Amapá Digital | Quinta-Feira, 05 de fevereiro de 2026.
A iniciativa busca projetar a cultura afro-amapaense em âmbito nacional.
Com o objetivo de promover o reconhecimento nacional da cultura afro-amapaense, o Governo do Estado lançou, na sexta-feira, 16, nas plataformas digitais, o projeto “Marabaixo: Tradição do Amapá”, interpretado pela cantora, compositora e instrumentista Alcione, em parceria com artistas amapaenses.O projeto reúne um pot-pourri com algumas das canções mais representativas da cultura do estado, incluindo os chamados ladrões de marabaixo, versos e cantigas que compõem essa manifestação cultural, como “Rosa Branca Açucena”, “Meu Sarilho é Dobrador”, “Eu Caio, Eu Caio” e “Aonde Tu Vai, Rapaz?”, de Raimundo Ladislau.A escolha da renomada artista foi motivada pela sua forte conexão com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que, em 2026, vai homenagear o Amapá com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, destacando a figura de Mestre Sacaca, curandeiro popular e símbolo da sabedoria ancestral amazônica.A Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira vai homenagear o Amapá no Carnaval deste anoFoto: Nayana Magalhães/GEAAlém da intensa ligação com os estilos musicais do Norte e do Nordeste, ao longo da carreira, Alcione transitou por diversos ritmos, como forró, xote, baião, maracatu, toadas de bumba meu boi, entre outros gêneros das diferentes regiões do país.A cantora, conhecida como “Marrom”, apesar de sua vasta experiência musical, ainda não conhecia o Marabaixo. Ela afirmou sentir-se honrada com o convite feito pelo Governo do Estado e com a oportunidade de registrar essa expressão da cultura popular brasileira.“É sempre bom conhecer coisas novas. Foi maravilhoso conhecer e cantar o Marabaixo, porque o Brasil é um país de tantos ritmos, de tantas raças, e isso representa a beleza da nossa cultura popular. Onde a gente vai, tem um pedaço da nossa gente”, destacou Alcione.Cantora AlcioneFoto: Matheus PortoMarabaixo: resistência e identidadeO Marabaixo é uma manifestação cultural afro-brasileira do Amapá, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Trata-se de uma celebração que reúne conhecimentos tradicionais, dança, música, ritos do catolicismo popular e herança africana.Trazida para a Amazônia por negros escravizados, sua origem remonta ao período da escravidão, surgindo entre o lamento e a resistência.Segundo narrativas históricas, o nome deriva da expressão “mar acima, mar abaixo”, evocando o balanço dos navios negreiros durante a diáspora africana.Nos barracões do Amapá, o Marabaixo é dançado em rodas que giram no sentido anti-horário, com passos arrastados que simbolizam a memória dos pés outrora acorrentados.Roda de Marabaixo celebra a cultura afro-amapaenseFoto: Gabriel Penha/Secom/GEAAtualmente, essa herança cultural se renova a cada Ciclo do Marabaixo, evento que une o sagrado ao comunitário. Recentemente, a manifestação ganhou destaque nacional com o documentário “Amazônia Negra: Expedição Amapá”, exibido nos canais Bis e GloboNews, disponível no Globoplay, com participação de Carlinhos Brown e artistas locais.O single “Marabaixo: Tradição do Amapá”O pot-pourri reúne obras de compositores consagrados e canções de domínio público. Entre os destaques está Joãozinho Gomes, renomado compositor amapaense e um dos autores do samba-enredo da Mangueira para o Carnaval de 2026.Faixas que compõem o single:Música incidental: “A Beleza da Arte que Emana” (Enrico Di Miceli/Joãozinho Gomes);“Mão de Couro” (Val Milhomem/Joãozinho Gomes);Ladrões de marabaixo: “Aonde Tu Vai, Rapaz?” (Raimundo Ladislau – domínio público);“Rosa Branca Açucena” (tradicional – domínio público);“Meu Sarilho é Dobrador” (tradicional – domínio público);“Vaca Malhada” (tradicional – domínio público);“No Marabaixo é Assim” (Wendel Uchôa/Marcus Paes);“O Meu Quilombo” (Adelson Preto);“Eu Caio, Eu Caio” (tradicional – domínio público).Ficha técnica e produçãoCom produção musical e arranjos do músico amapaense Alan Gomes, o single conta com a percussão da tradicional caixa de marabaixo de Nena Silva, representante do Quilombo do Curiaú.A obra foi gravada no estúdio Play Record (RJ), com direção musical de Alexandre Menezes e Alan Gomes. A mixagem e masterização ficaram a cargo de Vanios Marques. O coro é formado por Silmara Lobato e conta com a participação de herdeiros da tradição: Cleane Ramos, Danniela Ramos, Julião do Laguinho e Lorrany Mendes.Um tributo à Amazônia NegraAncestralidade, religiosidade e uma profunda conexão com a arte do Norte do Brasil nortearam o projeto. Ao aceitar o convite, Alcione reafirma seu compromisso com a pluralidade cultural de um país miscigenado, contribuindo para evidenciar o Amapá como uma referência fundamental da Amazônia Negra, território de riqueza cultural inesgotável, que merece ser reconhecido e celebrado por todos os brasileiros.A cantora Alcione celebrou o Marabaixo como uma importante expressão da cultura popular brasileiraFoto: Matheus PortoCaixa de marabaixo: ritmo afro-amapaense executado em tambores artesanais conhecidos como caixas de marabaixo.A caixa de Marabaixo é o instrumento que dita o ritmo da dança, símbolo da identidade cultural amapaense
Com o objetivo de promover o reconhecimento nacional da cultura afro-amapaense, o Governo do Estado lançou, na sexta-feira, 16, nas plataformas digitais, o projeto “Marabaixo: Tradição do Amapá”, interpretado pela cantora, compositora e instrumentista Alcione, em parceria com artistas amapaenses.
