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Selic (13,75%): Juros podem retirar até 52% do crescimento do PIB em 2026
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Selic (13,75%): Juros podem retirar até 52% do crescimento do PIB em 2026

  • Redação
  • 01/09/2026
  • ECONOMIA
"Esse nível pode retirar de 0,7 a 1 ponto percentual do crescimento de 2026 em comparação com uma trajetória mais próxima da neutralidade", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.


"O juro já conseguiu frear a quantidade de crédito antes de conseguir frear todos os preços. Famílias reduzem compras financiadas, empresas adiam investimentos e projetos imobiliários revisam cronogramas assim que o custo do dinheiro sobe.

A inflação, porém, carrega contratos indexados, reajustes salariais, custos de energia, alimentos, logística e serviços que demoram mais para responder.

Essa diferença de velocidade explica por que o Focus reduziu o PIB para 1,92%, mas elevou a inflação suavizada em 12 meses para 4,53%.

O cenário global acrescenta outra camada: petróleo, fretes e commodities continuam sujeitos a choques geopolíticos, o que mantém pressão sobre custos mesmo quando a demanda doméstica perde força.

Com a Selic projetada em 13,75%, o juro real fica entre 8,3% e 8,8%. Pelo canal do crédito, que costuma ser o mais rápido, esse nível pode retirar de 0,7 a 1 ponto percentual do crescimento de 2026 em comparação com uma trajetória mais próxima da neutralidade.

O impacto aparece no comprometimento de renda, no capital de giro e na taxa mínima exigida para que novos investimentos sejam viáveis.

Para a inflação fechar no teto de 4,5%, o espaço restante também é reduzido. Depois dos 3,44% acumulados até julho, o IPCA poderia subir somente 1,02% até dezembro, média de 0,20% ao mês.

Com uma eventual deflação de 0,21% em agosto, a média permitida entre setembro e dezembro seria de 0,31%.

Nesse contexto, o crédito precisa ser analisado pela capacidade de pagamento, pelo prazo e pela qualidade das garantias.

Estruturas com garantia real, consórcios e reorganização de passivos podem ampliar previsibilidade e permitir que o recurso seja usado de maneira mais planejada", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

“Há um descasamento entre a velocidade com que os juros reduzem o investimento e aquela com que a inflação perde inércia.

A empresa corta expansão, estoques e capital de giro rapidamente diante de uma Selic elevada, mas contratos, salários, serviços, tarifas e custos importados continuam sendo reajustados.

Por isso, a projeção do PIB caiu para 1,92% enquanto a inflação suavizada em 12 meses chegou a 4,53%.

A fragmentação das cadeias globais também tornou os custos menos previsíveis. Energia, logística e insumos podem subir mesmo sem uma aceleração equivalente do consumo brasileiro, dificultando uma desinflação baseada somente no enfraquecimento da demanda.

A Selic de 13,75% representa um juro real superior a 8%, produzindo uma diferença relevante em relação à taxa neutra.

Se esse quadro permanecer, a política monetária pode retirar entre 0,6 e 0,9 ponto percentual do crescimento de 2026, sobretudo por meio da menor formação de capital e da redução da velocidade do crédito.

Para o IPCA encerrar o ano em 4,5%, a inflação precisa cair para uma média de 0,20% ao mês entre agosto e dezembro.

Se agosto vier em -0,21%, como prevê o Focus, a média máxima de setembro a dezembro sobe para 0,31%.

O ponto crítico é que setembro já está projetado em 0,52% e outubro em 0,33%, o que deixaria para novembro e dezembro uma média próxima de 0,19%.

Nesse ambiente, empresas podem ganhar eficiência ao reorganizar pagamentos, recebíveis e capital de giro, criando estruturas financeiras integradas que reduzam custos de intermediação e transformem fluxos já existentes em fontes mais previsíveis de receita e liquidez”, Leticia Moschioni, Sócia da Finscale.

“O Focus reforça um quadro de desaceleração com inflação ainda resistente, o que sugere que o problema deixou de ser apenas excesso de demanda e passou a refletir maior inércia em serviços, salários, expectativas e preços administrados.

Isso significa que a perda de ritmo da economia, por si só, não será suficiente para produzir uma desinflação rápida, mantendo o Banco Central pressionado a sustentar juros restritivos por mais tempo.

