Hidrogênio Verde: Brasil revela potencial de liderança no mercado global
- 12/08/2023
- Economia
Especialistas exaltaram o potencial brasileiro durante audiência pública na Câmara dos Deputados. Disponibilidade de fontes renováveis e estrutura de escoamento colocam Brasil à frente na corrida internacional pela geração e consumo de hidrogênio verde
O Brasil demonstra um notável potencial competitivo no âmbito global do hidrogênio verde ou hidrogênio descarbonizado. Essa avaliação foi apresentada por um representante do setor durante uma audiência pública realizada na última terça-feira (08) na Comissão Especial de Transição Energética e Produção de Hidrogênio da Câmara dos Deputados.
Na ocasião, Loana Von Gaevernitz Lima, diretora-executiva adjunta da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, ressaltou os fatores que favorecem o Brasil no mercado internacional de hidrogênio verde.
"O Brasil detém uma posição estrategicamente única, graças à disponibilidade de fontes renováveis e à infraestrutura portuária que está se desenvolvendo para facilitar o transporte desse hidrogênio. Além disso, a presença substancial de empresas alemãs no Brasil simplifica a transferência de tecnologia para a construção de cadeias de valor globais."
Loana Lima também enfatizou, além das perspectivas de exportação, a demanda interna por hidrogênio verde.
"É importante destacar o potencial dentro do mercado doméstico, tanto por meio de iniciativas industriais que possam adotar o hidrogênio verde, como é o caso da indústria siderúrgica, transporte e setor químico."
Demanda Global O hidrogênio verde é um recurso obtido por meio da eletrólise da água, utilizando energia elétrica. Para minimizar os impactos ambientais, são empregadas fontes de energia renovável, como solar e eólica, nesse processo.
Em contraste, o hidrogênio cinza é produzido a partir de fontes fósseis, de maneira semelhante à produção de gasolina, liberando consideráveis quantidades de CO² na atmosfera.
A executiva da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha apontou o interesse do governo alemão no hidrogênio verde como um fator-chave na descarbonização da economia do país. Ela indicou que a Alemanha consome atualmente 55 terawatt-hora (TWh) de hidrogênio cinza, com uma expectativa de aumento de até 140% na demanda até 2030.
"Desse aumento de 140%, apenas metade será produzida na Alemanha, o que reflete uma necessidade significativa de políticas de importação de hidrogênio. Essa importação se torna essencial não apenas de países dentro da União Europeia, mas também de nações em outras regiões."
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Nova Industrialização Durante a audiência na Câmara dos Deputados, Paulo Alvarenga, CEO da Thyssenkrupp South America, destacou a competição global por fontes de energia limpa.
"Observamos atualmente a Europa preocupada com a escassez de abastecimento interno, dada a limitação na geração de energia renovável para produção de hidrogênio. Nos Estados Unidos, vemos um programa vigoroso, o IRA, que promove o desenvolvimento da cadeia de suprimentos de hidrogênio verde internamente."
"Nesse cenário, o Brasil se destaca com uma vantagem comparativa notável para fornecer tanto hidrogênio verde molecular quanto seus derivados de valor agregado, que podem ser transformados em fertilizantes e insumos siderúrgicos. Além disso, o país possui a cadeia industrial necessária para fornecer esse hidrogênio, o que tem chamado a atenção dos Estados Unidos e da Europa", complementou.
A Comissão Especial de Transição Energética e Produção de Hidrogênio da Câmara dos Deputados está seguindo um plano de ação que inclui 12 audiências públicas e visitas em todas as cinco regiões brasileiras, visando avaliar as políticas públicas relacionadas ao tema.
Arnaldo Jardim, deputado federal (Cidadania-SP) e presidente da comissão, enfatizou a importância de investir em hidrogênio oriundo de fontes renováveis.
"Em meio a essa variedade de matizes de hidrogênio, há algo que não pode ser negligenciado: a utilização de fontes de energia renovável. Isso proporcionará um impacto de custo, apelo e capacidade extraordinários. Ademais, podemos produzir hidrogênio para exportação, mas a prioridade deve ser a utilização do hidrogênio para impulsionar a chamada neoindustrialização do país e atender nossas necessidades de descarbonização."
O deputado federal Bacelar (PV-BA), relator da comissão, indicou que o objetivo é apresentar um relatório até novembro, contendo sugestões para a criação de um marco regulatório que garanta a estabilidade jurídica na transição energética do Brasil.
Fonte: Brasil 61
