Em um país que registrou 66.041 estupros em 2018, o Amapá foi na contramão e fechou o ano passado com queda nos dados de violência sexual. Segundo informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP), a redução foi de 28,2% nos casos em relação a 2017.
Os números, fornecidos pelos próprios governos estaduais, mostraram que os estupros caíram de 398 para 297, resultando numa taxa de 35,8 registros a cada 100 mil habitantes, a 10ª mais alta do país.
Apesar da redução, ainda é preocupante a incidência dos casos, principalmente contra mulheres e crianças, o que motiva os órgãos de segurança pública e de assistência social a elaborarem estratégias a fim de combater a origem da violência, muitas vezes cometida por familiares.
Outro dado que corrobora para manter o alerta sobre a violência sexual foi o aumento dos casos registrados e denunciados de tentativa de estupro, que subiram 57,4%, passando de 22 em 2017 para 36 em 2018.
No Amapá, ações preventivas e de acolhimento às vítimas que sofreram a violência e denunciaram os crimes, são realizadas por uma rede integrada de atendimento, como os centros de referência de atenção a mulher (Cram) e a família (Camuf), hospitais e delegacias.
" A rede de atendimento á mulher visa dar atendimento integral à mulher vítima de violência. Quando uma mulher procura um dos locais da rede, ela entra nessa rede e faz todo o acompanhamento integral", explicou Renata Apóstolo Santana, titular da Secretaria Extraordinária de Políticas para Mulheres (SEPM), do governo estadual.
A rede de atenção não atua apenas para casos de estupro, mas também com todo tipo de violência física e moral, que podem desencadear outras formas de agressões.
"A busca diária para dar informações à sociedade, dar visibilidade às campanhas que realizamos e o enfrentamento feito pela segurança pública e o Ministério Público, a Justiça, a presença da polícia na comunidade, isso é muito importante", reiterou Renata.
Apesar da queda, o Anuário de Segurança Pública aponta que a maior parte dos casos sequer chega às delegacias. Entre os motivos para a baixa notificação estão o medo de retaliação por parte do agressor, que é geralmente conhecido da vítima, receio de julgamento e descrédito nas instituições policiais e de Justiça.
Pesquisa produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2016 mostrou que 43% dos brasileiros do sexo masculino com 16 anos ou mais acreditavam que “mulheres que não se dão ao respeito são estupradas”.
Fonte: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2019/09/19/casos-de-estupro-reduzem-28percent-em-2019-no-amapa-tentativas-sobem-57percent.ghtml / Foto: TV Globo/Reprodução