Na prática, o aperto monetário deve continuar retirando força do investimento, do crédito e do consumo financiado, com impacto relevante sobre o crescimento nos próximos trimestres.

Para o IPCA terminar 2026 dentro do teto de 4,5%, após acumular 3,44% até julho, a inflação poderá avançar apenas 1,02% entre agosto e dezembro, o equivalente a uma média composta de 0,20% ao mês, o que ainda depende de melhora consistente nos núcleos e serviços”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

“O Focus desta semana reforça um cenário desconfortável para a política monetária: o mercado reduziu novamente a projeção de crescimento do PIB de 2026, de 1,95% para 1,92%, ao mesmo tempo em que manteve a inflação projetada para o ano em 5,01%.

Além disso, a expectativa de inflação suavizada para os próximos 12 meses subiu pela quarta semana consecutiva, chegando a 4,53%, ligeiramente acima do teto de 4,5% da meta.

A desaceleração da economia, portanto, ainda não está produzindo a desinflação esperada porque uma parcela relevante das pressões de preços não vem apenas do excesso de demanda.

Há fatores como preços administrados, serviços, inércia inflacionária, expectativas desancoradas e eventuais choques cambiais e de custos.

Isso reduz a eficiência da política monetária: os juros conseguem esfriar crédito, consumo e investimento mais rapidamente do que conseguem eliminar essas pressões de preços.

Com a Selic em 13,75%, estamos falando de uma taxa real de juros ainda bastante elevada.

É difícil atribuir um número exato ao efeito sobre o PIB, mas, mantida por período prolongado, uma política monetária nesse nível pode retirar algo na ordem de 0,5 a 1 ponto percentual do crescimento ao longo de alguns trimestres.

O impacto aparece especialmente sobre investimento, construção, crédito às famílias e consumo de bens de maior valor.

Isso ajuda a explicar por que o mercado já projeta apenas 1,92% de crescimento em 2026 e 1,5% em 2027.

O Focus mantém Selic de 13,75% no encerramento de 2026 e prevê 12% ao fim de 2027.

Para a inflação fechar 2026 dentro do teto de 4,5%, o espaço agora é bastante pequeno.

O IPCA acumulava aproximadamente 3,44% de janeiro a julho, depois de registrar apenas 0,07% em julho.

Com isso, entre agosto e dezembro a inflação poderia acumular somente cerca de 1,03%, o equivalente a uma média composta próxima de 0,20% ao mês.

O problema é que o próprio Focus já estima -0,21% para agosto, mas 0,52% para setembro e 0,33% para outubro.

Portanto, mesmo com a deflação esperada agora, seria necessária uma inflação bastante comportada em novembro e dezembro para que o IPCA terminasse dentro do teto.

A projeção anual de 5,01% mostra que esse não é hoje o cenário central do mercado”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

“O Focus mostra uma combinação que ainda considero desconfortável.

A projeção do PIB de 2026 caiu para 1,92%, enquanto a inflação esperada para os próximos 12 meses subiu para 4,53%.

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Ao mesmo tempo, o IPCA projetado para o ano está em 5,01%, ainda acima do teto da meta.

A atividade perde força, mas a inflação não cede na mesma velocidade.

Isso acontece porque a desaceleração da demanda é apenas uma parte do processo inflacionário.

Serviços e salários continuam mais resistentes, e o câmbio, o petróleo, as tarifas comerciais e principalmente as expectativas fiscais mantêm prêmio nos preços.

Podemos ter uma economia crescendo menos sem produzir desinflação suficiente, especialmente quando as expectativas continuam desancoradas.

Também não considero tecnicamente correto dizer que uma Selic de 13,75% retira um número específico de pontos do PIB.

O efeito depende de toda a trajetória dos juros e aparece com defasagem sobre crédito, consumo e investimento.

Os modelos do próprio Banco Central mostram que um choque monetário atinge seu efeito mais forte sobre a atividade depois de alguns trimestres.

O que vemos hoje é justamente esse mecanismo começando a aparecer: crédito mais caro, empresas adiando investimento e famílias com menor capacidade de ampliar consumo.

