Messias Machado Barbosa, de 31 anos, foi condenado nesta quinta-feira (19) a 16 anos e 6 meses de prisão pela morte de Thayla Cristina Ferreira, à época com apenas 1 ano de idade. O julgamento marcou o retorno das atividades presenciais do Tribunal do Júri em Macapá.
Barbosa foi denunciado pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP) pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e sem chance de defesa para a vítima.
Todas as qualificadoras foram aceitas pelos jurados e a pena será cumprida em inicialmente em regime fechado. Ele ainda teve negado o pedido para responder em liberdade.
Divisórias no plenário do Tribunal do Júri, em Macapá — Foto: Victor Vidigal/G1
O promotor de Justiça, Eli Pinheiro, detalhou que o crime foi cometido por Messias não aceitar o fim do relacionamento de quatro meses com a mãe da criança. Ele ainda foi condenado a pagar multa de R$ 13,5 mil para a ex-companheira por danos morais e materiais.
O homem, que está preso desde a época do homicídio, confessou a autoria do assassinato após ser detido.
"A mãe deu fim ao relacionamento que eles tinham já durante quatro meses e ele inconformado com a situação, ele raptou a criança na madrugada do dia do crime e a levou para a casa dele no bairro Universidade, na esperança de que com a criança ele poderia atrair a atenção da mãe. Ele passou a ligar para a genitora da criança e ela disse que não gostaria de reatar o relacionamento. Com isso, ele se desligou de forma inusitada da criança jogando-a no lago de cabeça para baixo", disse o promotor.
Messias Machado Barbosa confessou crime à polícia — Foto: Reprodução
A defesa do réu, representada pelo advogado Hugo Silva trabalhou a tese de que Messias não tinha intenção de matar a criança, mas que por conta de negligência a deixou sozinha e o afogamento aconteceu.
"O objetivo da defesa agora é tentar desclassificar o homicídio culposo, visando que o que realmente aconteceu foi que o mesmo teria discutido com a mãe e abandonou a criança próximo ao lago, momento oportuno que ele a abandonou e foi embora, só que sequer ele teve intenção de matar. Agiu com uma questão de negligência", alegou.
Pai de Thayla em frente ao Fórum de Macapá aguardando julgamento — Foto: Victor Vidigal/G1
O pai de Thayla, o açougueiro Tayo da Silva Lima, que estava em Belém, no Pará, na época do ocorrido, acompanhou o fim do julgamento ao lado de fora do Fórum. Ele não escondeu a tristeza e revolta pela morte da filha.
"Já foi um 1 ano e 10 meses nessa luta, 6 vezes já adiado o julgamento. A gente quer Justiça, mas para mim 10 anos, 20 anos, 30 anos não é nada, porque eu perdi minha filha, foi tirada minha vida. O meu sentimento é de revolta, eu queria que essa cara morresse", lamentou.
Retorno das atividades
Álcool em gel foi disponibilizado na entrada do plenário — Foto: Victor Vidigal/G1
Divisórias no plenário, jurados com máscaras de proteção e face shield, distanciamento entre as pessoas e álcool em gel disponível a todos. Foi assim que o Tribunal do Júri retomou nesta quinta os julgamentos presenciais no Fórum da capital. A sessão não pôde ser acompanhada por espectadores.
Segundo a chefe de secretaria do Tribunal do Júri, Shirley Nunes, as medidas foram adotadas para tentar amenizar a possibilidade de contaminação durante a sessão. Inicialmente, serão julgados presencialmente em agosto 3 réus presos e em setembro mais 2.
"Na medida que a percebermos que conseguimos ir evoluindo com segurança para todo mundo, vamos pautar os processos mais antigos, que não sejam tão demorados, porque sabemos que quanto mais demorado o júri, maior a possibilidade de contaminação", explica.
Crime
De acordo com a investigação feita pela Delegacia de Homicídios, após receber a notícia do término do namoro, foi até a casa da mãe da menina, entrou sem consentimento dos familiares e num momento de distração levou a menina, que foi encontrada horas depois sem vida.
Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) capturaram Messias às 15h do mesmo dia na casa de um parente no bairro Morada das Palmeiras, na Zona Norte.
Ele foi apresentado na delegacia, onde confessou toda a ação. Segundo declarou na época, os dois ainda estavam namorando e ele deixou a criança sozinha em uma área de mato por ciúmes.
Fonte: G1-AP / Foto: Redes Sociais/Reprodução