O projeto reúne um pot-pourri com algumas das canções mais representativas da cultura do estado, incluindo os chamados ladrões de marabaixo, versos e cantigas que compõem essa manifestação cultural, como “Rosa Branca Açucena”, “Meu Sarilho é Dobrador”, “Eu Caio, Eu Caio” e “Aonde Tu Vai, Rapaz?”, de Raimundo Ladislau.
A escolha da renomada artista foi motivada pela sua forte conexão com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que, em 2026, vai homenagear o Amapá com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, destacando a figura de Mestre Sacaca, curandeiro popular e símbolo da sabedoria ancestral amazônica.
Além da intensa ligação com os estilos musicais do Norte e do Nordeste, ao longo da carreira, Alcione transitou por diversos ritmos, como forró, xote, baião, maracatu, toadas de bumba meu boi, entre outros gêneros das diferentes regiões do país.
A cantora, conhecida como “Marrom”, apesar de sua vasta experiência musical, ainda não conhecia o Marabaixo. Ela afirmou sentir-se honrada com o convite feito pelo Governo do Estado e com a oportunidade de registrar essa expressão da cultura popular brasileira.
“É sempre bom conhecer coisas novas. Foi maravilhoso conhecer e cantar o Marabaixo, porque o Brasil é um país de tantos ritmos, de tantas raças, e isso representa a beleza da nossa cultura popular. Onde a gente vai, tem um pedaço da nossa gente”, destacou Alcione.
Marabaixo: resistência e identidadeO Marabaixo é uma manifestação cultural afro-brasileira do Amapá, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Trata-se de uma celebração que reúne conhecimentos tradicionais, dança, música, ritos do catolicismo popular e herança africana.
Trazida para a Amazônia por negros escravizados, sua origem remonta ao período da escravidão, surgindo entre o lamento e a resistência.
Segundo narrativas históricas, o nome deriva da expressão “mar acima, mar abaixo”, evocando o balanço dos navios negreiros durante a diáspora africana.
Nos barracões do Amapá, o Marabaixo é dançado em rodas que giram no sentido anti-horário, com passos arrastados que simbolizam a memória dos pés outrora acorrentados.
Atualmente, essa herança cultural se renova a cada Ciclo do Marabaixo, evento que une o sagrado ao comunitário. Recentemente, a manifestação ganhou destaque nacional com o documentário “Amazônia Negra: Expedição Amapá”, exibido nos canais Bis e GloboNews, disponível no Globoplay, com participação de Carlinhos Brown e artistas locais.
O single “Marabaixo: Tradição do Amapá”O pot-pourri reúne obras de compositores consagrados e canções de domínio público. Entre os destaques está Joãozinho Gomes, renomado compositor amapaense e um dos autores do samba-enredo da Mangueira para o Carnaval de 2026.
Faixas que compõem o single:
Ficha técnica e produçãoCom produção musical e arranjos do músico amapaense Alan Gomes, o single conta com a percussão da tradicional caixa de marabaixo de Nena Silva, representante do Quilombo do Curiaú.
A obra foi gravada no estúdio Play Record (RJ), com direção musical de Alexandre Menezes e Alan Gomes. A mixagem e masterização ficaram a cargo de Vanios Marques. O coro é formado por Silmara Lobato e conta com a participação de herdeiros da tradição: Cleane Ramos, Danniela Ramos, Julião do Laguinho e Lorrany Mendes.
Um tributo à Amazônia NegraAncestralidade, religiosidade e uma profunda conexão com a arte do Norte do Brasil nortearam o projeto. Ao aceitar o convite, Alcione reafirma seu compromisso com a pluralidade cultural de um país miscigenado, contribuindo para evidenciar o Amapá como uma referência fundamental da Amazônia Negra, território de riqueza cultural inesgotável, que merece ser reconhecido e celebrado por todos os brasileiros.
Caixa de marabaixo: ritmo afro-amapaense executado em tambores artesanais conhecidos como caixas de marabaixo.
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