Amapá Digital | Quarta-Feira, 28 de janeiro de 2026.
“Quando a pessoa samba por mais de uma hora e repete esse esforço por dias seguidos, o corpo entra em um nível de exigência comparável ao de atletas de resistência”, afirma o médico Gabriel Almeida
Por trás do brilho, das plumas e das fantasias luxuosas, o Carnaval vivido por algumas das principais musas do país se aproxima mais de uma prova de resistência do que de uma simples festa. São mais de uma hora sambando sem parar, figurinos pesados e, em alguns casos, desfiles em cidades diferentes com poucos dias de intervalo. Em 2026, Sabrina Sato, de 44 anos, e Viviane Araújo, de 49, repetem a chamada dobradinha Rio São Paulo, enquanto Virgínia Fonseca, de 26 anos, estreia no samba em um dos cargos mais exigentes do Carnaval carioca.
Sabrina desfila como rainha de bateria da Gaviões da Fiel, em São Paulo, e da Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Viviane divide-se entre a Mancha Verde, em São Paulo, e o Salgueiro, no Rio. Cada apresentação exige mais de uma hora de samba ininterrupto, além do tempo de concentração e dispersão, o que faz com que essas musas permaneçam em movimento intenso por mais de 90 minutos em cada desfile.
A dimensão do esforço fica ainda mais clara ao considerar os percursos oficiais. No Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, o trajeto tem cerca de 530 metros. Já na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, são aproximadamente 700 metros percorridos sambando, muitas vezes em zigue zague, com retornos estratégicos para interação com o público e com a bateria. Esse conjunto de fatores como distância, tempo, intensidade e repetição sustenta a comparação com o triatlo, modalidade que exige resistência contínua e adaptação do corpo a diferentes cargas de esforço.
A isso se somam fantasias que podem ultrapassar dezenas de quilos entre costeiros, adereços e pedrarias. Sabrina Sato já revelou ter desfilado com figurinos que, somados entre Rio e São Paulo, superaram 60 quilos, além de coroas e estruturas que exigem força constante do tronco e das pernas. Viviane Araújo, por sua vez, costuma optar por fantasias mais leves, mas ainda assim enfrenta figurinos robustos, criados para impacto visual e sustentados ao longo de todo o percurso da avenida.
Quando esse esforço é traduzido em números, educadores físicos estimam um gasto médio entre 500 e 600 calorias por hora de samba intenso. Em um desfile completo, esse consumo pode ultrapassar 600 calorias. No caso de Sabrina e Viviane, que desfilam duas vezes na mesma temporada, o gasto energético pode superar 1.200 calorias apenas nas apresentações oficiais, sem contar ensaios técnicos, treinos e deslocamentos.
Segundo o médico Gabriel Almeida, CRM-SP 180956, cirurgião geral com RQE 121513 e especialista em emagrecimento saudável, o principal risco não está apenas no gasto calórico isolado, mas no acúmulo do desgaste ao longo dos dias. “É comum atender pacientes no pós Carnaval com sinais claros de exaustão física, como desidratação, câimbras, queda de pressão e sobrecarga muscular, especialmente quando o esforço é subestimado”, explica.
A estreia de Virgínia Fonseca no samba também chama atenção. Diferentemente de Sabrina e Viviane, que já conhecem esse nível de exigência física, a influenciadora fará sua estreia como rainha de bateria da Grande Rio já em um posto de alta cobrança corporal. Mesmo sem enfrentar a dupla jornada entre estados, o tempo prolongado de desfile e a pressão performática colocam seu corpo sob um nível de esforço semelhante ao das veteranas.
O que o público vê na avenida é apenas o resultado final de um processo que mistura espetáculo, resistência e disciplina física. Por trás do sorriso, do samba no pé e das fantasias luxuosas, essas musas vivem um Carnaval que exige do corpo tanto quanto provas esportivas de alto rendimento, um esforço invisível para quem assiste, mas determinante para sustentar o espetáculo até o último setor da avenida.
Sobre o especialista
Gabriel Almeida (CREMESP 180956 | RQE 121513), é médico cirurgião-geral com mais de 15 anos de experiência, com ênfase em emagrecimento, qualidade de vida e protocolos avançados de tratamento da obesidade. Diretor Técnico do Núcleo GA, também atua como escritor e palestrante, compartilhando conhecimento científico e clínico com profissionais da saúde para ampliar o cuidado seguro e individualizado aos pacientes. O médico aborda de forma humanizada e baseada em evidências temas relacionados à perda de peso e bem-estar integral, buscando promover mudanças positivas nos estilos de vida.
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