O sucesso da colheita de soja começa com o cuidado do solo o ano todo
- 28/10/2025
- Agronegócio
Práticas sustentáveis, mesmo na cultura antecessora da soja, são essenciais para o sucesso na lavoura.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informa que a safra de soja 2024/2025 fechou em 171,47 milhões de toneladas, recorde histórico, e a próxima colheita pode crescer 5%, superando 180 milhões de toneladas. Para que essa expectativa se confirme é preciso que o clima seja favorável, mas o agricultor pode fazer a sua parte, cuidando bem do solo – inclusive, esta prática deve ser realizada ao longo de todo o ano e representa um dos principais fatores de sucesso, destaca o engenheiro agrônomo Thales Facanali Martins, gerente de portfólio da Biotrop. “Inúmeros fatores podem influenciar a produtividade da lavoura, positiva ou negativamente, e entre os mais importantes está o manejo do solo em todas as culturas que antecedem o plantio da soja – a cultura principal no sistema de produção”, destaca.
O planejamento agrícola deve considerar o ciclo das pragas e doenças, assim como as culturas de propagação e multiplicação. O exemplo disto se dá na cultura do milho, que se não tratada com nematicidas, pode piorar o problema para a soja, reforçando ainda mais a necessidade na manutenção da biodiversidade do solo, especialmente no que se refere à presença de microrganismos benéficos para a cultura principal, que é a soja. Facanali explica que, nesse contexto, o manejo regenerativo, com o uso de bionematicidas e biofungicidas, tem se mostrado uma estratégia eficaz para reduzir a incidência de nematoides e doenças de solo no cultivo da soja.
O especialista da Biotrop também destaca que “os nematoides que mais merecem atenção dos agricultores são Pratylenchus brachyurus, Heterodera glycines e Meloidogyne spp. A boa notícia é que o aumento da diversidade biológica e o repovoamento da biota do solo com microrganismos de amplo espectro ajudam a controlar todas essas pragas. Estimular essa variedade microbiana é fundamental para a construção de um solo mais saudável e produtivo”.
Além das pragas, o estresse hídrico é um desafio cada vez mais recorrente no Brasil. A correta preparação do solo antes do plantio também contribui para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, como os causados pelo El Niño, em 2024. Para a próxima safra, haverá ainda o impacto do fenômeno La Niña, que traz escassez de chuvas e aumento de temperaturas no Centro-Sul do país, justamente durante o período crítico do desenvolvimento da soja.
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“É fundamental que o agricultor povoe o solo com microrganismos resilientes, que possam amenizar o estresse térmico e ajudar na retenção de água nas proximidades das raízes. Essa estratégia contribui diretamente para a redução dos riscos associados a extremos climáticos, cada vez mais comuns nas regiões agrícolas de todo o país”, reforça Facanali.
O uso de produtos biológicos é a principal ferramenta desse manejo preventivo. Eles atuam diretamente na proteção das plantas e na melhoria da saúde do solo, por meio da produção de biofilmes que bloqueiam a ação de nematoides e patógenos, além da liberação de metabólitos que estimulam a produção de enzimas e compostos antioxidantes pelas plantas, ajudando-as a superar períodos de estresse.
