Para quem espera por um transplante, a doação de um órgão pode representar uma nova oportunidade de vida. Durante o Setembro Verde, o Governo do Amapá reforça a importância de falar sobre o tema e, principalmente, de conversar com a família.
A mobilização ocorre enquanto o Estado avança na estruturação da política estadual de transplantes e na organização da rede necessária para garantir segurança ao processo. Essa estruturação envolve a preparação das unidades de saúde, a qualificação das equipes e a organização dos fluxos de identificação e acompanhamento de potenciais doadores.
A doação segue protocolos nacionais, desde a identificação do possível doador até a avaliação clínica, a confirmação da morte encefálica e a abordagem dos familiares. A autorização da família é indispensável para que o procedimento ocorra.
Para a coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET/AP), médica nefrologista Gracilene Lobato, o diálogo deve acontecer antes de qualquer situação de perda. Segundo ela, conhecer a vontade da pessoa é fundamental para que a família possa tomar uma decisão consciente em um momento delicado.
"Tudo começa pela educação familiar. É conversar dentro de casa e dizer se eu tenho vontade de doar. Porque, na hora que você falece, quem vai falar por você é a sua família", explica.
No Amapá, o trabalho de estruturação da rede envolve também a organização das Equipes Hospitalares de Doação para Transplante (e-DOT), que atuam nas unidades de saúde na identificação de potenciais doadores e no acompanhamento das etapas relacionadas à doação.
A Central Estadual de Transplantes coordena esse processo e trabalha para integrar as diferentes estruturas necessárias ao funcionamento da política estadual.
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O fortalecimento da rede também contou, em junho, com uma agenda técnica realizada pelo Governo do Amapá com especialistas da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). A programação incluiu reuniões com profissionais da CET/AP e da Organização de Procura de Órgãos (OPO), além de visitas técnicas a unidades hospitalares para avaliar estruturas, equipes e fluxos assistenciais.
A iniciativa faz parte do trabalho de preparação do Estado para avançar, de forma segura e responsável, nas etapas de doação, captação e, futuramente, transplante. Segundo Gracilene, ainda não há uma data definida para a realização de transplantes no Amapá, já que a implantação desse serviço depende da conclusão de diferentes etapas de estruturação e da autorização dos órgãos responsáveis.
Por isso, o foco do Setembro Verde está na conscientização. "O objetivo da campanha é falar da doação, da importância da conscientização. Converse com sua família. Diga se você deseja ou não doar. A gente está estruturando tudo com muito cuidado para que, quando chegar o momento, possamos estar preparados para que a doação e o transplante sejam uma realidade no Estado do Amapá", reforça.
Como parte das ações de conscientização e fortalecimento da política de doação e transplantes no Amapá, a Central Estadual de Transplantes dará continuidade, no mês de outubro, às iniciativas de qualificação dos profissionais de saúde.
Está prevista a participação do Prodot/Amib, com a realização de uma nova rodada de cursos e capacitações voltados ao aprimoramento das equipes envolvidas no processo de doação de órgãos e tecidos, fortalecendo a identificação de potenciais doadores, a abordagem adequada às famílias e a organização de todo o processo de doação e transplante no Estado.
