Registro de época de mulheres no calçadão carioca ilustra a discussão sobre as curvas associadas à imagem do “corpo da brasileira” e as mudanças nos padrões estéticos
Cintura marcada, quadris amplos, bumbum volumoso e coxas cheias ajudaram a construir a imagem culturalmente associada ao “corpo da brasileira”. A harmonização glútea, porém, permite trabalhar essas proporções de maneiras diferentes: aumentar a projeção para trás, preencher entradas laterais ou acentuar o contraste com a cintura. Se antes o tamanho concentrava a atenção, o desenho das curvas também entra nessa discussão. Até que ponto esses procedimentos estão transformando essa silhueta?
O interesse por modificar essa região aparece também nas pesquisas on-line. Dados do Google Trends apontam que a procura por “harmonização glútea” foi 2.100% maior no primeiro semestre de 2026 em comparação a 2025. Para Chris Lima, médico referência em harmonização corporal, da Clínica Michelon, em João Pessoa, a popularização coloca em evidência a possibilidade de escolher quais proporções modificar. “A harmonização permite trabalhar um contorno específico. Uma pessoa pode estar satisfeita com o tamanho do bumbum e querer mudar a lateral do quadril. O resultado pode ser uma silhueta diferente, mesmo sem um grande aumento de volume.”
Na análise do médico, portanto, a resposta é sim: ao modificar as laterais e a projeção, a harmonização pode redesenhar a silhueta culturalmente associada à brasileira. Isso acontece porque um bumbum naturalmente volumoso não tem, necessariamente, uma lateral arredondada. Podem existir entradas entre o quadril e a coxa, conhecidas como hip dips, cuja aparência depende da estrutura óssea e da distribuição de músculo e gordura. Abaixo delas, a saliência do culote pode acentuar o contraste. Suavizar essas entradas pode tornar a linha entre quadril e coxa mais contínua e destacar visualmente a cintura. A mudança está, assim, na relação entre as curvas, sem que exista um único formato natural comum às brasileiras.
Para produzir essas alterações, o planejamento considera onde acrescentar volume e quais características preservar. Preencher a lateral pode modificar a largura aparente do quadril, enquanto concentrar volume atrás favorece a projeção no perfil. Preencher uma entrada, porém, não elimina o culote nem modifica a estrutura óssea. A escolha do produto, da quantidade e da técnica depende da avaliação individual, com discussão de riscos como infecção, nódulos e complicações vasculares. “A mesma quantidade distribuída em pontos diferentes pode produzir contornos distintos. Eu preciso explicar essa diferença e os limites de cada corpo antes de intervir. Redesenhar a silhueta não significa que todas as pacientes devam terminar com o mesmo formato”, conclui.
Sobre o médico
Chris Bacelar Lima (CRM-PB 15.387) é médico com atuação em harmonização glútea, remodelação corporal e tratamento da celulite. Atende na Clínica Michelon, em João Pessoa (PB), com foco na avaliação do contorno corporal, das assimetrias e da qualidade da pele.
Créditos: @dr.chrisbacelarlima | @clinicamichelon | CO ASSESSORIA
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