Brasil gerou 21,4 mil empregos a cada R$ 1 bi exportado para a UE em 2022
- 16/09/2023
- Internacional
O dado é da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o bloco europeu pode alavancar novas vagas formais, principalmente no setor industrial
Em 2022, a exportação brasileira para a União Europeia gerou 21,4 mil empregos a cada R$ 1 bilhão, revela a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, de acordo com a entidade, promete impulsionar ainda mais a criação de empregos formais.
A maior parte das exportações do Brasil para a Europa é composta por produtos industriais, e isso pode potencializar a geração de empregos nas fábricas com a concretização do tratado. Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e doutor em direito internacional pela USP, destaca a importância desse movimento para a economia brasileira.
"O Brasil está enfrentando uma desindustrialização precoce. Esse acordo pode abrir caminho para um processo de reindustrialização. Os melhores salários e empregos especializados estão na indústria, e o Brasil precisa voltar a se industrializar", afirma Barral.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, também vê o acordo como uma oportunidade para a geração de empregos. Ele ressalta a importância de não haver alinhamento automático na política e destaca a necessidade de firmar o acordo para impulsionar a economia.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi anunciado em junho de 2019, após duas décadas de negociações. Ele prevê a eliminação gradual dos impostos de importação em mais de 90% do comércio de produtos entre os países dos dois blocos em um prazo de até 15 anos.
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No entanto, quatro anos após o anúncio, ainda existem obstáculos para a ratificação oficial do acordo. Um deles diz respeito às preocupações ambientais, com os europeus fazendo exigências adicionais relacionadas ao combate ao desmatamento por parte do Brasil e dos outros membros do Mercosul. Essa demanda é vista por alguns sul-americanos como uma tentativa de proteger os produtores agrícolas europeus. Outro ponto de discórdia é a possibilidade de empresas europeias competirem com empresas nacionais em compras do governo federal.
Fonte: Brasil 61
