Quem nunca bateu aquele papo consigo mesmo ao ponto de esquecer que o mundo existe, que tinha alguém falando ou que tinha uma tela de cinema na sua frente?
Também chamado de diálogo interno, esse bate-papo é saudável se acontecer com moderação.
Pois a própria autocrítica ajuda a nos desenvolvermos como pessoa. Agora quando esse diálogo vira julgamento e autocrítica, ferozes, é hora de parar e colocar essa voz no mudo.
Ensina a psicóloga e advance Elaine Martins que, também é master trainer em PNL, que essa voz interna excessiva é um peso, rouba o nosso tempo e nos tira a concentração.
Ela acrescenta que insônia e dificuldade de se relacionar com outras pessoas podem estar ligadas a um diálogo interno muito forte e muito presente, assim como a ansiedade.
E orienta que quando nos pegarmos envoltos em mil pensamentos, que a gente filtre só o que for útil.
Fuja dos ataques
A facilitadora de Comunicação não-violenta e mediadora de conflitos, Adriana Guerra, reforça que o pensamento influencia tudo e, que, podemos mudar a forma como enxergamos o mundo e as próprias emoções.
“A gente se relaciona com as pessoas a partir dos rótulos, dos julgamentos, da forma como fomos criados. E a gente traz nesse bojo uma linguagem muito violenta que induz sentimentos de medo, de culpa e de vergonha”, afirma.
Segundo Adriana, estes sentimentos afastam de nós a compaixão e trazem violência no nosso modo de falar e nos nossos comportamentos. Mas, não necessariamente um comportamento ou fala, agressivos.
Ela diz que é uma violência sutil que, num simples gesto, julga, condena, quer controlar, tirar o livre arbítrio do outro, quer dizer o que é bom e o que é ruim, o que se deve ou não fazer, sem qualquer preocupação com o que é importante para a outra pessoa.
“É uma violência que está tão impregnada na nossa vida que nem percebemos. Só que esses comportamentos acontecem de forma impulsiva”, diz.
Para a mediadora de conflitos, quando temos autoconhecimento e sabemos qual emoção está nos levando a ter determinado comportamento, fica mais fácil de contornar e controlar a situação.
“O segredo é encontrar uma estratégia onde a gente possa se escutar e perceber o que o comportamento de outra pessoa está gerando em nós”, orienta.
Praticando a autorregulação
O desafio é driblar o diálogo interno feroz que travamos na mente. De acordo com a facilitadora de treinamentos, professora e palestrante Luana Segato, em geral, somos mais violentos com nós mesmos do que com os outros.
Ela diz que essa comunicação mental é tão estressora, ou seja, causa tanto estresse que, aos poucos, vai nos desequilibrando ao ponto de nem entendermos porque estamos com a energia baixa, mal humorados, irritados ou porque nada está bom.
E muitas vezes não conseguimos entender o gatilho que gerou a emoção que nos levou a esse mal estar. E sem perceber, acaba por causar um dano para a saúde por não conseguirmos sair deste ciclo nocivo, além de tendermos a machucar, principalmente, as pessoas mais próximas (ou as que mais amamos), observa Segato.
“A solução para isso é a autorregulação. É você ter o conhecimento desse diálogo mental inapropriado e conseguir desligar ele, colocar outro pensamento em cima disso e gerar questionamentos do porquê está se sentindo assim”, ensina Luana.
Para Adriana Guerra, se a gente não parar e entender o que está acontecendo e conversar com essa voz interna, viveremos no automático machucando os outros sem nos dar conta.
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