Reprodução/Internet
Dia Mundial da Obesidade: entenda a doença e como preveni-la
Publicidade

Dia Mundial da Obesidade: entenda a doença e como preveni-la

Especialistas do CEJAM explicam como o problema vai muito além da estética, sendo considerada uma doença crônica que exige atenção e tratamento multidisciplinar.


Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial da Obesidade, em 4 de março, busca reforçar a conscientização em relação aos cuidados com a doença e à adoção de hábitos mais saudáveis.

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade é considerada uma doença crônica não transmissível e está associada a uma série de complicações de saúde. Fatores envolvendo aspectos biológicos, culturais, psicossociais e socioeconômicos – como questões genéticas, hormonais, uso de medicações, sedentarismo, alimentação inadequada, má qualidade do sono e estresse excessivo  – estão entre as causas do desenvolvimento da doença.

Definições da obesidade

Segundo Solange Tavares da Silva Schenfeld, nutricionista na AMA/UBS Parque Fernanda, gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, a doença não se resume apenas ao excesso de peso.

“Metabolicamente, se há um gasto de energia inferior ao que consumimos na nossa alimentação diária e esse desbalanço se potencializa com a falta de exercícios físicos, o resultado pode acarretar um acúmulo exagerado de gordura corporal, caracterizando a obesidade".

A OMS classifica a obesidade de acordo com o índice de massa corporal (IMC), nos graus I, II e III. A especialista destaca que a antropometria é uma das formas de avaliação da obesidade, realizada nas consultas nutricionais. Essa avaliação vai além do IMC, considerando medidas como a circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e o cálculo da massa gorda por meio de pregas cutâneas.

Além disso, Solange explica que os exames laboratoriais e bioquímicos são essenciais para identificar alterações metabólicas e deficiências associadas ao excesso de peso. Métodos avançados, como bioimpedância e calorimetria indireta, permitem uma análise detalhada da composição corporal, separando massa muscular, gordura, ossos e líquidos, além de avaliar a capacidade do corpo de gastar energia.

Mas o peso não é apenas o fator determinante para essa definição. Atualmente, há uma nova classificação que divide a doença em obesidade pré-clínica e clínica, levando em consideração alguns agravos. A obesidade pré-clínica trata-se do aumento do tecido adiposo sem comorbidades associadas ou comprometimento dos tecidos e órgãos vitais. Entretanto, existe o risco do desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis a partir da obesidade.

Já a obesidade clínica é uma doença crônica e sistêmica, caracterizada por alterações funcionais em órgãos e tecidos ou no indivíduo como um todo, em decorrência do excesso de adiposidade, podendo culminar em lesões graves de órgãos-alvo, tais como infarto agudo do miocárdio, AVC e insuficiência renal e respiratória.

“Há fatores epigenéticos que mostram como o meio ambiente pode 'ativar' ou 'suprimir' alguns genes, inclusive o da obesidade. Dessa forma, mesmo que a pessoa tenha uma genética propícia ao desenvolvimento da obesidade, a alimentação e o estilo de vida contribuem muito para o seu surgimento”, explica Solange. 

Principais impactos

Entre as consequências a curto prazo, é possível incluir alterações em exames laboratoriais, baixa autoestima e dificuldades para dormir. A longo prazo, se os sintomas relacionados às comorbidades iniciais persistirem, pode ocorrer o surgimento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemias, lesão em órgãos alvo como: rins, coração, pulmão, fígado, intestino, veias e artérias, dificuldade na circulação do sangue, aumento do risco de Doença de Alzheimer, entre outros agravos à saúde. Sendo assim, os impactos da doença podem ocorrer em qualquer fase da vida.

Prevenção e cuidados

Segundo dados do Ministério da Saúde, publicados em junho de 2024, 24,3% da população adulta sofre com obesidade no Brasil. A nutricionista afirma que, com a industrialização no mundo, a população vem sofrendo com mudanças nos padrões alimentares, impactando diretamente no aumento de casos da doença.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Dados da Pesquisa de Estado Orçamentos Familiares (POF), de 2019, mostram que o brasileiro vem deixando de lado o famoso arroz e feijão para dar lugar mais frequentemente a fast foods e lanches rápidos. Isso, muito provavelmente, acontece devido à praticidade e à facilidade em pedir lanches por aplicativos, gerando um crescimento no consumo de ultraprocessados e contribuindo para o aumento da obesidade e doenças crônicas relacionadas”, aponta a nutricionista.

A prevenção começa na infância, com a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividades físicas. Além disso, a reeducação alimentar, em qualquer idade, é um fator significativo no combate à obesidade.

“A reeducação leva à escolha de alimentos saudáveis, in natura e minimamente processados, fazendo com que a pessoa tenha autonomia para fazer as próprias escolhas alimentares. A prática de exercícios físicos, por sua vez, aumenta o gasto calórico e contribui para um emagrecimento saudável e a mudança benéfica da composição corporal”, conclui.

Tratamento para Obesidade via SUS

Para combater a obesidade, o CEJAM implementou, em 2022, uma linha de cuidado específica para a doença, seguindo as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de um conjunto estruturado de ações voltadas para a prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pessoas com obesidade.

A iniciativa visa garantir um atendimento contínuo e integrado, promovendo mudanças de hábitos, controle de comorbidades associadas e, quando necessário, intervenções médicas e cirúrgicas. “O objetivo principal é proporcionar um tratamento eficaz e acessível, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e prevenindo complicações decorrentes da obesidade.” destaca Clevia da Silva Pampolha, gerente da UBS Jardim São Bento, administrada      pelo CEJAM em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

A linha de cuidado oferece atendimento multidisciplinar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) sob gestão da Instituição, com médicos, enfermeiros, nutricionistas e educadores físicos, além de grupos de educação e apoio. Para casos graves, com IMC ≥ 40 kg/m² ou ≥ 35 kg/m² com comorbidades, e quando outros tratamentos não se mostram eficazes, a cirurgia bariátrica é uma opção, embora não seja a única. Tratamentos medicamentosos e acompanhamento multidisciplinar intensivo também são alternativas oferecidas pelo SUS. Desde sua implementação, a linha de cuidado do CEJAM já beneficiou mais de 98 mil      pessoas.

Segundo Clevia, a conscientização sobre a obesidade como uma doença crônica, e não apenas uma questão estética, é fundamental para o enfrentamento desse problema de saúde pública. “A intensificação de políticas públicas, a disseminação de informações e o acesso a tratamentos adequados são essenciais para combater a obesidade e promover uma vida mais saudável para a população”, ressalta a especialista.

 

Sobre o CEJAM     

O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Campinas, Carapicuíba, Franco da Rocha, Guarulhos, Itu, Santos, São Roque, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos. 

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde. 
 
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS). O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição. 
 
No ano de 2025, a organização lança a campanha "365 novos dias de saúde, inovação e solidariedade", reforçando seu compromisso com os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança). 
 
Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição

Publicidade



O que achou desta notícia?


Cursos Básicos para Concursos