TESTES COMPARATIVOS

TESTES COMPARATIVOS


Os testes comparativos são uma versão tecnológica do método comparativo de análise, oriundo da ciência. Os métodos comparativos de análise são utilizados para comparar dois ou mais fenômenos ou objetos de estudo, com o intuito de identificar diferenças e semelhanças entre eles.

Essas diferenças e semelhanças, em seguida, são levadas em consideração para a construção de esquemas lógicos que expliquem o comportamento, também diferenciado ou similar, entre esses fenômenos ou objetos. Isso significa que a lógica encontrada é capaz de explicar o comportamento de todos eles, o que configura uma forma especial de generalização.

Generalização é uma palavra que os cientistas utilizam para dizer que aquilo que acontece com uma coisa — chamada cientificamente de fenômeno ou objeto — também tende a acontecer com todas as outras que foram comparadas. Note, porém, que a palavra “tendência” não é sinônimo de certeza.

A certeza não existe na ciência, apenas na filosofia. A ciência substitui a verdade pela probabilidade, que é a possibilidade de alguma consequência ou efeito ocorrer. É justamente essa possibilidade que é chamada de tendência. Esse esquema lógico é utilizado como pano de fundo para a realização dos chamados testes comparativos.

Os testes comparativos são realizados para comparar o protótipo que está sendo gerado com outros produtos similares, principalmente os concorrentes. Também são feitos para comparar diferentes versões de protótipos.

Os protótipos da tecnologia A, por exemplo, são comparados com tecnologias similares B, C, D ou outras, em busca de se conhecer o que eles têm em comum e no que se diferenciam. Contudo, diferentemente do que é pretendido pela ciência, os testes comparativos não procuram uma explicação comum a todos, nem explicar comportamentos em busca de generalização.

Os testes comparativos querem saber qual é o melhor entre os protótipos de tecnologia que os cientistas estão inventando e as tecnologias concorrentes B, C, D e outras. Para saber qual é o melhor, os cientistas utilizam focos de análise, como usabilidade, design, funcionalidade, custos e atratividade, entre vários outros.

A cada reprovação, ajustes e reajustes são feitos nos protótipos, para que novos testes comparativos sejam realizados. Caso os resultados novamente não estejam em conformidade com o esperado, novos ajustes, reajustes e testes devem ser feitos, até que a conformidade esperada seja alcançada.

Como são feitos os testes comparativos de protótipos? Em primeiro lugar, é necessário que se tenham os protótipos para que possam ser comparados com as tecnologias existentes e, naturalmente, entre si. Cada protótipo deve apresentar diferenciações nos focos de análise, como usabilidade, design e custos.

Em seguida, devem ser selecionados os públicos-alvo, que são as pessoas responsáveis pelas avaliações cujos dados serão utilizados para fazer as comparações. É necessário que os componentes desses grupos tenham perfis similares. Preferencialmente, sempre que possível, devem ser os mesmos integrantes dos grupos focais.

A partir dessas providências, podem ser executados os testes, momentos em que as diferentes versões dos protótipos são apresentadas e utilizadas pelos participantes da avaliação, obedecendo a determinados protocolos, como a execução de tarefas, respostas a questões e assim sucessivamente.

Durante a execução do teste, dados são coletados de diferentes fontes para cada foco da pesquisa, configurando o que se chama de triangulação. Nesse processo, dados diferentes sobre o mesmo foco são utilizados para gerar resultados distintos separadamente, mas que, quando unidos, levam a conclusões muitas vezes inesperadas.

Depois de coletados, os dados devem ser organizados e manuseados em conformidade com alguma técnica válida de análise. A validade do instrumento de coleta e da técnica de análise é o que leva à confiabilidade dos resultados, motivo fundamental para que sejam devida e tecnicamente selecionados.

Somente então os resultados são analisados para cada foco da pesquisa. Também podem ser considerados aspectos interessantes, como o tempo gasto para executar tarefas, as taxas de sucesso e fracasso e inúmeros outros.

Com base nos resultados obtidos, devem ser realizadas alterações nos aspectos em que os protótipos foram reprovados, por meio de esquemas de ajustes e reajustes. Dessa maneira, é possível identificar qual dos protótipos é o mais promissor para prosseguir nas etapas futuras de transformação em tecnologia.

Os testes comparativos trazem vários benefícios para as equipes de geração tecnológica e para os protótipos que estão sendo testados. Eles permitem melhorar significativamente a usabilidade, porque identificam com facilidade as dificuldades e falhas de manuseio.

Também fica muito mais fácil validar o design do protótipo a partir das preferências do público-alvo, verificando se ele atende ou não às suas expectativas. Os testes detectam, ainda, as diferenças de desempenho entre os protótipos e as tecnologias concorrentes comparadas.

Além disso, permitem que os cientistas e as equipes gestoras tomem decisões baseadas em dados qualitativos e quantitativos produzidos durante os testes. Também economizam tempo, dinheiro e outros recursos, tornando mais eficientes e confiáveis os ajustes e reajustes, assim como a decisão pela continuidade ou descontinuidade de algum protótipo.

Os testes comparativos não podem ser confundidos com o método comparativo de análise. Eles são similares apenas em escopo, mas possuem finalidades, etapas e técnicas distintas.

Enquanto, na ciência, a pretensão é gerar conhecimentos, na geração tecnológica o objetivo é avaliar o protótipo e verificar o quanto ele é bom ou capaz de se transformar em tecnologia, em conformidade com determinados parâmetros e padrões.

Os testes comparativos são realizados em aspectos específicos de cada protótipo e das tecnologias concorrentes, como custo, usabilidade e atratividade. Isso significa que esses aspectos devem ser comuns a todos, característica denominada comunalidade.

É necessário, portanto, que esses testes sejam planejados, executados e avaliados por especialistas em engenharia de produtos e áreas correlatas, para que os resultados obtidos possam ser utilizados de forma confiável nas decisões das equipes de criação e de gestão da tecnologia.


Dr. Daniel Nascimento e Silva

Dr. Daniel Nascimento e Silva

PhD, Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)



O que achou deste artigo?