PRESERVAÇÃO ANCESTRAL

Festival de Iemanjá celebra 20 anos de fé e ancestralidade no Amapá


Ritual dedicado à divindade das águas reuniu 75 comunidades e abriu a programação oficial pelos 268 anos de Macapá.


O Governo do Amapá apoiou, nesta segunda-feira, 2, a 20ª edição do Festival de Iemanjá – Tributo à Grande Mãe. O evento, realizado no Complexo do bairro Cidade Nova, na Orla do Jandiá, em Macapá, teve como foco o combate à intolerância e a promoção do diálogo inter-religioso.

Consolidado como um dos maiores pilares de valorização das religiões de matriz africana no Norte do Brasil, o festival é realizado pela Federação dos Cultos Afro-Religiosos de Umbanda e Mina Nagô do Amapá (Fecarumina), com o suporte da Fundação Estadual de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Feppir – Fundação Marabaixo).

Entoação a cânticos marcaram a cerimônia
Entoação a cânticos marcaram a cerimônia
Foto: Gabriel Penha/ GEA

A celebração reafirma o compromisso do Estado com a preservação ancestral e abre oficialmente a programação pelos 268 anos de Macapá, comemorados em 4 de fevereiro. A diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, representou o governador Clécio Luís no evento.

Presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos
Presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos
Foto: Gabriel Penha/ GEA

"O Governo do Amapá apoia o festival como parte de sua política afirmativa e do programa Amapá Afro. Esta é uma celebração da cultura da paz e de combate ao racismo religioso. O governador Clécio Luís incluiu o Festival de Iemanjá no calendário oficial do aniversário de Macapá por reconhecer a importância de valorizar a identidade negra e a nossa ancestralidade", ressaltou Josilana.

Ritos e Tradição

Membros de 75 terreiros de Umbanda e Candomblé se reuniram às margens do Rio Amazonas para entoar cânticos e danças. O tradicional ritual de oferendas priorizou o uso de materiais biodegradáveis, com flores brancas, perfumes e frutas.

Presidente da Fecurimina, Mãe Yolete de Iemanjá
Presidente da Fecurimina, Mãe Yolete de Iemanjá
Foto: Gabriel Penha/ GEA

A presidente da Fecarumina, Mãe Yolete Nunes, de 73 anos, destacou o crescimento do evento.

"É motivo de muito orgulho ver o aumento na participação das comunidades. Nossa fé, tradição e devoção estão sendo valorizadas cada vez mais pelo Governo e pela população", afirmou.

Durante a cerimônia, foi anunciado o lançamento da 2ª edição do Edital "Mãe Duce", voltado para a seleção de projetos de políticas sociais, estruturação, economia do axé, cultura e agroecologia para povos de terreiro.

Histórias de Fé

Aposentada Maria Hilda Prazeres, de 76 anos
Aposentada Maria Hilda Prazeres, de 76 anos
Foto: Gabriel Penha/ GEA

Pela primeira vez na celebração, a aposentada Maria Hilda Prazeres, de 76 anos, expressou sua emoção.

"Sinto a presença forte de Iemanjá e dos Pretos-Velhos. Venho de uma família de curadores e hoje busco estudar para me aproximar mais dessa espiritualidade", relatou.

Já a Mãe Josi, do Centro Cultural Axé Alaremi, destacou a resistência da comunidade.

"Essa celebração marca nossa fé. Iemanjá me dá paz e serenidade. Infelizmente a discriminação ainda existe, mas continuaremos resistindo", frisou.

Mãe Josi, do Centro Cultural Axé Alaremi, foi iniciada há 33 anos na religião
Mãe Josi, do Centro Cultural Axé Alaremi, foi iniciada há 33 anos na religião
Foto: Gabriel Penha/ GEA

Expansão da Política de Inclusão

A edição de 2026 consolidou a expansão do programa para 114 "casas" em sete municípios amapaenses: Macapá, Santana, Mazagão, Calçoene, Laranjal do Jari, Vitória do Jari e Oiapoque. A iniciativa garante que comunidades tradicionais de diferentes regiões tenham acesso a recursos e maior visibilidade institucional.

Ritual de oferendas durante o Festival de Iemanjá
Ritual de oferendas durante o Festival de Iemanjá
Foto: Gabriel Penha/ GEA

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