A Delegacia de Homicídios da Polícia Civil divulgou nesta terça-feira (20) imagens de câmeras de segurança que embasam o inquérito que levou à prisão de 5 policiais militares investigados pelo homicídio de um jovem de 22 anos em julho de 2019, em Macapá. Os vídeos mostram a ação dos suspeitos, que estavam à paisana, e a execução da vítima.
A prisão aconteceu na sexta-feira (16) e foi necessária, segundo a Polícia Civil, para deter envolvidos que tentavam atrapalhar a apuração dos fatos. O delegado do caso, Cézar Ávila, detalhou que os militares se recusam a falar sobre o que ocorreu ou informar quem participou do crime.
De acordo com as imagens de segurança, das 9 pessoas que estavam no local da execução, 6 policiais foram identificados e 5 foram presos. A execução aconteceu em julho de 2019 durante uma confusão próxima a uma casa de shows no bairro Jardim Marco Zero, na Zona Sul
Com imagens das câmeras de segurança e relatos de testemunhas, foi possível pela delegacia montar a história e fazer o reconhecimento de alguns dos envolvidos.
O nome da vítima, nem dos PMs foram informados pela Polícia Civil. A operação que levou à prisão contou com apoio da Corregedoria da Polícia Militar (PM).
Cronologia
Na filmagem, por volta de 3h, aparecem dois homens fugindo de um grupo de pessoas, das quais pelo menos 6 foram identificados como policiais. Um deles saca uma arma e atira de longe contra a dupla.
A dupla corre, mas volta para buscar o óculos que caiu do rosto de um dos dois durante o ataque. Nesse momento, o policial armado se aproxima de um deles, de 19 anos, e o espanca na calçada.
O amigo, de 22 anos, vê a cena e sai correndo, mas é atingido pelas costas e cai morto logo em seguida.
Contradições
A Polícia Civil chegou no local aproximadamente uma hora após o assassinato e encontrou embaixo do corpo uma arma, da qual ainda é apurada a origem.
De acordo com o delegado Cézar Ávila, as imagens de segurança e as testemunhas revelam que a vítima não tinha posse de arma e não houve confronto.
Dos 6 militares identificados, apenas um tentou impedir a ação dos companheiros e não compactuou com o homicídio, concluiu Ávila.
"Os outros aderiram ao crime permanecendo ali inertes, mesmo sendo policiais de folga, eles deviam ter reagido para tentar impedir o resultado, mas não fizeram. Posteriormente ao crime também não contribuíram de forma alguma e não acionaram a polícia, não ficaram no local, e espontaneamente não vieram prestar depoimento”.
O delegado informou ainda que o homem executado, que também não teve o nome revelado, tinha passagem por roubo, entretanto, estava há mais de 1 ano num projeto de ressocialização e trabalhava na prefeitura de Macapá. O homem que foi espancado tem emprego fixo e nunca respondeu por crimes.
Apesar da dificuldade em conseguir relatos dos policiais que estavam presentes na noite da execução, a investigação recebe o apoio da Polícia Militar (PM), que tem contribuído com os pedidos da delegacia.
“Tudo que foi pedido para a Polícia Militar, eles atenderam prontamente, não dificultaram em nada, pelo contrário, facilitaram. O próprio batalhão dos policiais, tudo que eu peço na mesma hora eles respondem. Foi uma situação particular, os envolvidos estavam de folga e o ato não tem uma relação com atividade de trabalho”, informou o delegado.
Em relação ao tempo de quase dois anos para divulgar o andamento do caso, Ávila explicou que é devido à dificuldade em recolher as provas de quem presenciou a perseguição da dupla.
Segundo o delegado, as imagens da câmera de segurança estavam muito embaçadas, o que dificultou o reconhecimento dos investigados. Além disso, os policiais presos não contribuem ou respondem perguntas sobre o crime, o que leva as investigações a apontarem a existência de um "pacto de silêncio" entre os envolvidos.
O inquérito ainda não foi concluído e as investigações continuam. Os suspeitos podem ser indiciados pelos crimes de homicídio qualificado, lesão corporal e disparo em local público.
A comunicação da Polícia Militar (PM) informou que o caso está em segredo de Justiça e que inicialmente não comentará.
Reforçou ainda que a ocorrência aconteceu durante a folga dos militares e que eles se apresentaram na corregedoria ao longo das investigações.
Fonte: G1-AP / Foto: Reprodução/Rede Amazônica
