Amapá Digital | Terça-Feira, 10 de fevereiro de 2026.
Iniciativa promoveu aprendizado prático, sensibilização e construção de estratégias para o desenvolvimento local sustentável entre os dias 9 e 10 de fevereiro.
A Ilha do Combu, em Belém (PA), está sendo palco da Visita Técnica Rota Combu, uma imersão em Turismo de Base Comunitária (TBC) voltada à sensibilização e capacitação de lideranças e empreendedores das comunidades do Curiaú e de Itaubal, no Amapá. A ação que acontece nos dias 9 e 10 de fevereiro, tem como foco o aprendizado por meio da observação direta de práticas já consolidadas, promoção da troca de experiências entre territórios amazônicos.
Segundo a gestora de Turismo do Sebrae, Rejane Reis, o grupo de empreendedores recebe um trabalho de desenvolvimento de roteiro turístico
“Estamos conhecendo essa experiência, que é uma experiência que já está no mercado, um produto consolidado, e buscamos inspirações e possam estar organizando as informações e, no retorno, formatar as nossas experiências. Temos atrativos, o que falta é a organização, a sistematização, a formatação desses produtos para que possamos colocar na vitrine e nossos turistas estarem buscando experiências consolidadas em Macapá. Então, é um momento de muita inspiração, busca de conhecimento, é uma comunidade com as mesmas características similares do Amapá. Então são atrativos, que existem aqui consolidados, formatados, que os nossos empreendedores poderão estar aqui captando essas ideias e no retorno estarem aplicando. Então a ancestralidade, a cultura, a gastronomia, diversos produtos, diversas experiências que estão sendo comercializadas e que poderão ser desenvolvidas. São iniciativas que geram negócios, renda para a localidade, para o território, onde estamos trabalhando”, disse Rejane Reis
A programação foi estruturada para proporcionar aprendizado prático, estimular reflexões sobre turismo sustentável e comunitário e inspirar iniciativas locais que possam ser adaptadas e implantadas nas comunidades participantes
Para o guia de turismo, Mário Carvalho, acompanha os empreendedores do Sebrae Amapá, que vieram conhecer a Rota Combu. “Estamos aqui no Igara, Artesanal e Turismo, que é um dos destinos que fazem experiências ligados à cadeia do açaí e também ao banho de cheiro. Estamos conhecendo um pouquinho do modo de vida da Família Charles, os conhecimentos que ele tem com relação à floresta, como ele desenvolve as atividades de extrativismo e como ele está fazendo essa transição para trabalhar o turismo de experiência aqui na Ilha do Combu. Eles são integrantes da Rota Combu, fazem parte desse conjunto de experiências que a gente oferece ao turista e que hoje os empreendedores estão fazendo essa visitação técnica para conhecer e se inspirar para fazer um trabalho semelhante ou até melhor no estado do Amapá”, destacou Mário Carvalho.
Durante toda a visita, os participantes utilizaram um Diário de Viagem como instrumento de observação, registrando boas práticas e ações passíveis de replicação em seus territórios.
Curiaú
A advogada e presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial, Jozyneide Araújo, está na visita técnica como liderança da comunidade do Curiaú e também como futura empreendedora.
“É um sonho que a gente tem, o Sebrae entra com força dentro da comunidade nos oportunizando estar aqui na Ilha do Combu, no Pará. “O Sebrae realmente é uma instituição que está nos proporcionando o sonho, realmente de realizar aquilo que a gente sonha, que a gente planeja. Isso de forma muito planejada, de forma organizada, então é uma instituição muito forte que nos traz muitas esperanças nesse momento”, declarou Jozineide Araújo.
A experiência na Rota Combu foi guiada por cinco eixos estratégicos, que orientaram a análise crítica e o aprofundamento dos aprendizados.
O primeiro eixo, Gestão e Governança Comunitária, destacou como a comunidade local planeja, monitora e decide coletivamente sobre o turismo, por meio de associações, conselhos e assembleias.
No eixo de Formação e Qualificação Profissional, os participantes observaram como os processos de capacitação fortalecem a comunidade para lidar com normas sanitárias, segurança na navegação e gestão de pequenos negócios, transformando o conhecimento tradicional em diferencial competitivo.
A Hospitalidade e Experiência do Visitante foi analisada a partir do uso das narrativas da floresta, dos saberes locais e dos ciclos naturais como elementos centrais para conectar o visitante ao território.
Já o eixo da Sustentabilidade trouxe reflexões sobre soluções de baixo impacto para manejo de resíduos e efluentes em áreas de várzea, além da promoção da equidade, inclusão de jovens, fortalecimento da identidade ribeirinha e práticas regenerativas que vão além da conservação ambiental.
Por fim, a Comercialização e Parcerias Estratégicas permitiu compreender como os empreendedores locais estruturam seus canais de venda, utilizam ferramentas digitais e constroem parcerias que fortalecem a Rota Combu como um produto turístico diferenciado.
Vivências, cultura e governança
A programação incluiu visitas a iniciativas emblemáticas da ilha, como a Trilha do Açaí, com demonstração do manejo tradicional e do processamento do fruto; a Associação de Mulheres Extrativistas, com a produção de óleo de andiroba; o ateliê de biojoias do Combu; e a Casa do Chocolate, onde a marca Filha do Combu, de Dona Nena, apresentou seu chocolate orgânico premiado nacionalmente.
Momentos de roda de conversa, almoços comunitários e atividades culturais, como o jantar paraense na Casa Kayré, reforçaram o papel da cultura ribeirinha, da gastronomia amazônica e da arte como pilares da experiência turística. A governança da Rota Combu também foi debatida em encontros específicos sobre organização comunitária e gestão coletiva do turismo.
Construção
O encerramento da visita técnica foi marcado por um encontro de compartilhamento de aprendizados e elaboração de um Plano de com base nos registros da visita. O objetivo foi definir estratégias concretas para a implementação de iniciativas de turismo de base comunitária no Curiaú e em Itaubal, respeitando as especificidades de cada território.
A Visita Técnica Rota Combu reafirmou a importância do diálogo entre comunidades amazônicas, da valorização dos saberes tradicionais e da construção coletiva de um turismo que gera renda, fortalece identidades e contribui para a preservação e regeneração da floresta, transformando visitantes em aliados da conservação e do desenvolvimento local sustentável.
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