Os casos de latrocínios, caracterizados pelo roubo seguido de morte, cresceram no Amapá. Relatório da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostra que nos 7 primeiros meses de 2021 foram 12 crimes do tipo, contra 7 de janeiro a julho do ano passado.
A alta foi foi de 71,43% entre um ano e outro. No mesmo período, o relatório detalha queda de 7,8% nos casos de homicídios no estado.
Para o Ministério Público (MP-AP), polícia e um especialista, o aumento pode ser explicado através do contexto socioeconômico do estado.
"Na visão do MP, as causas que têm levado a esse aumento significativo são o contexto econômico decorrente da pandemia, aumento da venda de drogas, crescimento das organizações criminosas e o o fluxo migratório para Macapá", avalia o promotor de Justiça, Iaci Pelaes.
A Polícia Militar (PM), responsável pelo atendimento inicial desses crimes, entende que a retomada do comércio e da circulação de pessoas também influenciaram nos casos de latrocínios, detalha o diretor de comunicação da corporação, tenente Josiagab Oliveira.
"Atribuímos, principalmente, com a liberação de algumas atividades comerciais. De certa forma, isso faz com que circule mais pessoas nas ruas e também circule mais dinheiro. Esses criminosos armados roubam e em alguns casos a vítima morre porque eles são violentos e qualquer tipo de reação atiram", pontuou o militar.
Segundo o perito criminal aposentado da Polícia Civil do Distrito Federal (DF), Cássio Thyone, o cenário de crescimento dos latrocínios não é uma tendência nacional, já que entre 2019 e 2020 o Brasil registrou queda de 10% nesses crimes.
"No ano passado nós tivemos um decréscimo da ordem de 10% do número de latrocínios no país todo, se a gente considerar a variação de 2019 para 2020. Então, nós podemos entender que o Amapá está experimentando uma tendência de crescimento que é contrária à tendência que se verifica no país como um todo", avaliou.
Por Kelison Neves e Victor Vidigal, G1 AP e Rede Amazônica — Macapá
Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica
