Nesta quinta-feira, 10, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o Governo do Amapá reforça a importância da atenção à saúde mental e do fortalecimento da rede pública de assistência. A identificação precoce de sinais de sofrimento emocional, aliada a um acolhimento humanizado e sem julgamentos, é fundamental para preservar vidas e garantir o acompanhamento adequado à população.
A atuação preventiva exige atenção do meio social e familiar para reconhecer mudanças comportamentais. Isolamento social, frases recorrentes de desesperança ou sobre ser um fardo, despedidas atípicas, doação de pertences, apatia e oscilações bruscas no sono e humor demandam suporte especializado imediato. Ao notar esses sinais, familiares e amigos devem oferecer escuta empática e encaminhar a pessoa aos serviços de referência.
Cuidado contínuo e valorização da vida
Embora o Setembro Amarelo ganhe destaque durante o mês, a gestão estadual enfatiza que a assistência em saúde mental ocorre o ano todo. Em 2026, a campanha traz o tema "Escutar é estar presente", focado em diálogos abertos, na escuta acolhedora e na desconstrução do estigma sobre o sofrimento psíquico.
Ao analisar o papel da escuta atenta e o engajamento da sociedade, a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Gentileza, Zenia Gomes, destaca a necessidade de vigilância constante e de orientação para os serviços disponíveis.
"A gente não pode estar negligenciando. Quem está observando, seja a família, um amigo, a sociedade, na escola ou no trabalho, não deve ter preconceito e realmente precisa falar sobre isso. Como o tema trouxe, 'Escutar é estar presente' significa você estar ali sem estigmas, levando a pessoa a se sentir à vontade para falar e apresentando os cuidados que existem. O Governo tem investido para que os serviços ofereçam um apoio de qualidade à sociedade amapaense", explicou a gestora.
Sob a perspectiva clínica, a psicoeducação comunitária e o acolhimento das emoções desempenham papéis centrais no processo de reabilitação. A psicóloga e responsável técnica do Caps Gentileza, Nathália Nobre, aponta que o foco do acompanhamento é reconstruir sentidos e validar a dor do paciente.
"A gente não trabalha com a proposta de somente manter as pessoas vivas a qualquer custo, mas sim de que elas precisam de acolhimento, de serem ouvidas e incentivadas a buscar uma vida com mais sentido. Quando há um sofrimento intenso, a dor pode trazer o ato extremo como uma falsa resolução. A campanha é importantíssima para psicoeducar a sociedade de que sentir é natural, válido e que a saúde mental é o pilar de tudo", pontuou a profissional.
Rede de Assistência em Saúde Mental no Amapá
O Estado assegura assistência permanente por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), integrada por Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e serviços de emergência e urgência.
Atenção Primária e Caps
As UBSs funcionam como porta de entrada comunitária para acolhimento inicial. Para casos de sofrimento intenso ou uso prejudicial de substâncias, os Caps prestam atendimento multiprofissional sem necessidade de agendamento prévio:
Macapá:
Caps Gentileza: Av. Marcílio Dias, 1.395, Bairro Julião Ramos. Atendimento a adultos de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Telefone: (96) 99131-8007.
Caps AD - Espaço Acolher: Rua José Antônio Siqueira, 875, Bairro Laguinho. Funcionamento 24 horas para suporte em álcool e outras drogas. Telefone: (96) 98116-5218.
Caps Infantojuvenil (Capsi): Rua Redenção, 432, Bairro Jardim Marco Zero. Atendimento especializado a crianças e adolescentes. Telefone: (96) 99148-3476.
Interior do Estado:
Santana: Caps AD (Av. Lucena de Azevedo, 499, Vila Daniel - segunda a sexta, das 7h às 18h) e Caps Infantojuvenil (Rua Presidente Arthur Costa e Silva, 1.434, Bairro Remédios).
Mazagão: Caps (Av. Pedro Ayres de Aleluia, 430, Bairro Liberdade).
Porto Grande: Caps (Av. Soldado Valdinei Pereira dos Santos, s/n, Bairro Nova Esperança).
Oiapoque: Caps (Rua Djalma Limeira, 551, Bairro Nova União - segunda a sexta, manhã e tarde).
Laranjal do Jari: Caps (Av. Tancredo Neves, s/n, Bairro Agreste - segunda a sexta, em horário comercial).
A estrutura estadual dispõe ainda de Residências Terapêuticas, que oferecem acompanhamento integral 24 horas a pacientes com indicação específica de moradia assistida.
Atendimento em crise de emergência
Em momentos de agudização dos sintomas, risco iminente ou autoagressão, a orientação é recorrer imediatamente aos serviços de emergência e pronto atendimento:
SAMU 192: Acionamento 24 horas para socorro móvel imediato.
Hospital de Emergência (HE): Unidade de referência para avaliação e estabilização de crises. Quando há indicação de internação, o paciente é encaminhado à ala psiquiátrica do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (HCAL).
Unidades de Pronto Atendimento (UPAs):
UPA Zona Norte: Av. Francisco Alves Corrêa, 1527, Bairro Novo Horizonte.
UPA Zona Sul: Av. Ivaldo Alves Veras, Bairro Jardim Marco Zero.
UPA Laranjal do Jari: Rua Rio de Janeiro, Bairro Cajari.
Centro de Valorização da Vida (CVV): Apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188 ou no site cvv.org.br.
