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✒ Artigo

As mídias sociais como observatório jornalístico

As mídias sociais trouxeram a era da coerência entre o que se faz e o que se fala. Elas exigem uma alta carga de transparência por parte de quem as utiliza. Quem vai na contramão dessa transparência, está fadado a ser desmascarado, rapidamente.

As mídias sociais se tornaram um grande observatório de onde os jornalistas tiram pautas, fontes e disseminam seus conteúdos tentando se destacar na multidão contra notícias falsas, apresentando informações verificadas.

Ao mesmo tempo em que as novas tecnologias trouxeram esse ambiente de polarização digital, elas também modificaram o ecossistema da informação, como bem definiu o Instituto de Tecnologia & Sociedade Rio (ITS Rio), na apresentação do curso “Mídias sociais e jornalismo: reduzindo riscos e engajando audiência”, criado com o propósito de aumentar a resiliência cibernética do jornalista contra o assédio online. A capacitação gratuita ocorreu, em julho, em parceria com o Redes Cordiais e apoio do Facebook Journalism Project.

Por essas e outras que o jornalista, mais do que nunca, precisa estar presente nas mídias sociais para saber e acompanhar como funciona a dinâmica da narrativa digital, uma vez que o jornalismo se encontra ameaçado por narrativas que querem desconstruir a função do jornalista. Tudo isso tem exigido um posicionamento mais firme por parte deste profissional.

Esse foi um dos pontos levantados na primeira aula do curso do ITS Rio chamada “As mídias sociais a serviço do jornalista”, ministrada pelos jornalistas Guilherme Amado, colunista da Revista Época e Rádio CBN e Carla Jiménez, diretora de Redação do El País Brasil.

Para se diferenciar da multidão, Carla sustenta que o jornalista precisa ir além do que está posto nas mídias sociais, para não reproduzir a mesma abordagem.

Ou seja, é necessário desdobrar o assunto contextualizando em que circunstância aquela informação surgiu ou foi disseminada e, em que aspectos, ela implicará. “Isso fará com que o jornalista tenha relevância e se diferencie dos outros produtores de conteúdo”, afirmou.

Guilherme pontuou que a interação nas mídias sociais também passou a ser notícia, principalmente, entre agentes públicos, assim como as análises dessa interação. “O que isso quer dizer, isto é, o que significa essa interação, também virou notícia”, disse.

Esse novo espaço digital também obrigou as redações a terem equipes de mídias sociais para produzirem conteúdos para essas plataformas. Os veículos menores dividem a função entre toda equipe de redatores.

A boa e velha Carta do Leitor se transformou na interação em tempo real nas mídias sociais, assim como a figura do ombudsman. Nasce então o ambiente de escuta digital. Nele, o jornalista precisa ficar atento ao feedback do que publica.

Muitas vezes, o comentário sobre a notícia divulgada passa a ser ouro e, uma informação ali colocada, pode se revelar verdadeira ao ser apurada. Com isso, o leitor/internauta torna-se parte do processo de construção da notícia.

Guilherme Amado citou que quando o jornalista se propõe a cultivar uma escuta digital, se estabelece uma audiência própria e os leitores/internautas passam a acompanhá-lo onde quer que vá.

Isto significa que, mesmo que o jornalista mude de veículo de comunicação, a sua audiência irá com ele para onde for.

Essa foi uma pequena síntese do que foi ministrado na primeira aula do curso “Mídias sociais e jornalismo: reduzindo riscos e engajando audiência”, que resolvi deixar registrado para futuras consultas, como costumo fazer quando preciso recorrer a algum conteúdo que tive acesso, destacando os principais pontos. E, também, para compartilhar com quem tiver interesse.

Até a próxima!

Maiara Pires

Maiara Pires

Jornalista, Escritora e Produtora de Conteúdo Multimídia. Saiba mais: https://linktr.ee/maiarapiresescreve

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