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Expofeira 2026

Da floresta às ruas: Galeria R. Peixe celebra a diversidade da arte amapaense na Expofeira 2026

Com mudança de expositores a cada dois dias, espaço valoriza diferentes linguagens de artistas dos 16 municípios.

A
Agência de Notícias do Amapá 11/08/2026 às 00:00
Da floresta às ruas: Galeria R. Peixe celebra a diversidade da arte amapaense na Expofeira 2026
Peças artesanais celebram a ancestralidade e a diversidade cultural do Amapá

Da floresta às ruas. Das sementes às telas. Do artesanato indígena ao grafite. A arte amapaense ocupa um espaço próprio na Expofeira 2026, do Governo do Amapá, e revela, em cada obra, um pouco da identidade e da criatividade de quem produz cultura no estado. É a proposta da Galeria de Artes R. Peixe, que nesta edição ganhou uma estrutura maior, mais confortável e preparada para receber diferentes linguagens artísticas.

Criada a partir de uma demanda dos próprios trabalhadores da cultura, a galeria começou a ganhar forma em 2023. Na época, o espaço era menor. Hoje, a estrutura tem cerca de 8 metros por 10 metros, com divisória interna e organização pensada para receber exposições distintas ao longo da feira.

Para Mapige Gemaque, vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura, a transformação representa uma conquista construída pelo próprio setor cultural. "Hoje nós estamos com um espaço de qualidade, mais estruturado. É uma conquista do setor cultural", destaca.

A proposta conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), e nasceu do diálogo entre artistas, artesãos, Conselho de Cultura e equipe técnica da pasta.

Público aproveitou para comprar peças dos artistas amapaenses

Uma galeria, muitas histórias

A experiência de visitar a Galeria R. Peixe muda a cada dois dias. Em vez de uma única exposição durante toda a Expofeira, novos artistas ocupam o espaço em diferentes períodos da programação.

São quatro montagens, quatro vernissages e quatro desmontagens, o que permite que um número maior de artistas e artesãos apresente seu trabalho ao público.

A seleção ocorreu por meio de edital da Secult. Depois da escolha técnica, os conselheiros acompanham a organização das exposições e ajudam a construir uma sequência que considere as linguagens e os temas apresentados pelos artistas.

A iniciativa também descentraliza o acesso à galeria. Nesta edição, 60% das cotas são destinadas aos municípios, com representantes dos 16 municípios do Amapá.

"Nosso papel é ser o elo dos trabalhadores culturais com a Secult. A gente recebe os selecionados, organiza os dias e busca fazer com que as exposições dialoguem entre si", explica Mapige.

Na exposição desta segunda-feira (10) e terça-feira (11), o público encontra trabalhos de Ronaldo Rony, Gabriela Campelo, Vivalda, Arthur Henrique, Werick Claiver CL4, Andressa Oliveira, Coleção Pop em Biscuit, Elisana Artes, Suely Pantoja, Carmita Medeiros, Zizi Artesã, Lourane Santos e Lana Vicência. São telas, quadros, esculturas, peças artesanais, moda e outras formas de expressão que dividem o mesmo espaço.

A experiência de visitar a Galeria R. Peixe muda a cada dois dias

Homenagem a quem ensina pela arte

No centro dessa edição está também uma homenagem à trajetória de um dos artistas autodidatas do Amapá: J. Sales, de 80 anos.

A cada Expofeira, a Galeria R. Peixe escolhe um artista para receber o reconhecimento. Já foram homenageados Ramon Peixe, Estevam da Silva e Ivan Amanajás. Em 2026, a vez é de J. Sales.

A homenagem ganha um significado especial porque Ivan Amanajás, homenageado no ano passado, foi aluno de J. Sales e aprendeu com ele técnicas do paisagismo amazônico.

A escolha faz parte da proposta de reconhecer os mestres da arte em vida, diante do público e daqueles que continuam a aprender com suas trajetórias.

Das ruas para a galeria

Quem passar pela Galeria R. Peixe nesta terça-feira, 11, vai encontrar uma cena diferente: artistas com latas de spray nas mãos, telas em branco e muita cor surgindo diante dos olhos do público. Os grafiteiros Gabriela Campelo, Arthur Henrique e Werick Claiver, produzem telas ao vivo do lado de fora da galeria. As obras integram a exposição.

Para CL4, nome artístico de Werick Claiver, de 25 anos, a oportunidade representa um passo importante para uma arte que nasceu nas ruas e ainda busca mais reconhecimento: "A gente espera esse reconhecimento que merece. Ter um espaço para pintar, expor nossas obras e trazer as pessoas para conhecer nosso trabalho".

Arthur Henrique, de 20 anos, vê na Expofeira uma oportunidade de mostrar que a linguagem também pode ocupar as galerias. "É muito importante apresentar o grafite de uma forma diferente, não só nas ruas, mas também na tela, principalmente em um evento tão grande".

Gabriela Campelo, de 30 anos, decidiu levar o processo criativo para perto do público. Suas personagens femininas, chamadas de "sentinelas", observam o movimento da rua.

Na obra produzida na Expofeira, duas mulheres aparecem ligadas pelo cabelo, em uma representação da união e da força feminina. "Elas são minhas sentinelas, minhas vigilantes. É um pedacinho de mim que fica lá na rua".

Da floresta à ancestralidade

Dentro da galeria, outras histórias chegam de longe. Luciana Santos Waiana e Vitor Waiana, mãe e filho, participam pela primeira vez da Expofeira com peças produzidas no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, entre sementes, elementos naturais e técnicas tradicionais indígenas.

Para Luciana, a presença na feira representa uma oportunidade de apresentar ao público uma produção que nasce no território. "Esta é uma oportunidade para nós, principalmente para a cultura indígena do Parque Tumucumaque. As pessoas estão conhecendo nosso trabalho e espero que possamos também vender nossas peças".

Luciana e Vitor Waiana levam a arte indígena da Aldeia Bona, no Tumucumaque, à Expofeira

Também está na galeria Iziz Farias, artesã que trabalha com fios de contas e peças inspiradas na cultura e na religiosidade de matriz africana. Sementes, pedras, conchas e outros elementos naturais fazem parte das criações.

"Fico muito feliz por estar representando a religiosidade. Cada peça tem elementos da natureza que representam cada orixá".

A presença de artesãos indígenas, artistas visuais, grafiteiros e produtores de diferentes linguagens mostra a dimensão que a galeria ganhou dentro da Expofeira. A Galeria R. Peixe se tornou uma vitrine para quem produz arte no Amapá. Um lugar onde o público pode conhecer novos talentos, reencontrar mestres, descobrir histórias e perceber que a cultura amapaense tem muitos caminhos para chegar até ele.

E a cada dois dias, uma nova exposição começa. Novos rostos, novas obras e novas histórias entram em cena.

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