O período de estiagem no Amapá, marcado pela intensificação das queimadas e pela presença de fumaça no ar, acende um alerta para os cuidados com a saúde. Nesse cenário, o Hospital de Emergência (HE), enfrenta o desafio de atender pacientes com diferentes níveis de gravidade, incluindo aqueles que apresentam quadros de menor complexidade e poderiam receber assistência em outros serviços da rede pública, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA)
Os dados do censo de atendimentos de 2026 da Unidade mostram o crescimento da procura pela unidade ao longo dos meses. Em março, foram registrados 3.599 atendimentos. Em abril, o número chegou a 8.533 e, em maio, alcançou 9.364.
Em junho, foram contabilizados 9.063 registros, seguidos por 10.036 em julho e 10.458 em agosto, mês com o maior volume do período apresentado. Em setembro, o levantamento aponta 6.497 atendimentos. A Maioria dessas casos não são perfil de atendimento do HE e sim das UBS”s.
O diretor do HE, Djalma Guedes, destaca a importância de a população procurar o serviço de saúde adequado para cada situação, contribuindo para a organização do fluxo hospitalar e para que os pacientes em estado grave recebam assistência prioritária.
“Grande parte da demanda que chega ao Hospital de Emergência é formada por pacientes que poderiam ser atendidos na atenção primária ou nas unidades de pronto atendimento. Quando esses casos procuram diretamente o hospital, há impacto no fluxo assistencial e maior pressão sobre uma estrutura que precisa estar preparada para situações graves e de risco à vida”, explicou o diretor.
A classificação de risco é essencial para organizar o fluxo de atendimento. Nesse processo, a equipe avalia os sintomas e a gravidade de cada caso para definir a prioridade, independentemente da ordem de chegada. No censo de 2026, os atendimentos classificados como moderados somaram 23.099 registros, equivalentes a 40,1% do total anual informado.
Outros 19.240 foram classificados como pouco urgentes, representando 33,4%. Já os casos muito urgentes totalizaram 7.380 atendimentos (12,8%), enquanto a categoria emergência reuniu 344 registros (0,6%).
“O hospital de Emergência trabalha seguindo critérios clínicos rigorosos. Os pacientes classificados nas categorias de maior gravidade recebem atendimento prioritário, enquanto os casos menos complexos são atendidos conforme a avaliação de risco realizada pela equipe multiprofissional”, ressaltou.
A triagem na porta de entrada segue o Protocolo de Manchester, que organiza os atendimentos por prioridade, conforme a gravidade dos sintomas.
❤️Vermelho: emergência – atendimento imediato
🧡Laranja: muito urgente
💛Amarelo: urgente
💚Verde: pouco urgente
💙Azul: não urgente
Os pacientes classificados como verde e azul deveriam ser atendidos em UBSs, enquanto os amarelos são casos para as UPAs. O HE é o local para os perfis vermelho e laranja, que são urgências e emergências
A população deve observar o perfil de cada serviço da rede pública. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são indicadas para consultas de rotina, prevenção, acompanhamento de doenças crônicas e problemas de menor complexidade.
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) recebem situações de urgência que precisam de avaliação rápida. Já o Hospital de Emergência atende principalmente casos que necessitam de assistência hospitalar, como traumas e quadros clínicos graves. A orientação é buscar o serviço mais adequado aos sintomas, sem deixar de procurar atendimento quando necessário.
O HE atende pacientes adultos de todo o Amapá e de ilhas do Pará, recebendo tanto os que chegam por meios próprios quanto os encaminhados por ambulâncias do Samu e unidades de saúde. Apesar da alta demanda, a equipe reforça que a organização da rede é essencial para garantir o funcionamento do sistema.
“O HE é um hospital de urgência e emergência, e precisa estar sempre disponível para salvar vidas. Para isso, é importante que cada unidade cumpra seu papel e que o paciente procure o serviço certo, no momento certo”, conclui o diretor.
Karla Marques - Sesa
