Crédito: Aydano Fonseca/Agência Nagib
Encenação teatral

Encenação teatral "E Agora, José?" promove reflexão e reforça ações de cidadania do Governo do Amapá no sistema prisional

Obra de Carlos Drummond de Andrade foi adaptada com as vivências dos próprios custodiados, contando a história de como o crime afasta amigos, família e tira a dignidade do cidadão.


O sistema prisional do Amapá vivenciou na quarta-feira, 19, mais um marco em suas políticas de reintegração social. Pela primeira vez, na Penitenciária Masculina, conhecida como "Cadeião", dentro do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) foi apresentada uma peça teatral para diversas autoridades e para120 alunos da Escola Estadual São José, que funciona no Iapen. 

O poema "E agora, José?", uma das obras mais famosas de Carlos Drummond de Andrade foi adaptada com as vivências dos próprios custodiados, contando a história de como o crime afasta amigos, família e tira a dignidade do cidadão. 

O espetáculo, desenvolvido integralmente pelos internos, desde a concepção, encenação, até a montagem do cenário e figurinos, integra as ações do Centro de Promoção Humana e Cidadania do Iapen, que busca ampliar espaços de expressão, reflexão e construção de cidadania dentro das unidades prisionais. Para viabilizar o projeto, os participantes passaram por três meses de ensaios, orientações e preparação.

José (nome fictício), diretor da peça teatral agradece a oportunidade de reintegração social através da arte e cultura
José (nome fictício), diretor da peça teatral agradece a oportunidade de reintegração social através da arte e cultura
Foto: Aydano Fonseca/Agência Nagib

"Aqui não é o fundo poço. Aqui é o começo onde a gente busca a ter a água cristalina. Acreditar que somos capazes foi a principal mensagem que quisemos passar e vimos que o público alvo, o reeducando foi alcançado, pois aplaudiram e só se aplaude quando gosta. Fomos aplaudidos pelo trabalho. O Iapen está dando oportunidade para o reeducando sair daqui um profissional", disse José (nome fictício), diretor da peça.

Público se emocionou e se divertiu com a encenação
Público se emocionou e se divertiu com a encenação
Foto: Aydano Fonseca/Agência Nagib

Durante o evento, a gestão do sistema prisional destacou o caráter inédito da ação na Penitenciária Masculina dos efeitos benéficos de iniciativas que integram e mostram que ainda existem oportunidades fora do cárcere.

Luiz Carlos Gomes Jr, diretor do Iapen
Luiz Carlos Gomes Jr, diretor do Iapen
Foto: Aydano Fonseca/Agência Nagib

“Acabamos de testemunhar mais um momento histórico dentro do Iapen. Já tivemos apresentações artísticas em outras unidades, como na Penitenciária Feminina e no Centro de Custódia do Novo Horizonte, mas na penitenciária masculina é a primeira vez. Isso demonstra que o sistema está avançando nas suas políticas educacionais, de trabalho e, agora, também no incentivo à produção artística”, ressaltou Luiz Carlos Gomes, diretor do Iapen.

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Trabalho executado com sucesso é marcado por sensação de novas oportunidades
Trabalho executado com sucesso é marcado por sensação de novas oportunidades
Foto: Aydano Fonseca/Agência Nagib

Segundo o diretor, a peça permitiu que os custodiados expressassem, por meio da arte, relatos sobre suas experiências no sistema prisional, os desafios enfrentados, os motivos que os levaram ao encarceramento e os reflexos da atuação de facções criminosas no cotidiano. 

“A arte e a cultura também constroem liberdade. São ferramentas de transformação e de preparação para o retorno ao convívio social”, destacou Luiz Carlos.

Peça foi aplaudida por todo o público presente
Peça foi aplaudida por todo o público presente
Foto: Aydano Fonseca/Agência Nagib

O trabalho contou com apoio da Secretaria de Cultura, da Secretaria de Educação e da escola de samba Império da Zona Norte, que contribuíram com materiais e suporte técnico. Todo o processo contou ainda com o apoio da Polícia Penal, garantindo a segurança necessária para a realização da atividade, além do acompanhamento de especialistas em execução penal.

A iniciativa recebeu também suporte de diversas instituições parceiras, como a Vara de Execução Penal, Ministério Público, Comissão Pastoral e Igreja Universal, consolidando uma rede de cooperação que fortalece as políticas de humanização no sistema prisional do Amapá.

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