Para o IPCA encerrar 2026 no teto de 4,5%, a inflação média necessária entre agosto e dezembro fica próxima de 0,21% ao mês.

É uma trajetória possível, sobretudo depois da deflação observada no IPCA-15 de agosto, mas ainda exigente.

O Focus, inclusive, projeta -0,21% para agosto, 0,52% para setembro e 0,33% para outubro, o que mostra que o mercado não espera uma desinflação linear.

Na nossa leitura, portanto, o cenário ainda pede cautela.

A economia está desacelerando, mas isso não garante novos cortes da Selic em sequência.

Para o Banco Central avançar, será necessário ver a perda de força da atividade chegar de forma mais clara aos serviços, aos núcleos e, principalmente, às expectativas de inflação”, Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

"A desaceleração projetada para 1,92% não significa que todos os segmentos da economia estejam perdendo dinamismo na mesma velocidade.

O que aparece no Focus é uma economia em duas rotações: setores dependentes de crédito, bens duráveis e investimentos tradicionais sentem os juros primeiro, enquanto serviços, mercado de trabalho e atividades ligadas à tecnologia preservam maior tração.

No exterior ocorre algo semelhante.

O crescimento global deve ficar em 3% em 2026, mas a expansão está concentrada nas economias e empresas integradas à inteligência artificial e às cadeias tecnológicas.

Ao mesmo tempo, a inflação mundial voltou a encontrar resistência por causa de energia, conflitos e custos logísticos.

Por isso, o PIB pode desacelerar antes de a inflação ceder.

A projeção de 4,53% para a inflação suavizada em 12 meses, acima do teto, indica que o Banco Central ainda não encontrou espaço para uma flexibilização rápida.

Com a Selic caminhando para 13,75%, o juro real permanece próximo de 8,5%.

Em um cenário de manutenção dessa restrição, o crescimento de 2026 pode ser entre 0,6 e 0,9 ponto percentual menor do que seria com uma política monetária próxima da neutralidade.

Para o IPCA fechar em 4,5%, a média necessária de agosto a dezembro é de apenas 0,20% ao mês.

O Focus, ao projetar 5,01% no ano, embute uma média próxima de 0,30%, diferença aparentemente pequena, mas suficiente para deixar a inflação 0,51 ponto acima do teto.

Para o venture capital, esse ambiente reforça a importância de empresas capazes de elevar produtividade, transformar tecnologia em receita e crescer com disciplina de caixa.

O capital tende a buscar inovação que resolva custos reais da economia, não apenas expansão sustentada por liquidez abundante", Antônio Patrus, Diretor da Bossa Invest.

“O cenário externo deixou de funcionar como uma fonte automática de desinflação.

O FMI projeta crescimento mundial de 3% em 2026, mas inflação global de 4,7%, acima dos 4,1% registrados em 2025.

A atividade é sustentada pelos investimentos em tecnologia e inteligência artificial, enquanto conflitos, energia e gastos públicos mantêm os preços pressionados.

Para o Brasil, essa combinação significa menor ajuda das commodities e dos bens importados, além de maior volatilidade no dólar.

Assim, o PIB projetado pode cair para 1,92% mesmo com a inflação esperada em 12 meses avançando para 4,53%.

A demanda doméstica desacelera, mas parte da inflação vem de custos e do câmbio, não apenas do consumo.

Se a Selic chegar a 13,75% e permanecer elevada, o juro real ficará entre 8,3% e 8,8%, mantendo o Brasil entre os maiores retornos reais do mundo.

Essa restrição pode reduzir o crescimento de 2026 em algo próximo de 0,6 a 1 ponto percentual, com efeito mais intenso sobre consumo financiado e investimento.

Para encerrar o ano no teto de 4,5%, o IPCA precisa registrar média de apenas 0,20% ao mês de agosto a dezembro.

Com deflação de 0,21% em agosto, a média necessária nos quatro meses seguintes seria de 0,31%.

A projeção anual do Focus, de 5,01%, mostra que o mercado ainda não enxerga essa desaceleração dos preços.

Para o investidor brasileiro, o quadro recomenda diversificar não apenas entre ativos, mas entre moedas, economias e fontes de renda, combinando o retorno real doméstico com exposição internacional e proteção patrimonial em dólar”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.

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