Artesão amapaense mantém produção de peças aquecida na pandemia


Clodomir Sérgio, 61 anos, confecciona suas peças em ateliê próprio na zona rural de Porto Grande. A exposição de seus produtos, em Macapá, o ajuda na captação de encomendas.


O artesanato é uma cultura muito forte nos 16 municípios que compõem o estado do Amapá. Quem visitar alguma cidade, poderá perceber os produtos expostos ou sendo usados nas casas por seus habitantes. Na capital Macapá, os artesãos podem contar com diversos espaços para expor e comercializar seus produtos. Além de eventos, como feiras, há espaços fixos, principalmente, em pontos turísticos a fim de que os visitantes conheçam o artesanato local.

Um destes espaços é a Casa do Artesão, localizada no Centro de Macapá. Foi lá que a coordenadora de marketing, Rosângela Cruz, do Grupo Domestilar - empreendimento local - encontrou o que buscava: peças para presentear os parceiros na inauguração de uma filial na zona norte da cidade, em julho de 2021.

Depois de apreciar as peças expostas, Rosângela se interessou pelas do artesão Clodomir Sérgio Simões de Oliveira, 61 anos. Ao perguntar ao funcionário do local, onde poderia encontrar o autor, foi surpreendida com a presença da esposa dele, Lindalva Freire da Silva, 62 anos, que estava na Casa do Artesão. Ela tinha ido visitar a filha que trabalha lá. De pronto, a coordenadora de marketing encomendou 300 peças de bule de café e xícara.

Não é sempre que Clodomir recebe uma grande encomenda como esta. “Ficamos gratos por essa oportunidade. Que mais empresários tenham essa mesma visão de valorizar o nosso trabalho”, diz o artesão.

Segundo Rosângela, o empreendimento em que trabalha já tem esse perfil de valorizar as coisas da terra. Ela conta que a empresa só adquire produtos de fora, quando não encontra no estado, justamente para fomentar a economia local. “Tem muita coisa boa no Amapá. Nosso artesanato é belíssimo. Precisamos divulgar”, afirma.

De acordo com a coordenadora de marketing, um dos desafios que os empresários encontram para adquirir produtos locais em grande ou menor quantidade de profissionais autônomos, é a falta de formalização e logística de entrega. “Sempre que possível, abrimos mão dessa burocracia e ajudamos o fornecedor a entregar o seu produto”, conta.

Foi assim com o artesão Clodomir. Ele confecciona suas peças num ateliê, em casa, no assentamento rural Nova Canaã, há 40 km de Porto Grande, município distante 108 km de Macapá. O cliente - Domestilar - fez várias viagens até o local e acompanhou tudo de perto.

Clodomir e Lindalva (direita) com amigos em evento ocorrido no município de Oiapoque.

De geração em geração

Clodomir Sérgio Simões de Oliveira é natural de Coaracy (PA), mas mora no Amapá há 50 anos. Tem quatro filhos, dos quais, dois moram com ele e o ajudam no ofício do artesanato, assim como a esposa.

O gosto pelo artesanato veio do pai e seu avô, que eram artesãos. Ele confecciona peças em argila (barro) de diversos tipos, como cinzeiros, vasos, potes, tigelas, copos, pratos, entre outros utensílios. Para Clodomir, a pandemia do novo coronavírus não afetou tanto a sua produção porque vez ou outra continua recebendo encomendas.

Além destas experiências de poder comercializar suas peças em grande quantidade, a outra foi, há 20 anos, quando seus produtos foram expostos numa feira, no estado de Minas Gerais. “O evento durou uma semana, mas no terceiro dia, todas as peças tinham sido vendidas”, conta Lindalva que foi no lugar do esposo.

 

 

 

Por Maiara Pires

A Casa do Artesão fica localizada na Rua Francisco Azarias da Silva Coelho Neto (Beira Rio), na capital, Macapá.

Veja alguns trabalhos

 



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