dias e uma notícia de ontem à tarde não entra a tempo de virar cenário. Segundo, e mais importante, porque o Banco Central trabalha com um horizonte de doze a dezoito meses e não recalibra política monetária em cima de um movimento de commodity que pode se desfazer, ainda mais quando o próprio Irã nega negociar direto com Washington e mantém conversa apenas com Omã. O efeito econômico é real e vai além do combustível, porque petróleo mais barato tende a aliviar transporte e também fertilizante, que é um insumo que pesa muito na nossa cadeia de alimentos. Só que o problema do Banco Central hoje não é o petróleo, é a expectativa de inflação para doze meses à frente, que piorou de 4,10% para 4,19% em um mês, é o serviço pressionado por um desemprego de 5,4% e é o quadro fiscal. E o câmbio, que pesa mais que o barril na nossa inflação, não acompanhou esse alívio, porque a tensão com os Estados Unidos continua pressionando o real. Se o comunicado vier cauteloso mesmo assim, o normal é ver frustração no mercado e juros futuros voltando a subir, mas eu não leria isso como incoerência, e sim como um Banco Central que não quer comprar uma trégua geopolítica como se fosse ganho permanente”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

“O petróleo ajuda a explicar por que o Copom iniciou este ciclo com passos menores do que o mercado projetava. Em março, quando o barril ultrapassou US$ 100 e ficou cerca de 60% acima da referência utilizada pelo Banco Central em janeiro, a expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual perdeu força e a Selic caiu apenas 0,25 ponto, de 15% para 14,75%. Agora, a possível reabertura do Estreito de Ormuz produz o movimento inverso ao retirar parte do prêmio geopolítico da energia, mas seria precipitado esperar uma aceleração automática. Mesmo que a Selic chegue a 14%, o ciclo terá devolvido somente 1 dos 5 pontos percentuais acrescentados desde setembro de 2024. O petróleo mais baixo melhora as expectativas, mas a inflação de serviços, o risco fiscal e o câmbio continuam determinando a velocidade dos próximos cortes. Se o Copom mantiver um discurso cauteloso, o investidor deve interpretar que a redução da taxa seguirá gradual. Isso preserva a atratividade dos ativos ligados ao CDI, enquanto abre espaço para aumentar, de forma progressiva, a exposição a títulos prefixados e indexados à inflação. O erro seria concentrar a carteira em uma queda rápida dos juros antes de a curva confirmar esse cenário”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

“O alívio em Ormuz não deve ser analisado apenas como uma notícia sobre petróleo. Em março, o barril acima de US$ 100 ajudou a reduzir a expectativa de corte da Selic de 0,50 para 0,25 ponto percentual, ao mesmo tempo que o Federal Reserve manteve os juros e sinalizou espaço limitado para reduções nos Estados Unidos. Essa combinação aumentou o prêmio exigido dos ativos brasileiros. Agora, a possível reabertura do estreito pode aliviar a inflação global e melhorar o apetite por risco, mas o efeito sobre o Brasil dependerá também do diferencial de juros, do quadro fiscal e do comportamento do real. Se o Copom levar a Selic a 14%, a taxa brasileira continuará oferecendo um retorno nominal muito superior ao dos títulos americanos, o que sustenta parte do interesse estrangeiro. Por outro lado, uma comunicação cautelosa pode limitar a valorização dos ativos mais sensíveis aos juros. O investidor não deve interpretar a queda do petróleo como motivo para desmontar a diversificação internacional. O movimento reduz um risco específico, mas não elimina tensões geopolíticas, incertezas fiscais nem divergências entre os ciclos monetários. A resposta mais racional é rebalancear, não abandonar proteções”, Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações.

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