Um passeio em família no fim da tarde de sábado, 26, virou oportunidade de aprendizado para o estudante Lucas Castillo, de 23 anos. Ao caminhar pelo Macapá Shopping acompanhado da mulher, a professora Isabela Castillo, 23, e das filhas Clara, de 8 meses, e Elena, de 3 anos, o casal foi atraído pelas atividades da "Campanha De Olho nos Olhinhos", realizada pelo Governo do Amapá.
"Essa conscientização é muito importante e inovadora para nós. Eu mesmo não tinha conhecimento sobre a doença e ainda não tínhamos feito esse acompanhamento específico com as meninas, mas, depois das orientações que recebemos aqui, com certeza vamos atrás para avaliar a visão delas", relatou Lucas.
Enquanto os pais recebiam orientações técnicas e panfletos explicativos da equipe da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), as crianças contavam com um espaço de acolhimento lúdico. Com distribuição de pipoca, cadernos e giz de cera, os pequenos participaram de atividades de pintura enquanto a mensagem de prevenção era transmitida à família.
Organizada pela Coordenadoria de Políticas de Atenção à Saúde (Cpas), a mobilização integra o Dia D da campanha nacional, realizada simultaneamente em 62 municípios brasileiros. A ação tem como foco alertar para o retinoblastoma, um tumor ocular raro que atinge majoritariamente crianças de 0 a 5 anos.
A coordenadora da Cpas, Sandra Elisa Souza, enfatiza que a detecção antecipada é determinante para salvar a visão e a vida dos pacientes. "É o segundo ano que realizamos essa ação educativa no Macapá Shopping dentro deste movimento nacional. O retinoblastoma é um tipo de câncer ocular que afeta o público infantil e que possui um índice de cura superior a 90% quando diagnosticado precocemente", ressaltou a coordenadora.
A doença afeta a retina, estrutura responsável por captar a luz e enviar as imagens ao cérebro, e tem como sinal mais evidente o reflexo esbranquiçado na pupila, o famoso "olho de gato", perceptível sob luz direta ou em fotos com flash. Alterações como estrabismo, sensibilidade à luz e vermelhidão persistente também exigem avaliação médica imediata.
"Estamos realizando esse trabalho preventivo, essencial para a identificação precoce de alterações visuais. Recomendamos que os pais levem as crianças de 0 a 5 anos ao oftalmologista regularmente, pois quanto antes identificamos o problema, maiores são as chances de cura", enfatizou Macelir Kobayashi, secretária adjunta de Atenção à Saúde da Sesa.
A rede pública estadual atua na linha de cuidado visual desde o nascimento, realizando o Teste do Olhinho em recém-nascidos na Maternidade e Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML). Ao notar qualquer sinal suspeito em casa, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para triagem e encaminhamento ao especialista na rede estadual, sem a necessidade de aguardar por campanhas temporárias.
