Você certamente não se recorda, mas logo nos seus primeiros dias de vida seu braço direito contou com uma casquinha vermelha, que pode ter soltado até um pus e cicatrizou ao longo de semanas ou meses. A conhecida “marquinha” que a maioria dos brasileiros possui é fruto da vacina BCG, que possui até um dia para chamar de seu: em 01 de julho é celebrado o Dia da Vacina BCG.
O marco no calendário ocorre devido a sua importância para combate à tuberculose, uma doença contagiosa que pode levar à morte, e reforça a necessidade da vacinação de bebês logo ao nascer, já que esse grupo possui menor imunidade e corre grande risco de ser infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch, e ter complicações.
“A vacina BCG está disponível no Brasil desde 1976 e atualmente o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza sua dose, que deve ser tomada a partir do nascimento e até a criança completar cinco anos”, explica Danielson Rodrigo Cavalcante da Silva, Coordenador do Curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera. A vacina é composta por um bacilo fruto do enfraquecimento de umas das bactérias que causam a tuberculose, e mesmo que não possua potencial para impedir o contágio da doença em maiores de 5 anos, é considerada altamente eficiente para prevenir sequelas e óbitos em recém-nascidos e crianças pequenas.
Por fazer parte da lista de vacinas obrigatórias do Calendário Nacional de Vacinação do Brasil e gerar a famosa marca nos braços da população há muitos anos, diversos mitos envolvendo sua aplicação e reação são muito comuns. O especialista desmitifica as principais e explica os motivos do seu efeito na pele.
Só brasileiros possuem a marca fruto da vacina da BCG no braço
“Por conta da vacina ser feita de um bacilo enfraquecido, a cicatriz gerada pela vacinação da BCG é resultado de uma reação imunológica à bactéria. Isso faz com que o local em que foi aplicada fique avermelhado e posteriormente possa até a expelir pus”, explica o docente. Esse efeito na pele também está relacionado à agulha utilizada para aplicar a vacina. Há muitos anos, as pessoas acreditavam, inclusive, que ela era esquentada e, por isso, deixava a marca.
“A diferença está na agulha: se a aplicação for feita pela microagulha, que também chamamos de carimbo, o efeito na pele é suavizado, chegando a praticamente não aparecer”, esclarece. No Brasil, três a cada cem crianças tomam a vacina BCG com a microagulha e ficam sem a marca. No Japão, a aplicação via agulha carimbo da BCG é obrigatória, extinguindo os casos. Nos Estados Unidos, 10% são dadas com a agulha que não deixa marcas. “Não podemos dizer que só os brasileiros possuem a marca da BCG, mas por conta do uso da agulha tradicional na maioria dos casos, a maior parte da população possui esse efeito na pele”, conclui Danielson.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Quem não possui a marca no braço, a vacinação não foi eficaz
Desde 2019, o Ministério da Saúde não recomenda a reaplicação da dose da vacina BCG em crianças que não apresentarem a cicatriz de até 1cm de diâmetro no braço, por orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Estudos recentes demonstram que não há relação da marca com a proteção oferecida”, comenta o especialista. A principal indicação é que deve estar relacionada a agulha utilizada para o procedimento.
A vacina só pode ser tomada no braço direito
Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), quanto o Ministério da Saúde, adotam a aplicação das vacinas no braço direito para que seja possível acompanhar as reações adversas possíveis. “Trata-se de um protocolo seguido em todo o mundo. A aplicação de imunizantes deve ser realizada no deltoide, que é um músculo presente do terço superior do braço até o ombro”, explica. Assim, não só a BCG como outras vacinas, como a da COVID, por exemplo, devem ser aplicadas no braço direito em preferência.
