No fim de semana, o Encontro Estadual de Educação STEAM, organizado pelo Governo do Amapá, destacou a inovação tecnológica e as novas metodologias de ensino na rede estadual. O evento encerrou-se na quinta‑feira, 21, no Centro de Educação Profissional do Amapá – Professora Josinete Oliveira Barroso (Cepaboj) – em Macapá.
Coordenado pela Secretaria de Estado da Educação (SEED), o encontro faz parte do programa “Educa STEAM Amapá”, que visa fortalecer a inovação pedagógica e preparar as escolas públicas para os desafios da educação do futuro.
Mais de 200 professores, de 15 municípios, participaram de duas dias de oficinas, atividades colaborativas e elaboração de planos de ação que serão implementados nas redes municipal e estadual de ensino.
Metodologia STEAM
O coordenador do Educa STEAM, professor Glauber Ribeiro, afirmou que a principal meta é formar educadores multiplicadores que disseminarão a abordagem nas escolas do Estado.
"O objetivo é capacitar professores para levarem a metodologia a outros municípios. Aqui contamos com representantes de 15 localidades participando das oficinas e construindo planos de ação", explicou.
A abordagem STEAM – Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática – propõe um ensino mais dinâmico e participativo. "É educação prática, com foco na construção do conhecimento, em vez da abordagem tradicional do pincel e do livro", exemplificou.
Os participantes tiveram acesso a dez oficinas temáticas, entre elas: inteligência artificial aplicada à educação, alfabetização científica, engenharia criativa, formação para uso de Chromebooks e ferramentas digitais do Educa Amapá.
No fim das atividades, os professores elaboraram projetos voltados às realidades locais de seus municípios.
Professores multiplicadores
O professor Aldeni Melo, coordenador pedagógico do projeto e professor de Ciências e Projetos, ressaltou que o encontro busca “oxigenar” os profissionais da educação e incentivar práticas contextualizadas.
"Nossa proposta é levar a imersão STEAM para todos os municípios do Amapá. Cada grupo desenvolve um plano de ação para multiplicar a abordagem na sua realidade local", disse.
Segundo Melo, as iniciativas respeitam as características culturais, sociais e econômicas de cada região do Estado. "Tem propostas voltadas para o Rio Jari, para as culturas locais, para sustentabilidade e tecnologia. O diferencial é adaptar o ensino à realidade do aluno", concluiu.
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Cultura amazônica e tecnologia
O professor de Química Eliseu Monteiro, de Itaubal, apresentou uma proposta que utiliza o marabaixo como ferramenta de aprendizagem dentro da metodologia STEAM.
"Vamos trabalhar os saberes amazônicos dentro do STEAM, usando o marabaixo como ferramenta pedagógica. O aluno pesquisa, cria podcasts, estuda sons, instrumentos, cultura e ciência ao mesmo tempo", explicou.
O objetivo é transformar o estudante em protagonista do próprio aprendizado: “Hoje o aluno não quer apenas decorar conteúdo. Ele quer criar, participar, produzir. O STEAM estimula esse pensamento crítico e criativo”, completou.
Sustentabilidade e protagonismo estudantil
A professora de Arte e Música Elisabeth Sarges, de Laranjal do Jari, apresentou propostas ligadas à sustentabilidade e valorização dos recursos naturais da Amazônia. Ela anunciou o projeto “Jari Lab STEAM”, focado em educação, sustentabilidade e protagonismo estudantil.
"Queremos mostrar que é possível fazer educação usando os recursos naturais da nossa região. Podemos produzir tintas naturais, estudar o Rio Jari, os sítios arqueológicos e transformar o aluno em pesquisador", destacou.
A educadora enfatizou a importância da formação para professores de municípios distantes da capital. "Essas oportunidades quase não chegam para nós. Estamos levando uma bagagem rica para replicar no município e tornar outros professores multiplicadores", disse.
Educação do futuro no Amapá
A coordenação do Educa STEAM espera que os projetos já em elaboração comecem a ser aplicados nas escolas a partir da volta dos professores aos seus municípios.
O programa busca estimular uma educação mais criativa, tecnológica e conectada à realidade dos estudantes, reforçando competências como pensamento crítico, resolução de problemas, criatividade, colaboração e inovação.
Por meio da metodologia STEAM, o Governo do Amapá fortalece a educação pública, ampliando investimentos na rede estadual. Além da formação de professores e modernização do ensino, o Estado já entregou 15 mil notebooks, reconstruiu 44 escolas e realizou obras de manutenção e reforma em mais de 100 unidades educacionais. Novas entregas também estão previstas.
