Muito além da assistência médica, o cuidado com pacientes internados também envolve acolhimento, orientação e atenção às condições sociais que podem interferir no tratamento. Nos hospitais da rede estadual, o Serviço Social atua de forma integrada às equipes de saúde para identificar situações de vulnerabilidade, orientar sobre direitos e benefícios, localizar familiares e articular encaminhamentos com outros serviços públicos, contribuindo para uma assistência mais segura e humanizada.
No Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), o trabalho é realizado diariamente em diferentes setores, como enfermarias, Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ambulatório e Pronto Atendimento Infantil. Segundo o assistente social Rodrigo Viegas, que atua na unidade há 13 anos, a equipe realiza visitas regulares e também atende demandas identificadas por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais.
"Nós fazemos um trabalho preventivo, fazemos visitas diárias às famílias e, quando identificamos alguma situação, fazemos uma discussão com a equipe multiprofissional para buscar o melhor direcionamento", explica.
Entre as situações acompanhadas estão a conferência e regularização de documentos, encaminhamentos para órgãos como Conselho Tutelar e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além da articulação com serviços da rede de proteção. Em casos específicos, instituições como a Politec e o Super Fácil podem ser acionadas para atender pacientes que não têm condições de deixar o hospital. O Serviço Social também acompanha demandas dos familiares e busca organizar encaminhamentos que contribuam para uma alta responsável e para a continuidade do cuidado fora da unidade.
Para Benedita dos Santos, avó de uma criança internada há cerca de quatro meses, o acompanhamento é importante principalmente diante das dificuldades enfrentadas pela família, advinda do município de Afuá durante o período de hospitalização. "O atendimento aqui é muito bom, eles estão sempre aqui conversando com a gente, nos orientando, e nos ajudando em tudo que é necessário. Tiram nossas duvidas, é muito bom ter esse acolhimento deles ".
O apoio também é percebido pelos pais que acompanham os filhos durante longas internações. Valdeci de Oliveira, natural do Pará, acompanha o filho, que está internado na unidade. Para ele, a presença da equipe traz segurança em um período marcado pela preocupação com a saúde da criança.
"É importante porque eles sempre vêm aqui conversar, perguntar como está. A gente fica feliz com esse acompanhamento", afirma. Em uma das conversas com a família, o Serviço Social identificou ainda que a mãe da criança aguardava atendimento em outra unidade de saúde e articulou o contato para tentar facilitar o acesso ao serviço, mostrando que o acompanhamento pode envolver necessidades de toda a família.
A atuação também busca tornar a experiência hospitalar menos difícil para as crianças. Rodrigo lembra o caso de um menino de oito anos, internado após uma picada de cobra, que contou à equipe que nunca havia tido uma festa de aniversário. Em uma ação conjunta entre Serviço Social, Psicologia e outros profissionais, a equipe organizou uma comemoração para o paciente.
"A gente procura fazer esse a mais, ter um olhar mais humanizado, para que a criança não crie um trauma com o serviço hospitalar", relata. Atualmente, o HCA conta com 13 assistentes sociais do quadro da unidade, além de profissionais plantonistas, e mantém atendimento social em regime de plantão 24 horas. Pacientes e familiares podem procurar diretamente o Serviço Social ou ser encaminhados pelos demais profissionais da equipe de saúde.
